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Livros
Salvo pelas letras
Chega ao Brasil a ficção de Edward
Bunker, o ex-criminoso que se tornou
autor cultuado

Jerônimo Teixeira
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Divulgação

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| Cães de Aluguel: um
dos ídolos de Tarantino, Bunker fez um papel |
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Aos 70 anos, o escritor americano Edward Bunker
leva uma vida confortável ao lado da mulher e do filho de
10 anos em Los Angeles, na Califórnia. Está trabalhando
em seu quinto romance. Escreve roteiros de cinema e às vezes
faz pontas em filmes acabou de filmar The Longest Yard,
comédia com Adam Sandler. Ele só não conta
com amigos de infância e da juventude com quem possa dividir
esses dias tranqüilos. Morreram todos. "Criminosos têm
vida curta", diz Bunker em entrevista a VEJA. Ele sabe do que está
falando: foi um bandido antes de se converter em escritor cultuado
por figuras como o diretor Quentin Tarantino. Traficou maconha,
participou de assaltos, deu pequenos golpes. Sua ficção
crua e visceral é calcada em sua experiência no submundo.
Recém-lançado no Brasil, Cão Come Cão
(tradução de Francisco R.F. Innocêncio; Barracuda;
284 páginas; 38 reais) é considerado pelo próprio
autor o menos autobiográfico de seus romances. Mesmo assim,
é possível reconhecer no protagonista, Troy, uma certa
identidade com Bunker. É um ladrão que leu Dostoievski.
A diferença fundamental é que Troy não consegue
dar o passo definitivo para fora do mundo do crime.
Filho de uma dançarina abandonada pelo
marido, Bunker passou por diversos lares adotivos, escolas militares
e reformatórios. "Fui criado pelo Estado", diz. Aos 15 anos,
fez sua primeira entrada na Cadeia Municipal de Los Angeles por
ter esfaqueado um guarda no reformatório (o guarda sobreviveu;
quando lhe perguntam se já matou alguém, Bunker se
recusa a responder). A reputação de tipo perigoso
e instável ajudou-o a conquistar respeito entre os detentos
mais velhos. "Eu não era muito forte, mas era rápido
e tinha fama de louco", lembra. Foi em uma prisão posterior,
com 17 anos, que Bunker descobriu a literatura. Era o maior freqüentador
da biblioteca do presídio, lendo uma média de cinco
livros por semana. A conversão à vida honesta, porém,
foi lenta e difícil. Só se completou em 1975, quando
Bunker terminou sua última pena, por um assalto frustrado
a um banco em Beverly Hills. Seu primeiro romance, Nem os Mais
Ferozes que chegará às livrarias brasileiras
em breve , foi publicado em 1973, quando ele ainda estava
encarcerado.
Elogiado por escritores como James Ellroy
e William Styron (autor dos prefácios de Nem os Mais Ferozes
e Cão Come Cão), Bunker também é
um roteirista respeitado. Orgulha-se de Expresso para o Inferno,
filme do russo Andrei Konchalovski. "Nos créditos, meu nome
aparece ao lado de outros dois. Mas aquele roteiro é meu",
afirma. Sua fama consolidou-se graças à admiração
de Tarantino por sua obra. Bunker não só está
entre as várias fontes obscuras que o cineasta utiliza em
seus filmes, como também fez um papel pequeno em sua fita
de estréia, Cães de Aluguel. O escritor devolveu
a homenagem: em Cão Come Cão, Pulp Fiction
é citado como o único filme a que o ex-presidiário
Troy gostaria de assistir.
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