Guia
O bê-á-bá
dos rankings
Depois de Enem, Saeb
e Ideb, CPC e IGC são as duas novas
siglas criadas pelo Ministério da Educação
(MEC) para se
referir a avaliações do ensino ambas
recém-divulgadas.

Monica Weinberg
mweinberg@abril.com.br
Montagem sobre fotos de
Photodisc e Rubberball
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O fato de já haver
tantas dessas aferições sobre a qualidade da
educação no Brasil em todos os níveis
é um grande avanço. Sem tais medições,
julgar o padrão de uma escola se limitaria a uma tarefa
impressionista. Até hoje, no entanto, esses indicadores
são pouco usados. Em parte porque, diante da miríade
de siglas, as pessoas desconhecem os propósitos de
cada uma. A pedido de VEJA, um grupo de especialistas explica
neste Guia o objetivo das seis avaliações oficiais.
Eles fazem ressalvas quanto às suas aplicações
e mostram em que situações os rankings são
de fato úteis num momento que costuma ser difícil
para pais e estudantes: a escolha de uma escola ou uma faculdade
em meio a tantas disponíveis.
NO ENSINO BÁSICO
Enem
(Exame Nacional do Ensino Médio)
Objetivo: testar os conhecimentos dos concluintes
do ensino médio em todas as disciplinas
Periodicidade: anual
Por que é útil
Permite saber o nível de um aluno em comparação
à média dos estudantes e aos campeões
na prova
Funciona como alternativa ao vestibular em 600 faculdades,
que já consideram a nota no exame em seus processos
de seleção
É o único indicador que produz um ranking
de escolas particulares
A palavra dos especialistas:
como a inscrição para o exame é voluntária,
o ranking das escolas pode não refletir a realidade.
Se apenas os melhores alunos fazem a prova, a média
naturalmente sobe. É melhor consultar as notas dos
colégios "com correção de participação",
cálculo que o MEC divulga justamente para atenuar eventuais
distorções
Prova
Brasil
Objetivo: avaliar
nas escolas públicas as habilidades dos estudantes
de 4ª e 8ª séries em leitura e resolução
de problemas matemáticos
Periodicidade: a cada dois anos
Por que é útil
Mostra em que lugar do ranking se situa uma determinada
escola
Compara o resultado dos 5 564 municípios brasileiros
Permite acompanhar a evolução do ensino
nos municípios
A palavra dos especialistas:
ao consultar na internet a média das escolas na Prova
Brasil, é possível saber muito mais sobre um
colégio. O MEC divulga, entre outros indicadores, as
taxas de aprovação e o número de professores
com curso superior que dão aula lá
Saeb
(Sistema de Avaliação da Educação
Básica)
Objetivo:
aferir o nível de estudantes de ensino fundamental
e médio em português e matemática. As
provas são aplicadas a uma amostra das escolas públicas
e particulares
Periodicidade: a cada dois anos
Por que é útil
Compara a qualidade da educação nos estados
Permite acompanhar a evolução do nível
de ensino em cada estado
A palavra dos especialistas:
como o Saeb é aplicado apenas a uma amostra dos
alunos, não serve para comparar o desempenho individual
ou o dos colégios apenas fornece informações
sobre as redes de ensino
Ideb
(Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica)
Objetivo:
conferir às escolas públicas notas de zero a
10 com base nas taxas de aprovação e nos resultados
dos estudantes em exames oficiais. A partir daí, o
MEC estabelece metas para o avanço de cada escola
Periodicidade: a cada dois anos
Por que é útil
Compara o nível do ensino nas escolas, tal
qual a Prova Brasil só que aplicando um indicador
mais completo
Resulta em rankings de ensino para estados e municípios
Permite acompanhar a evolução da educação
no país
A palavra dos especialistas:
o Ideb sobressai aos demais indicadores porque, com base nele,
o MEC traça metas concretas para o avanço do
ensino numa escola ou num município, o que facilita
a cobrança de resultados por parte dos pais. Não
há nada parecido para colégios particulares
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ELA FUGIU DO MAU ENSINO
Antes de se inscrever no vestibular
de enfermagem, a estudante Estela Duarte, 22 anos,
hoje na Unifesp, procurou saber quais eram as melhores
em sua área: "Fugi das faculdades mal colocadas
nos rankings" |
NO ENSINO SUPERIOR
CPC
(Conceito Preliminar de Curso)
Objetivo: avaliar os cursos de graduação
de uma mesma área
Periodicidade: as carreiras são avaliadas a
cada três anos
Por que é útil
Ranqueia os cursos por carreira
É um parâmetro para o MEC cobrar a qualidade
mínima dos cursos e fechá-los, se for
preciso
A palavra dos especialistas:
o novo indicador reuniu medidores mais antigos, entre
eles um que afere o nível da infra-estrutura e dos
professores. Esses dados só importam, no entanto, quando
contribuem para bons resultados acadêmicos e
isso só o Enade (prova aplicada aos estudantes) é
capaz de medir. Daí ser melhor consultar apenas a nota
no exame do que olhar para o CPC
IGC
(Índice Geral de Cursos)
Objetivo: avaliar as instituições de
ensino superior e não os cursos. Para tal, reúne
indicadores de qualidade da graduação e da pós-graduação
Periodicidade: anual
Por que é útil
Informa em que lugar do ranking se situa uma universidade
A palavra dos especialistas:
é melhor olhar
para os índices de graduação e pós-graduação
separadamente. O dado desagregado é mais preciso, uma
vez que nem sempre a qualidade desses dois níveis de
ensino é igual numa mesma universidade

Fotos Ana Araujo e Otavio
Dias |
O RANKING
AJUDOU
A publicitária
Simone Cavadas, de Brasília,
escolheu uma nova escola para a filha Luisa,
de 11 anos, depois de consultar as listas
do MEC: "É um critério objetivo"
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