Edição 1882 . 1° de dezembro de 2004

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Lya Luft
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Diogo Mainardi
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Roberto Pompeu de Toledo
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VEJA Recomenda

DVDs

Elefante (Elephant, Estados Unidos, 2003. Warner) – Uma paulada é como se pode descrever esse filme do diretor Gus Van Sant, que decalca o massacre ocorrido em 1999 na escola americana de Columbine, quando dois estudantes atiraram contra seus colegas. Tudo o que sua câmera faz é seguir um punhado de alunos no colégio, durante uma manhã. Quase sempre enquadrados de costas, enquanto caminham pelos corredores, eles conversam, almoçam, trocam-se no vestiário – sem encenação, sem inflexão e sem um propósito aparente. É essa recusa de Van Sant em dramatizar o que vê que torna o filme tão poderoso: qualquer que seja a explicação para a tragédia que se seguirá, ela nunca será capaz de se comparar, em choque e devastação, à falta de sentido para o horror. Veja cenas.

Crimes de um Detetive (The Singing Detective, Estados Unidos, 2003. Paramount) – Desfigurado por uma doença de pele, um escritor de mistérios baratos (Robert Downey Jr.) delira em sua cama de hospital, misturando seus enredos ao seu próprio passado e despejando bile e escárnio sobre todos à sua volta. Obrigado a consultar um psiquiatra (Mel Gibson, irreconhecível com óculos de fundo de garrafa e sem cabelo), ele aos poucos se dá conta de que sua pele é, na verdade, uma metáfora para os seus ódios e ressentimentos. Menos bem-sucedido do que a minissérie inglesa de 1986 na qual se baseia, o filme ainda assim tem uma narrativa envolvente – além de trazer Downey Jr., depois de seus problemas com drogas e com a lei, em ótima atuação.

Divulgação
Bowie: show inspirado


A Reality Tour,
David Bowie (Sony) – O roqueiro inglês passou a década de 90 sem lançar bons discos, mas nos últimos anos voltou à melhor forma, como atestam seus dois CDs mais recentes, Heathen e Reality. Isso também vale para os shows da turnê de Reality, que são a atração desse DVD. Gravada em abril passado na cidade americana de Denver, a performance de Bowie é apoiada por uma banda de respeito, em que se destaca o guitarrista Earl Slick. Além disso, Bowie se permite ousar no repertório, como nos velhos tempos. Canta, por exemplo, Loving the Alien, que gravou nos anos 80 mas quase não tocou ao vivo. Outro momento antológico é a execução de Under Pressure, faixa que o cantor gravou ao lado do Queen.

 

LIVROS

 
Reuters
Vargas Llosa: ensaios  

A Verdade das Mentiras, de Mario Vargas Llosa (tradução de Cordelia Magalhães; Arx; 416 páginas; 49 reais) – Por definição, escrever uma obra de ficção significa mentir. O romancista peruano Mario Vargas Llosa, porém, acredita que existe uma verdade mais profunda no núcleo das boas obras do gênero. "No embrião de todo romance ferve um inconformismo, pulsa um desejo insatisfeito", diz o autor de Conversa na Catedral no texto que abre este livro. Em 36 ensaios, Vargas Llosa busca a verdade profunda sob algumas das grandes obras de ficção do século XX – Morte em Veneza, do alemão Thomas Mann, Lolita, do russo Vladimir Nabokov, e O Estrangeiro, do francês Albert Camus, entre outras. Leia trecho.

O Grande Bazar Ferroviário, de Paul Theroux (tradução de Marisa Motta e Fernanda Abreu; Objetiva; 453 páginas; 59,90 reais) – Publicado em 1975 e só agora lançado no Brasil, este livro relata a saga ferroviária do escritor americano Paul Theroux da Inglaterra até o Japão, por meio do Expresso do Oriente, e de volta para a Europa com o Expresso Transiberiano. Theroux registra suas impressões sobre os vários países que visita – entre outros, Índia, Tailândia, Malásia e Vietnã, ainda sob o trauma da guerra encerrada havia pouco tempo. O leitor é brindado com uma viva galeria de personagens com que o autor cruzou ao longo do trajeto. Theroux revela, sobretudo, sua paixão pelos caminhos de ferro, sejam eles os assépticos trens-bala japoneses ou os desconjuntados vagões russos. Leia trecho.

Judas Iscariotes e Outras Histórias, de Leonid Andreiév (tradução de Henrique Losinsky Alves; Claridade; 144 páginas; 29 reais) – Dominada pelos gigantes Tolstoi e Dostoievski, a literatura russa tem ainda outros tesouros a oferecer. Leonid Andreiév (1871-1919), autor que havia muito tempo estava ausente das livrarias brasileiras, aparece agora com seis contos, em uma edição traduzida do russo. Andreiév foi um opositor de primeira hora da revolução comunista – estava exilado na Finlândia quando cometeu suicídio. Sua obra revela aquele pessimismo de que só os russos são capazes. Na narrativa que dá título à coletânea, Judas aparece como um homem cuja única opção era trair Jesus. Era o seu destino. Leia trecho.

 

DISCO

Brushfire Fairytales, Jack Johnson (Universal) – Ex-surfista e dublê de cineasta, o cantor e violonista havaiano devota todas as suas canções a um só tema: o mar. Johnson disseca cada personagem, cada paixão e cada aventura passada na orla marítima. Essa opção faz com que a música do artista seja apreciada principalmente em países nos quais o surfe goza de popularidade – caso do Brasil, onde Johnson virou ídolo dos adeptos do esporte. Gravado em 2002, Brushfire Fairytales chega ao país depois do sucesso de On and On e Thicker than Water, lançados posteriormente a este álbum, mas que já estavam disponíveis para venda no Brasil. As baladas Flake – que tem participação do guitarrista Ben Harper – e Sexy Plexi são os pontos altos do disco.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; Internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Sodiler, Submarino, Nobel.
 
 
 
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