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1º de agosto de 2007
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Not with a bang but with a wimper não com um estrondo, mas com um soluço.

Como o poeta T.S. Eliot previu, houve o estrondo, e o mundo não acabou. Coletivamente talvez o mundo não acabe mesmo, nunca, de forma alguma. Sempre sobrarão as baratas, que têm o cérebro muito mais eficiente do que o humano, espalhado em todas as partes do corpo. E elas têm também proliferação contínua e múltipla.

Um de Los Caprichos, de Goya y Lucientes, o maior pintor espanhol dos séculos XVIII e XIX, no qual ele (?) aparece montado numa vassoura, carregando uma passageira (a duquesa de Alba, Maja Desnuda?)

Mas para algumas pessoas, umas duzentas, o estrondo acabou com o que lhes restava de existência. Pouca, para os mais velhos, quase toda, pras crianças. Mas, pra tantos que ficaram, a vida se tornou inútil, vazia, termina em seus soluços.

Enquanto isso, Bombeiros, seres humanos especiais, bravos "centuriões do fogo", profissionais de salvar vidas enquanto arriscam a própria – lembrem a catástrofe das torres de Nova York! –, realizavam seu trabalho, sempre inacreditável, a que assistimos sentados na frente da televisão. É o mundo em que vivemos.

Nos desvãos do poder, só sombras. Das vozes do poder, sempre constantes, tão altas, e peremptórias, vem apenas o silêncio de quem não sabe o que dizer, ou não tem nada com isso.

Mas qualquer conclusão de todos nós, que, dizem os do poder, concluímos tão facilmente, é leviana. Quando a voz do trono ecoa, alta, límpida e, sobretudo, tonitruante, vê-se que o poder apenas não queria ser leviano como nós – estava estudando e amadurecendo medidas sábias pra terminar de vez com a possibilidade de repetição da hecatombe (morte de cem bois). Medidas para breve, longo e infinito prazo:

"Aviões caem? Fica proibido voarem. Aeroporto é mortal? Faça-se outro em quatro ou cinco anos, enquanto passageiros aguardam – já estão acostumados. Há overbook? Proíba-se essa expressão estrangeira (Aldo Rebelo)".

E como tudo isso está no quadro do humor, não negro, mas sinistro, entro com o meu, que nunca foi nem melancólico. Vamos lá.

1) Acabemos com o avião e a aviação, como acabamos com o transporte ferroviário.

2) Já que as bruxas estão soltas, distribuam-se, em postos públicos, pra vôos individuais, vassouras de bruxa, das quais nenhum usuário jamais se queixou.

3) Pra viagens mais longas pode-se usar botas-de-sete-léguas. A légua tem 6 quilômetros. Usando-se-as (!!), cada passo seria de 42 quilômetros. Em dez passos nós, do Rio, chegaríamos a São Paulo.

4) Mas e as viagens coletivas? Administradores pascácios nunca se lembraram (ou acharam pouco lucrativo) de usar o tapete voador. Salomão, que até o Alcorão chama de sábio, sempre usava o tapete em suas viagens. Em qualquer história da mitologia oriental lá está o tapete, que transportava todos que se sentavam nele, sem exigir check-in ou booking.

O tapete de Salomão – está lá, no Alcorão – era de seda verde. Quando Salomão viajava, mandava colocar nele seu trono. E havia espaço bastante pra todas as forças do império, civis e militares, viajarem confortavelmente. Homens e mulheres à direita, os espíritos à esquerda. Quando todos estavam acomodados, Salomão apenas pensava aonde queria ir. O tapete levantava vôo imediatamente e ia ao destino desejado. Os pássaros, no céu, protegiam do sol a comitiva.

Nem a história nem a mitologia registraram qualquer espécie de desastre com um tapete voador.

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