|
|
VEJA Recomenda CINEMA
Divulgação  |
| Voltando para Casa: casal canadense, curandeiro
russo | Voltando para Casa
(Julie Walking Home, Canadá/Polônia, 2002. Estréia
na sexta-feira) A diretora polonesa Agnieszka Holland, de Europa Europa,
tem uma forte veia mística. Aqui, ela se manifesta na figura de um curandeiro
russo (o excelente Lothaire Bluteau) que entra na vida de um casal canadense
em crise por causa de uma traição do marido e, principalmente, pela
descoberta de que o filho pequeno tem um tumor incurável. Miranda Otto
(a Éowyn de O Senhor dos Anéis), que faz a mãe do
menino, é uma atriz carismática, e à diretora também
não falta competência para conduzir seu filme nas diversas marchas
e contramarchas do enredo, todas muito envolventes. Se há uma ressalva
a fazer, é a sua tendência a moralizar os dramas de seus personagens.
O Agente da Estação (The
Station Agent, Estados Unidos, 2003. Estréia na sexta-feira)
Se há uma coisa sobre a qual este filme não faz rodeios, é
o fato de que seu protagonista é anão. A caixa do supermercado diz
que não o enxergou, desconhecidos tiram fotos dele, as crianças
perguntam se ele é o Dunga ou o Zangado. Todos olham para Fin, e sua reação
é não reagir. Quando Fin se muda para uma antiga estação
de trens no interior, duas pessoas furam seu cerco um vendedor de lanches
e uma mulher em luto pelo filho. Assim como eles, depois de algum tempo o espectador
deixa de reparar na estatura de Fin. Ela é o que origina sua solidão,
mas não o que o define. Peter Dinklage, 1,35 metro e sensação
no Festival de Sundance, tem talento de sobra e uma presença magnética
e segura, que contribuem para tornar o filme uma pequena obra-prima. Assista
ao trailer. LIVROS
Basta!,
de Joaquim de Carvalho (A Girafa; 240 páginas; 35 reais) Em 1996,
Paulo César Farias tesoureiro da campanha de Fernando Collor e figura
central nos escândalos que levaram ao impeachment do presidente e
sua amante Suzana Marcolino da Silva foram assassinados em Maceió. A imprensa
levantou a suspeita de um crime político, um complô para matar o
homem que guardava os segredos da era Collor. Essa versão foi mantida mesmo
quando a investigação policial já a desmentia. O jornalista
Joaquim de Carvalho, que acompanhou o caso como repórter de VEJA, foi dos
poucos a referendar a solução real do crime: os laudos da perícia
apontaram para um crime passional. Suzana matou PC e se suicidou em seguida. Neste
livro, Joaquim rememora a cobertura do caso e ataca o sensacionalismo dos veículos
que defenderam teorias conspiratórias.
Socialismo
para Milionários, de George Bernard Shaw (tradução
de Paulo Rónai; Ediouro; 144 páginas; 24,90 reais) "Este
opúsculo, que eu saiba, é o primeiro já escrito para milionários",
diz o escritor Bernard Shaw (1856-1950) logo no início desse ensaio provocativo.
Dar esmolas é desperdício de recursos que os ricos deveriam conservar:
esse é o argumento central. A defesa das classes superiores, porém,
é apenas mais uma das ironias típicas de Shaw. Seu objetivo é
atacar a caridade, que só serviria para que os abastados aliviem sua consciência
e, de quebra, angariem respeito público. Não é preciso concordar
com as idéias de Shaw para admirar sua prosa. O Nobel irlandês só
não escrevia para os pobres de espírito. Leia
trecho.
A
Caixa Vermelha, de Rex Stout (tradução de Ernst Weber; Companhia
das Letras; 322 páginas; 34,50 reais) Autor de 73 romances policiais,
o americano Rex Stout (1886-1975) celebrizou-se por criar o detetive Nero Wolfe
e seu auxiliar Archie Goodwin, uma dupla quase tão clássica quanto
Sherlock Holmes e Watson. Em A Caixa Vermelha, uma jovem de Nova York morre
ao comer um bombom envenenado que aparentemente estava destinado a outra vítima,
o magnata da moda Boyd McNair. Wolfe, como em todos os livros da série,
não sai de casa para resolver o mistério. É Archie quem coleta
as evidências para que o detetive exerça sua capacidade de dedução.
O desafio do leitor é acompanhar a inteligência rápida desse
obeso detetive que adora beber cerveja e cultivar orquídeas. Leia
trechos.
DVD The
Great Performances, Elvis Presley (ST2) Existem diversos produtos
dedicados a celebrar a carreira de Elvis Presley (1935-1977), mas poucos têm
material tão farto e interessante quanto o dessa coleção.
O primeiro disco, Center Stage, traz aparições de Presley
entre 1956 e 1977. Entre as raridades, um teste de imagem em que Elvis dubla Blue
Suede Shoes e finge tocar uma guitarra sem cordas enquanto um time de produtores
de cinema decide se ele tem jeito ou não para emplacar nas telas. Os outros
dois DVDs são mais centrados na vida pessoal do astro. The Man and His
Music mostra cenas de seu dia-a-dia e From the Waist Up (que tem narração
de Bono Vox, o cantor do U2) explica como Elvis passou de caminhoneiro a estrela
do rock'n'roll. DISCOS Elis
& Tom, Elis Regina & Tom Jobim (Trama) O encontro entre
a cantora gaúcha e o compositor carioca ganha aqui uma reedição
histórica. O projeto foi organizado por César Camargo Mariano, ex-marido
e produtor de Elis. Ele verteu as gravações do disco original para
o formato DVD Audio, de grande refinamento técnico. A voz de Elis Regina
soa mais límpida que nunca, sem perder a dramaticidade. Mariano também
ressaltou instrumentos como o baixo de Luizão Maia, que ficava meio
escondido na versão original. O DVD Audio mantém os divertidos diálogos
entre Elis, Tom e César. O melhor deles se dá antes do início
de Inútil Paisagem, em que a cantora confessa ter fumado um maço
de cigarros e pergunta se pode continuar a gravar.
Bicycles
& Tricycles, The Orb (Sum) Liderado pelo produtor inglês
Alex Paterson, o Orb criou um estilo de música eletrônica que se
poderia definir como "contemplativo". O grupo surgiu no início dos anos
90 e tem entre seus admiradores incondicionais o guitarrista e vocalista do Pink
Floyd, David Gilmour. Ele vê semelhanças entre a obra de Paterson
e a sonoridade psicodélica do Pink Floyd. De fato, faixas como Kompania
poderiam muito bem figurar num álbum clássico daquela banda. Outro
destaque do CD é Prime Evil, canção de clima tenebroso
que traz uma declamação soturna do ator inglês Neville Jason.
Escute
o disco
|