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Carta ao leitor
O ciclo da eficiência
Sergio Lima/Folha Imagem
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| Lula: "despetização" do governo |
Nos dois primeiros anos de governo, a ineficiência de grande
parte dos ministros ligados ao PT desafiou a paciência do
presidente. Em nome da unidade partidária, Lula tolerou descalabros
ideológicos, inação e ausência de resultados.
Agora o humor do presidente é bem diverso. Lula quer que
os próximos dois anos de seu mandato sejam cumpridos sob
o signo do que chamou de "ciclo da eficiência". Na semana
passada, ele falou na "despetização" do governo e
informou aos ministros que os dois anos iniciais foram mais do que
suficientes para que eles demonstrassem alguma competência.
Em outras palavras, o presidente não espera mais nada de
quem nada fez até agora.
Uma característica comum une os ministros
cujo desempenho ficou abaixo do aceitável. Eles todos se
mostram críticos severos do mais inequívoco sucesso
da administração Lula até o momento, a política
econômica. Os ministros petistas Ricardo Berzoini (Trabalho),
Olívio Dutra (Cidades), Miguel Rossetto (Desenvolvimento
Agrário) e José Fritsch (Pesca) tentaram minimizar
os próprios fracassos com ataques ao ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, na semana passada. Um contra-senso. O Brasil chegará
ao fim do ano com alguns dos melhores indicadores econômicos
da última década, muitos deles com impacto direto
positivo e imediato sobre o bem-estar da população,
como é o caso do aumento da renda e da geração
de empregos.
Entende-se a desorientação dos
reclamões do PT. Afinal, os resultados auspiciosos na economia
foram conseguidos por uma política que eles condenam, dando-lhe
o rótulo de neoliberal. Na visão deles, essa política
só deveria gerar miséria. Ela gerou inflação
baixa, crescimento e estabilidade. O ápice da histeria dos
descontentes com o sucesso econômico da administração
Lula, porém, partiu de um funcionário subalterno,
Rolf Hackbart, presidente do Incra, o Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária. Hackbart atribuiu a morte de cinco militantes
do movimento dos sem-terra em Minas Gerais ao agronegócio.
Eles foram mortos por criminosos, alguns dos quais já presos.
Atividade responsável pela maior parte das exportações
e por um terço do PIB do Brasil, o agronegócio é
justamente uma das maiores esperanças de uma vida melhor
para todos os brasileiros.
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