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Os mais vendidos
 

LIVRO

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Mayle: deliciosas frivolidades

Em Busca de Cézanne, de Peter Mayle (tradução de Lúcia Olinto; Rocco; 244 páginas; 27 reais) – Peter Mayle tornou-se famoso com seus livros sobre as paisagens e a culinária da região de Provença, no sul da França. Nesse seu novo romance, o autor, que tem fama de bon vivant, faz uma crítica bem-humorada e elegante aos costumes da alta sociedade. Sob o manto da ficção, Mayle fornece um panorama da vida dos colunáveis retratados pelas revistas de celebridades. O protagonista da história é André Kelly, fotógrafo de um semanário nova-iorquino chique dirigido por Camilla Porter, uma típica yuppie americana. Enviado à França pela revista, ele fotografa, por acaso, pessoas tirando um quadro de Cézanne da casa de uma família rica. A investigação do suposto furto leva-o a viajar para lugares glamourosos da Europa e a circular entre os grandes do meio artístico e editorial dos Estados Unidos. Mayle é hábil em abordar o mundinho dos "chiques e famosos" com ironia. Gasta páginas e páginas com a descrição de jantares refinados, personagens superficiais e outras futilidades, mas consegue ser mais interessante do que as revistas de fofocas. Diversão garantida.

 

TELEVISÃO

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National Geographic: novo canal


National Geographic Channel Brasil
(NET e Sky) – Surgida nos Estados Unidos há 112 anos, a sociedade National Geographic virou sinônimo de excelência no ramo editorial: é imbatível nas grandes reportagens com imagens de encher os olhos, que abordam a vida selvagem e os costumes das civilizações mais remotas. Essa mesma matéria-prima dá vida ao canal da instituição na TV por assinatura, com estréia no país prevista para a meia-noite desta terça-feira. O trabalho de seus fotógrafos e cinegrafistas, seja na savana africana, seja em regiões polares, é o grande tema da programação nesta semana que inaugura as transmissões no Brasil. Em Por Trás das Lentes – Os Fotógrafos (terça à meia-noite), constata-se que, para captar aquelas cenas curiosas, os profissionais muitas vezes passam por boas dificuldades – como ficar embrenhado na selva por horas a fio, sob uma nuvem de implacáveis mosquitos, apenas para registrar o ritual de acasalamento de uma ave rara. Na quarta, às 22h, a atração é um perfil de Ron Haviv, jovem fotógrafo que arriscou a pele na cobertura da Guerra do Golfo e dos conflitos na ex-Iugoslávia.

 

DISCO

Puro Suingue, Jorge Ben (Universal) – Quando iniciou sua carreira no Beco das Garrafas, reduto da bossa nova no Rio de Janeiro, Jorge Ben chamou a atenção por um detalhe incomum. Seu jeito de tocar violão era absolutamente original – ele interpretava samba com a rapidez de um músico de rock, num estilo que acabou por batizar de "sambalanço". Hoje em dia, transmutado em Jorge Ben Jor, ele costuma se apresentar como um saltitante guitarrista, sempre disposto a engatar num show a manjada canção W/Brasil, maior hit de sua carreira. O músico já não gosta de dedilhar o violão. É uma pena, como se percebe ao ouvir as faixas reunidas neste Puro Suingue. A coletânea de catorze músicas traz gravações realizadas entre 1963 e 1975, período em que o cantor fez discos excelentes, como Samba Esquema Novo e Força Bruta. Fazem parte da seleção gemas do quilate de Mas que Nada (a primeira gravação da carreira de Jorge), Bebete Vãobora e o funk-batucada Take it Easy My Brother Charles, entre outras que, volta e meia, são regravadas pela nova geração do pop nacional.

 

VÍDEO

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A Enguia: estudo sobre a paixão premiado em Cannes


A Enguia
(Unagi, Japão, 1997. Europa) – Nem sempre é fácil acompanhar a propensão ao silêncio e ao rigor formal do cinema japonês, mas A Enguia vale o investimento. Dirigido pelo veterano Shohei Imamura, que ganhou com esse drama sua segunda Palma de Ouro em Cannes (a primeira foi por A Balada de Narayama, em 1983), o filme narra a história de um burocrata que, num momento de ódio, assassina a esposa infiel. Oito anos depois, em liberdade condicional, o senhor Yamashita começa a reconstruir cautelosamente a vida. Monta uma barbearia numa cidadezinha à beira de um rio, onde pouco a pouco baixa a guarda e deixa que os fregueses se transformem em amigos – mas não tão íntimos quanto a enguia de estimação, sua única confidente. O ex-presidiário, contudo, continua a ser atormentado pelas lembranças do passado e pela presença de Keiko, sua ajudante, que não é exatamente indiferente ao patrão. O diretor faz um belo estudo da paixão e retoma um tema caro aos cineastas de seu país: o poder freqüentemente destruidor das palavras, mesmo que ditas com as melhores intenções.

 

Os mais vendidos – Crítica

Twenty Century Fox
Liz Taylor e Rex Harrison no filme Cleópatra: cafonice


A história de Cleópatra é uma das mais exploradas pela ficção. Shakespeare escreveu uma peça sobre ela. O dramaturgo Bernard Shaw também. Mas a rainha egípcia retratada por esses autores clássicos não tem nada a ver com a do romance
A Filha de Ísis (tradução de Lidia Cavalcante e Cassia Zanon; Geração Editorial; 485 páginas; 29,50 reais), primeiro dos três volumes que compõem a série As Memórias de Cleópatra, da escritora americana Margaret George. Há sete semanas seguidas na lista dos mais vendidos de VEJA, o livro está muito mais próximo do universo hollywoodiano. Desde a invenção do cinema, 53 filmes foram feitos sobre a vida da famosa governante egípcia, e o mais famoso deles, lançado em 1963, trazia Elizabeth Taylor no papel principal e abusava da cafonice e da sensualidade trash.

O livro de Margaret é mais um nessa leva de romances sobre a Antiguidade, todos feitos com o pretexto de contar a história de uma época de maneira "leve e saborosa", mas sem nenhuma preocupação com os fatos verdadeiros. O primo mais próximo da autora é o egiptólogo francês Christian Jacq, autor da série Ramsés, que acaba de emplacar mais um livro na lista dos mais vendidos. No caso de Jacq, o artifício usado para cativar os milhões de leitores era o misticismo, a ênfase sobre a "riqueza espiritual" da sociedade dos faraós. Margaret George, por sua vez, se vale de outro subterfúgio: o sexo. O livro carrega na lubricidade. Só que as descrições dos intercursos de Cleópatra e Júlio César são de um kitsch só comparável às músicas de Wando. "Ele beijou-me onde estivera coberta pelo manto. Seus lábios fizeram minha pele se arrepiar", narra Cleópatra. Uau.

Flávio Moura

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano.

 

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