Edição 1882 . 1° de dezembro de 2004

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Carta ao leitor
O ciclo da eficiência


Sergio Lima/Folha Imagem
Lula: "despetização" do governo


Nos dois primeiros anos de governo, a ineficiência de grande parte dos ministros ligados ao PT desafiou a paciência do presidente. Em nome da unidade partidária, Lula tolerou descalabros ideológicos, inação e ausência de resultados. Agora o humor do presidente é bem diverso. Lula quer que os próximos dois anos de seu mandato sejam cumpridos sob o signo do que chamou de "ciclo da eficiência". Na semana passada, ele falou na "despetização" do governo e informou aos ministros que os dois anos iniciais foram mais do que suficientes para que eles demonstrassem alguma competência. Em outras palavras, o presidente não espera mais nada de quem nada fez até agora.

Uma característica comum une os ministros cujo desempenho ficou abaixo do aceitável. Eles todos se mostram críticos severos do mais inequívoco sucesso da administração Lula até o momento, a política econômica. Os ministros petistas Ricardo Berzoini (Trabalho), Olívio Dutra (Cidades), Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) e José Fritsch (Pesca) tentaram minimizar os próprios fracassos com ataques ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na semana passada. Um contra-senso. O Brasil chegará ao fim do ano com alguns dos melhores indicadores econômicos da última década, muitos deles com impacto direto positivo e imediato sobre o bem-estar da população, como é o caso do aumento da renda e da geração de empregos.

Entende-se a desorientação dos reclamões do PT. Afinal, os resultados auspiciosos na economia foram conseguidos por uma política que eles condenam, dando-lhe o rótulo de neoliberal. Na visão deles, essa política só deveria gerar miséria. Ela gerou inflação baixa, crescimento e estabilidade. O ápice da histeria dos descontentes com o sucesso econômico da administração Lula, porém, partiu de um funcionário subalterno, Rolf Hackbart, presidente do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Hackbart atribuiu a morte de cinco militantes do movimento dos sem-terra em Minas Gerais ao agronegócio. Eles foram mortos por criminosos, alguns dos quais já presos. Atividade responsável pela maior parte das exportações e por um terço do PIB do Brasil, o agronegócio é justamente uma das maiores esperanças de uma vida melhor para todos os brasileiros.

 
 
 
 
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