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VEJA Recomenda
DVDs Elefante (Elephant, Estados Unidos,
2003. Warner) Uma paulada é como se pode descrever esse filme do
diretor Gus Van Sant, que decalca o massacre ocorrido em 1999 na escola americana
de Columbine, quando dois estudantes atiraram contra seus colegas. Tudo o que
sua câmera faz é seguir um punhado de alunos no colégio, durante
uma manhã. Quase sempre enquadrados de costas, enquanto caminham pelos
corredores, eles conversam, almoçam, trocam-se no vestiário
sem encenação, sem inflexão e sem um propósito aparente.
É essa recusa de Van Sant em dramatizar o que vê que torna o filme
tão poderoso: qualquer que seja a explicação para a tragédia
que se seguirá, ela nunca será capaz de se comparar, em choque e
devastação, à falta de sentido para o horror. Veja
cenas. Crimes de um Detetive (The
Singing Detective, Estados Unidos, 2003. Paramount) Desfigurado por
uma doença de pele, um escritor de mistérios baratos (Robert Downey
Jr.) delira em sua cama de hospital, misturando seus enredos ao seu próprio
passado e despejando bile e escárnio sobre todos à sua volta. Obrigado
a consultar um psiquiatra (Mel Gibson, irreconhecível com óculos
de fundo de garrafa e sem cabelo), ele aos poucos se dá conta de que sua
pele é, na verdade, uma metáfora para os seus ódios e ressentimentos.
Menos bem-sucedido do que a minissérie inglesa de 1986 na qual se baseia,
o filme ainda assim tem uma narrativa envolvente além de trazer
Downey Jr., depois de seus problemas com drogas e com a lei, em ótima atuação.
Divulgação
 | | Bowie:
show inspirado |
A Reality Tour,
David Bowie (Sony) O roqueiro inglês passou a década de 90
sem lançar bons discos, mas nos últimos anos voltou à melhor
forma, como atestam seus dois CDs mais recentes, Heathen e Reality.
Isso também vale para os shows da turnê de Reality, que são
a atração desse DVD. Gravada em abril passado na cidade americana
de Denver, a performance de Bowie é apoiada por uma banda de respeito,
em que se destaca o guitarrista Earl Slick. Além disso, Bowie se permite
ousar no repertório, como nos velhos tempos. Canta, por exemplo, Loving
the Alien, que gravou nos anos 80 mas quase não tocou ao vivo. Outro
momento antológico é a execução de Under Pressure,
faixa que o cantor gravou ao lado do Queen.
LIVROS
Reuters
 |  | | Vargas
Llosa: ensaios | |
A Verdade
das Mentiras, de Mario Vargas Llosa (tradução de Cordelia
Magalhães; Arx; 416 páginas; 49 reais) Por definição,
escrever uma obra de ficção significa mentir. O romancista peruano
Mario Vargas Llosa, porém, acredita que existe uma verdade mais profunda
no núcleo das boas obras do gênero. "No embrião de todo romance
ferve um inconformismo, pulsa um desejo insatisfeito", diz o autor de Conversa
na Catedral no texto que abre este livro. Em 36 ensaios, Vargas Llosa busca
a verdade profunda sob algumas das grandes obras de ficção do século
XX Morte em Veneza, do alemão Thomas Mann, Lolita,
do russo Vladimir Nabokov, e O Estrangeiro, do francês Albert Camus,
entre outras. Leia
trecho. O
Grande Bazar Ferroviário, de Paul Theroux (tradução
de Marisa Motta e Fernanda Abreu; Objetiva; 453 páginas; 59,90 reais)
Publicado em 1975 e só agora lançado no Brasil, este livro relata
a saga ferroviária do escritor americano Paul Theroux da Inglaterra até
o Japão, por meio do Expresso do Oriente, e de volta para a Europa com
o Expresso Transiberiano. Theroux registra suas impressões sobre os vários
países que visita entre outros, Índia, Tailândia, Malásia
e Vietnã, ainda sob o trauma da guerra encerrada havia pouco tempo. O leitor
é brindado com uma viva galeria de personagens com que o autor cruzou ao
longo do trajeto. Theroux revela, sobretudo, sua paixão pelos caminhos
de ferro, sejam eles os assépticos trens-bala japoneses ou os desconjuntados
vagões russos. Leia
trecho.
Judas
Iscariotes e Outras Histórias, de Leonid Andreiév (tradução
de Henrique Losinsky Alves; Claridade; 144 páginas; 29 reais) Dominada
pelos gigantes Tolstoi e Dostoievski, a literatura russa tem ainda outros tesouros
a oferecer. Leonid Andreiév (1871-1919), autor que havia muito tempo estava
ausente das livrarias brasileiras, aparece agora com seis contos, em uma edição
traduzida do russo. Andreiév foi um opositor de primeira hora da revolução
comunista estava exilado na Finlândia quando cometeu suicídio.
Sua obra revela aquele pessimismo de que só os russos são capazes.
Na narrativa que dá título à coletânea, Judas aparece
como um homem cuja única opção era trair Jesus. Era o seu
destino. Leia
trecho.
DISCO Brushfire
Fairytales, Jack Johnson (Universal) Ex-surfista e dublê
de cineasta, o cantor e violonista havaiano devota todas as suas canções
a um só tema: o mar. Johnson disseca cada personagem, cada paixão
e cada aventura passada na orla marítima. Essa opção faz
com que a música do artista seja apreciada principalmente em países
nos quais o surfe goza de popularidade caso do Brasil, onde Johnson virou
ídolo dos adeptos do esporte. Gravado em 2002, Brushfire Fairytales
chega ao país depois do sucesso de On and On e Thicker than Water,
lançados posteriormente a este álbum, mas que já estavam
disponíveis para venda no Brasil. As baladas Flake que tem
participação do guitarrista Ben Harper e Sexy Plexi
são os pontos altos do disco. |