Edição 1869 . 1° de setembro de 2004

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CINEMA

Divulgação
Voltando para Casa: casal canadense, curandeiro russo


Voltando para Casa
(Julie Walking Home,
Canadá/Polônia, 2002. Estréia na sexta-feira) – A diretora polonesa Agnieszka Holland, de Europa Europa, tem uma forte veia mística. Aqui, ela se manifesta na figura de um curandeiro russo (o excelente Lothaire Bluteau) que entra na vida de um casal canadense – em crise por causa de uma traição do marido e, principalmente, pela descoberta de que o filho pequeno tem um tumor incurável. Miranda Otto (a Éowyn de O Senhor dos Anéis), que faz a mãe do menino, é uma atriz carismática, e à diretora também não falta competência para conduzir seu filme nas diversas marchas e contramarchas do enredo, todas muito envolventes. Se há uma ressalva a fazer, é a sua tendência a moralizar os dramas de seus personagens.

O Agente da Estação (The Station Agent, Estados Unidos, 2003. Estréia na sexta-feira) – Se há uma coisa sobre a qual este filme não faz rodeios, é o fato de que seu protagonista é anão. A caixa do supermercado diz que não o enxergou, desconhecidos tiram fotos dele, as crianças perguntam se ele é o Dunga ou o Zangado. Todos olham para Fin, e sua reação é não reagir. Quando Fin se muda para uma antiga estação de trens no interior, duas pessoas furam seu cerco – um vendedor de lanches e uma mulher em luto pelo filho. Assim como eles, depois de algum tempo o espectador deixa de reparar na estatura de Fin. Ela é o que origina sua solidão, mas não o que o define. Peter Dinklage, 1,35 metro e sensação no Festival de Sundance, tem talento de sobra e uma presença magnética e segura, que contribuem para tornar o filme uma pequena obra-prima. Assista ao trailer.

 

LIVROS

Basta!, de Joaquim de Carvalho (A Girafa; 240 páginas; 35 reais) – Em 1996, Paulo César Farias – tesoureiro da campanha de Fernando Collor e figura central nos escândalos que levaram ao impeachment do presidente – e sua amante Suzana Marcolino da Silva foram assassinados em Maceió. A imprensa levantou a suspeita de um crime político, um complô para matar o homem que guardava os segredos da era Collor. Essa versão foi mantida mesmo quando a investigação policial já a desmentia. O jornalista Joaquim de Carvalho, que acompanhou o caso como repórter de VEJA, foi dos poucos a referendar a solução real do crime: os laudos da perícia apontaram para um crime passional. Suzana matou PC e se suicidou em seguida. Neste livro, Joaquim rememora a cobertura do caso e ataca o sensacionalismo dos veículos que defenderam teorias conspiratórias.

Socialismo para Milionários, de George Bernard Shaw (tradução de Paulo Rónai; Ediouro; 144 páginas; 24,90 reais) – "Este opúsculo, que eu saiba, é o primeiro já escrito para milionários", diz o escritor Bernard Shaw (1856-1950) logo no início desse ensaio provocativo. Dar esmolas é desperdício de recursos que os ricos deveriam conservar: esse é o argumento central. A defesa das classes superiores, porém, é apenas mais uma das ironias típicas de Shaw. Seu objetivo é atacar a caridade, que só serviria para que os abastados aliviem sua consciência e, de quebra, angariem respeito público. Não é preciso concordar com as idéias de Shaw para admirar sua prosa. O Nobel irlandês só não escrevia para os pobres de espírito. Leia trecho.

A Caixa Vermelha, de Rex Stout (tradução de Ernst Weber; Companhia das Letras; 322 páginas; 34,50 reais) – Autor de 73 romances policiais, o americano Rex Stout (1886-1975) celebrizou-se por criar o detetive Nero Wolfe e seu auxiliar Archie Goodwin, uma dupla quase tão clássica quanto Sherlock Holmes e Watson. Em A Caixa Vermelha, uma jovem de Nova York morre ao comer um bombom envenenado que aparentemente estava destinado a outra vítima, o magnata da moda Boyd McNair. Wolfe, como em todos os livros da série, não sai de casa para resolver o mistério. É Archie quem coleta as evidências para que o detetive exerça sua capacidade de dedução. O desafio do leitor é acompanhar a inteligência rápida desse obeso detetive que adora beber cerveja e cultivar orquídeas. Leia trechos.

 

DVD

The Great Performances, Elvis Presley (ST2) – Existem diversos produtos dedicados a celebrar a carreira de Elvis Presley (1935-1977), mas poucos têm material tão farto e interessante quanto o dessa coleção. O primeiro disco, Center Stage, traz aparições de Presley entre 1956 e 1977. Entre as raridades, um teste de imagem em que Elvis dubla Blue Suede Shoes e finge tocar uma guitarra sem cordas enquanto um time de produtores de cinema decide se ele tem jeito ou não para emplacar nas telas. Os outros dois DVDs são mais centrados na vida pessoal do astro. The Man and His Music mostra cenas de seu dia-a-dia e From the Waist Up (que tem narração de Bono Vox, o cantor do U2) explica como Elvis passou de caminhoneiro a estrela do rock'n'roll.

 

DISCOS

Elis & Tom, Elis Regina & Tom Jobim (Trama) – O encontro entre a cantora gaúcha e o compositor carioca ganha aqui uma reedição histórica. O projeto foi organizado por César Camargo Mariano, ex-marido e produtor de Elis. Ele verteu as gravações do disco original para o formato DVD Audio, de grande refinamento técnico. A voz de Elis Regina soa mais límpida que nunca, sem perder a dramaticidade. Mariano também ressaltou instrumentos – como o baixo de Luizão Maia, que ficava meio escondido na versão original. O DVD Audio mantém os divertidos diálogos entre Elis, Tom e César. O melhor deles se dá antes do início de Inútil Paisagem, em que a cantora confessa ter fumado um maço de cigarros e pergunta se pode continuar a gravar.

Bicycles & Tricycles, The Orb (Sum) – Liderado pelo produtor inglês Alex Paterson, o Orb criou um estilo de música eletrônica que se poderia definir como "contemplativo". O grupo surgiu no início dos anos 90 e tem entre seus admiradores incondicionais o guitarrista e vocalista do Pink Floyd, David Gilmour. Ele vê semelhanças entre a obra de Paterson e a sonoridade psicodélica do Pink Floyd. De fato, faixas como Kompania poderiam muito bem figurar num álbum clássico daquela banda. Outro destaque do CD é Prime Evil, canção de clima tenebroso que traz uma declamação soturna do ator inglês Neville Jason. Escute o disco

 




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