Edição 1882 . 1° de dezembro de 2004

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Animal
As conquistas do lusitano

Raça de cavalos portuguesa vira
febre entre os famosos e se torna
campeã de exportação


Leandro Beguoci



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O puro-sangue lusitano era uma espécie de patinho feio entre os cavalos no Brasil. Não possuía a fama de um puro-sangue inglês, a tradição de um árabe, o histórico de um alemão nem a beleza da pura raça espanhola. A partir da década de 90, velhos e novos criadores brasileiros deixaram de lado o que o lusitano não tem e começaram a valorizar as qualidades do cavalo. Ele é um animal inteligente e competitivo em torneios de adestramento. Além de ser fácil de domar, o lusitano – na linguagem dos cavaleiros – gosta de ser montado. Usado em touradas em Portugal e na Espanha, ele adquiriu características funcionais. Justamente por isso, conquistou criadores exigentes como Luís Ermírio de Moraes, herdeiro do grupo Votorantim, o publicitário Eduardo Fischer, da FischerAmérica, Jayme Monjardim, diretor de cinema e novelas, e o ex-empresário da noite José Victor Oliva.


Divulgação
O garanhão Poderoso, do publicitário Eduardo Fischer: treinamento na Alemanha


Desde 2002, o número de membros da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Puro-Sangue Lusitano aumentou 45% e chegou a 274. "A partir de 1994, o lusitano foi a raça que mais cresceu no Brasil", diz Luciano Cury, presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe. Durante a Revolução dos Cravos, que varreu Portugal em meados da década de 70, vários cavalos chegaram ao Brasil e foram vendidos a preços de ocasião. Temerosos de que os animais fossem confiscados, os criadores portugueses, às pressas, encontraram no Brasil um novo mercado. A segunda onda de importação veio em escala maior e aconteceu em meados dos anos 90, já em outro patamar de preço. Tamanha a procura, criadores brasileiros chegaram a inflacionar leilões em Portugal.

Nos últimos anos, o Brasil conseguiu sair da condição de importador para a de exportador. Hoje os criadores brasileiros contam com cerca de 7.000 cavalos, um número ainda baixo em comparação ao que existe de manga-larga marchador, crioulo e quarto-de-milha. Mas, mesmo sendo minoria, a raça é uma das mais exportadas pelo Brasil. De um cavalo vendido a um criador uruguaio em 1994, as vendas saltaram para 130 exemplares de janeiro a outubro deste ano.

Luís Ermírio de Moraes, herdeiro do grupo Votorantim, começou a criar lusitanos como hobby, em 1994, e hoje tem um haras que já exportou mais de trinta cavalos

Nos leilões, não é raro encontrar estrangeiros atraídos pela qualidade dos animais criados no Brasil. Em geral, são americanos, mexicanos e até mesmo portugueses. O preço médio dos cavalos vendidos pelos principais haras para criadores estrangeiros ronda os 30.000 dólares, mas os melhores animais podem ser negociados por até 250.000 dólares, valor suficiente para comprar um apartamento de luxo em uma capital brasileira. "Os lusitanos parecem gostar de se apresentar em público, o que facilita as coisas para o montador", disse a VEJA Nicole Uphoff, a medalhista olímpica alemã que tem um dos centros de adestramento de cavalos mais respeitados do mundo, perto de Dusseldorf. Nicole está se preparando para treinar dois garanhões ("Poderoso" e "Relâmpago") do haras Villa do Retiro, pertencente ao publicitário Eduardo Fischer.

O empresário Luís Ermírio de Moraes promoveu o primeiro leilão de seu haras, o Coudelaria Alegria dos Pinhais, em meados de novembro. Os 31 cavalos vendidos renderam 900.000 reais e atraíram compradores do Canadá, dos Estados Unidos e do México. "Comecei a criação como um hobby e agora chego lá nos fins de semana e não tenho tempo nem para pescar", diz Moraes. Exportar cavalos é caro e exige uma logística toda especial. O animal é transportado em um contêiner específico, colocado dentro de um avião, e recebe um serviço mais atencioso do que qualquer passageiro. Durante o vôo, é acompanhado o tempo inteiro por um veterinário e, em caso de nervosismo, é sedado. Tudo isso não sai por menos de 6.000 dólares, o suficiente para adquirir mais de sete passagens aéreas de ida e volta entre Rio de Janeiro e Nova York.

 

Os números do puro-sangue
lusitano no Brasil

Está entre as raças mais exportadas

Os melhores cavalos chegam a ser vendidos por 250 000 dólares

O número de criadores cresceu 45% desde 2002

 

 
 
 
 
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