VOCÊ PODE
EVITAR DESCENDENTES. MAS NÃO HÁ NENHUMA
PÍLULA PARA EVITAR CERTOS ANTEPASSADOS
SUGESTÕES
Not with a bang
but with a wimpernão com um estrondo, mas com um soluço.
Como
o poeta T.S. Eliot previu, houve o estrondo, e o mundo não
acabou. Coletivamente talvez o mundo não acabe mesmo,
nunca, de forma alguma. Sempre sobrarão as baratas,
que têm o cérebro muito mais eficiente do que
o humano, espalhado em todas as partes do corpo. E elas têm
também proliferação contínua e
múltipla.
Um de Los Caprichos,
de Goya y Lucientes, o maior pintor espanhol dos séculos
XVIII e XIX, no qual ele (?) aparece montado numa vassoura,
carregando uma passageira (a duquesa de Alba, Maja
Desnuda?)
Mas
para algumas pessoas, só umas duzentas,
o estrondo acabou com o que lhes restava de existência.
Pouca, para os mais velhos, quase toda, pras crianças.
Mas, pra tantos que ficaram, a vida se tornou inútil,
vazia, termina em seus soluços.
Enquanto isso, Bombeiros, seres humanos especiais, bravos
"centuriões do fogo", profissionais de salvar vidas
enquanto arriscam a própria lembrem a catástrofe
das torres de Nova York! , realizavam seu trabalho,
sempre inacreditável, a que assistimos sentados na
frente da televisão. É o mundo em que vivemos.
Nos desvãos do poder, só sombras. Das vozes
do poder, sempre constantes, tão altas, e peremptórias,
vem apenas o silêncio de quem não sabe o que
dizer, ou não tem nada com isso.
Mas qualquer conclusão de todos nós, que, dizem
os do poder, concluímos tão facilmente, é
leviana. Quando a voz do trono ecoa, alta, límpida
e, sobretudo, tonitruante, vê-se que o poder apenas
não queria ser leviano como nós estava
estudando e amadurecendo medidas sábias pra terminar
de vez com a possibilidade de repetição da hecatombe
(morte de cem bois). Medidas para breve, longo e infinito
prazo:
"Aviões
caem? Fica proibido voarem. Aeroporto é mortal? Faça-se
outro em quatro ou cinco anos, enquanto passageiros aguardam
já estão acostumados. Há overbook?
Proíba-se essa expressão estrangeira (Aldo Rebelo)".
E como tudo isso está no quadro do humor, não
negro, mas sinistro, entro com o meu, que nunca foi nem melancólico.
Vamos lá.
1)
Acabemos com o avião e a aviação, como
acabamos com o transporte ferroviário.
2)
Já que as bruxas estão soltas, distribuam-se,
em postos públicos, pra vôos individuais, vassouras
de bruxa, das quais nenhum usuário jamais se queixou.
3)
Pra viagens mais longas pode-se usar botas-de-sete-léguas.
A légua tem 6 quilômetros. Usando-se-as (!!),
cada passo seria de 42 quilômetros. Em dez passos nós,
do Rio, chegaríamos a São Paulo.
4)
Mas e as viagens coletivas? Administradores pascácios
nunca se lembraram (ou acharam pouco lucrativo) de usar o
tapete voador. Salomão, que até o Alcorão
chama de sábio, sempre usava o tapete em suas viagens.
Em qualquer história da mitologia oriental lá
está o tapete, que transportava todos que se sentavam
nele, sem exigir check-in ou booking.
O tapete de Salomão está lá, no
Alcorão era de seda verde. Quando Salomão
viajava, mandava colocar nele seu trono. E havia espaço
bastante pra todas as forças do império, civis
e militares, viajarem confortavelmente. Homens e mulheres
à direita, os espíritos à esquerda. Quando
todos estavam acomodados, Salomão apenas pensava aonde
queria ir. O tapete levantava vôo imediatamente e ia
ao destino desejado. Os pássaros, no céu, protegiam
do sol a comitiva.
Nem a história nem a mitologia registraram qualquer
espécie de desastre com um tapete voador.