Edição 1869 . 1° de setembro de 2004

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Explosões simultâneas de dois aviões russos
podem ser ataques de terroristas islâmicos

 
AP
Destroços do Tupolev: queda de dois aviões matou 89 pessoas

Dois aviões decolaram do mesmo aeroporto em Moscou com quarenta minutos de diferença um do outro, com destinos diferentes, e despencaram do céu quase ao mesmo tempo. Não é preciso ser adepto de teorias conspiratórias para suspeitar que não se trata de coincidência. A suspeita de um duplo atentado terrorista ganhou força na sexta-feira passada, com o anúncio de que traços de explosivos tinham sido encontrados nos escombros de um dos aviões que caíram três dias antes, matando 89 pessoas. Pelo menos um deles explodiu no ar, de acordo com testemunhas. Para reforçar a hipótese, um grupo islâmico reivindicou a autoria dos atentados, apresentados como vingança pela morte de muçulmanos na Chechênia. Outros indícios apontam na mesma direção. Os desastres ocorreram cinco dias antes das eleições para a Presidência da Chechênia. A república, que desfruta certa autonomia dentro da Federação Russa, é cenário de uma guerra separatista desde 1991. Alu Alkhanov, candidato apoiado por Moscou, é quem tem mais chance de ser eleito. Se ficar confirmado que se tratou de um duplo atentado, as perspectivas são sombrias: a volta do terrorismo checheno ao coração da Rússia.

Há dois anos, terroristas fizeram 700 reféns num teatro de Moscou e mais de 120 deles foram mortos durante a operação de resgate. Depois disso, os atentados cessaram na capital russa e muitos acreditaram que os separatistas haviam concentrado a luta em sua república no Cáucaso. Infelizmente, talvez não seja assim. Os dois aviões deixaram o aeroporto de Domodedovo, em Moscou, na terça-feira. Um deles rumava para Volgogrado, no leste da Rússia, e o outro para Sochi, no Mar Negro – onde o presidente Vladimir Putin passava férias. Os controladores de vôo perderam contato com o primeiro avião quarenta minutos após a decolagem. Três minutos mais tarde, o piloto da segunda aeronave enviou dois sinais de seqüestro pouco antes de seu avião desaparecer dos radares. Há outras hipóteses, evidentemente. Talvez os aviões tenham sido abastecidos com combustível adulterado. Ambos eram velhos modelos Tupolev, aparelhos soviéticos que já não são fabricados, e podem ter ocorrido falhas mecânicas. Ou erros dos pilotos. Há muitas perguntas ainda sem resposta.

 
 
 
 
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