Edição 1822 . 1° de outubro de 2003

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Congresso
Só remendo

Reforma anima o governo
mas não melhora o país

 
Sérgio Lima/Folha Imagem
João Paulo e Sarney, com o texto da reforma: dois turnos

Para o governo, a coisa está bem resolvida: a reforma tributária foi devidamente aprovada na Câmara dos Deputados, na semana passada, prorrogando por mais quatro anos a CPMF, contribuição que rende 20 bilhões de reais anuais aos cofres públicos, e autorizando o governo a mexer livremente numa fatia de 20% do Orçamento da União. Com o encerramento da votação, o presidente da Câmara, o deputado João Paulo Cunha, passou o projeto às mãos do senador José Sarney, presidente do Senado, onde serão realizadas duas rodadas de votação. Será a última chance para que os parlamentares produzam algo que possa realmente ser chamado de reforma, reduzindo a pesadíssima carga fiscal brasileira e, com isso, injetando um estímulo na economia. As esperanças de que isso venha a acontecer, porém, são praticamente nulas. Se o Senado fizer qualquer alteração de porte, a reforma terá de voltar à Câmara – e, como isso leva tempo, poderá impedir que ela seja aprovada neste ano, de modo a vigorar já no ano que vem. Quem apostar, portanto, que a reforma sairá do Senado com a mesma cara com que chegou terá grande probabilidade de ganhar. Isso significa, infelizmente, que a carga tributária brasileira, hoje entre as mais pesadas do mundo, continuará entre as mais pesadas do mundo. A diferença é que essa carga poderá ficar mais alta ainda.

 
 
 
 
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