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EXPOSIÇÃO
Divulgação
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| Cabeça
de Mulher: Picasso de 10 milhões de dólares |
De Picasso a Barceló (Estréia nesta terça-feira
na Pinacoteca do Estado, em São Paulo) Só o valor
estimado das 103 obras reunidas nessa mostra 500 milhões
de dólares já dá uma idéia de sua grandiosidade.
Pertencentes, em sua maioria, ao Museu Reina Sofía, de Madri, elas
compõem um precioso apanhado da produção artística
dos espanhóis no século XX. A exposição tem
como carro-chefe o óleo Cabeça de Mulher (1910),
da fase cubista de Pablo Picasso, adquirido há pouco pelo museu
por 10 milhões de dólares. Entre os 73 artistas, figuram
os popularíssimos Salvador Dalí e Joan Miró, estrelas
do surrealismo. A mostra é, ainda, uma chance de conhecer a produção
contemporânea do país, representada por nomes como o muito
aclamado (e valorizado) Miquel Barceló.
DISCOS
O
Som, Meirelles e os Copa 5 (Dubas Música) A rara
edição em vinil desse disco, lançado em 1964, pode
custar até 400 dólares em lojas especializadas da Europa
e dos Estados Unidos. A explicação para o preço astronômico
está no fato de o álbum registrar o nascimento de um novo
estilo musical, criado pelo saxofonista carioca J.T. Meirelles e seu grupo
Copa 5, que tinha entre seus integrantes músicos do quilate dos
pianistas Luiz Carlos Vinhas e Eumir Deodato. O estilo em questão
é o samba-jazz, que acrescenta ao lado mais suave do jazz americano
o sotaque das gafieiras cariocas. O Som traz seis temas de boa
qualidade. O saxofone elegante de Meirelles (um discípulo do americano
Stan Getz) se destaca em Quintessência e Contemplação.
O CD tem também três canções pinçadas
do segundo disco do Copa 5.
Bob
Mould, Bob Mould (Trama) O cantor e guitarrista americano
é um dos artífices do que se poderia chamar de punk melódico.
Ex-líder das bandas Hüsker Dü e Sugar (que serviram de
inspiração para roqueiros do Nirvana e do Green Day, entre
outros), ele compõe canções com a fúria e
o peso necessários para estourar os tímpanos dos rebeldes
sem causa, mas que possuem refrões pegajosos e temas que vão
da solidão à eterna busca da mulher ideal (ou homem, no
caso de Mould). Bob Mould marcou a segunda fase solo do cantor,
iniciada em 1996. Foi também um de seus cantos de cisne: ele grava
cada vez menos por estar perdendo a audição. O disco traz
rocks virulentos como I Hate Alternative Rock, que critica as bandas
de araque do pop americano, e baladas notáveis como Next Time
That You Leave.
LIVROS
Refresco,
de Rupert Thomson (tradução de Rogério Durst; Record;
378 páginas; 38 reais) De Alex Garland (A Praia) a
Nick Hornby (Alta Fidelidade), a literatura inglesa anda produzindo
romances facilmente digeríveis, ancorados no universo pop. Poucos
deles, no entanto, são tão envolventes e inusitados quanto
Refresco. Imaginativo, para dizer o mínimo, o escritor Rupert
Thomson narra um suspense ambientado em Londres. A história tem
três vértices: um executivo que não mede esforços
para aumentar a venda de um refrigerante; uma garçonete que sofre
lavagem cerebral e passa a consumir compulsivamente o tal refrigerante;
e o matador contratado para eliminá-la quando a experiência
desanda. A proeza de Thomson está em explorar a confusão
psicológica dos protagonistas com uma densidade difícil
de achar em romances do gênero.
Livro
de uma Sogra, de Aluísio Azevedo (Casa da Palavra; 256
páginas; 23 reais) No final do século XIX, o maranhense
Aluísio Azevedo causou polêmica com O Mulato e O
Cortiço, obras naturalistas que descrevem as mazelas sociais
e retratam o homem como um animal guiado pelos instintos. Esse seu último
romance, de 1895, também causou choque ao sair. Calcado num fictício
manuscrito de Dona Olímpia, a sogra do título, ele é
um libelo impagável contra o casamento. Olímpia revela como
ensinou sua filha a escapar dos erros que levaram sua união ao
fracasso sobretudo do ponto de vista carnal. O livro estava fora
de catálogo e a nova edição é caprichadíssima.
DVD
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Columbia Pictures

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| A
Grande Ilusão: Oscar em 1950 |
A Grande Ilusão (All the King's Men, Estados Unidos,
1949. Columbia) Cansado dos desmandos da corriola política
de sua cidadezinha, Willie Stark, um sujeito simples do interior, decide
se candidatar à prefeitura. Seu discurso, do gênero "contra
tudo o que está aí", faz enorme sucesso entre os eleitores
mais humildes. Mas, de vitória em vitória e de cargo em
cargo, Willie fica cada vez mais parecido com os homens a quem pretendia
demolir. A um só tempo cru e trágico, esse drama ganhou
o Oscar de 1950. Sobraram estatuetas também para Mercedes McCambridge,
que interpreta uma moça cínica, e para o grande Broderick
Crawford, que teve em Willie Stark o papel de sua vida. Sua atuação
é irretocável, sem os maneirismos típicos de tantos
atores dramáticos dessa época. Logo depois de A Grande
Ilusão, a carreira de Crawford entraria em declínio,
por causa de sua dependência do álcool e do tipo físico
que não o credenciava aos papéis de galã.
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LITERATURA
BRASILEIRA
Tiago Talarico

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A
Sombra e o Leopardo
e A Vida é Assim
Claudio
Daniel e Alberto Pucheu;
Azougue
Editorial;
87
páginas e 63 páginas;
22 reais e 18 reais, respectivamente
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Há tempos o escritor Sergio Cohn se dedica ao trabalho ingrato
de divulgar poesia. Tinha uma revista literária e acaba de
fundar uma editora, ambas de nome Azougue. A nova casa chega ao
mercado com quatro lançamentos: duas antologias de escritores
cuja obra remonta às décadas de 60 e 70 (Celso Luiz
Paulini e Afonso Henriques Neto) e duas coletâneas de autores
que estrearam nos anos 90 (Alberto Pucheu e Claudio Daniel). Fiquemos
com esses últimos. São escritores antagônicos.
Claudio Daniel é amigo da fragmentação, das
estranhezas semânticas, das violentas sobreposições
de imagens. Move-se entre referências, de Sun Tzu a Montaigne,
da Austrália ao Tibete. Já Pucheu vai no sentido inverso.
A sintaxe passa incólume por suas mãos. Ele recorre
a construções coloquiais, não usa preciosismos
ou metáforas intricadas. Seus efeitos poéticos decorrem
sobretudo do domínio sobre o ritmo dos versos livres. E é
possível identificar um tema dominante em seu livro: o que
significa viver como poeta. Mas cuidado. Apesar de escrever
versos como "não deixe a cultura abafar a realidade", Alberto
Pucheu não é um primitivo. Tem tanta consciência
quanto o altamente técnico Claudio Daniel de sua posição
no espectro literário. Se Daniel é do partido de João
Cabral de Melo Neto e dos concretistas, Pucheu se alimentou de Bandeira
e Drummond, de Álvaro de Campos (o heterônimo de Fernando
Pessoa) e, talvez, dos poetas marginais dos anos 70. O contraponto
entre os dois autores, portanto, ajuda a enxergar mais uma vez a
existência de duas linhagens bem marcadas e divergentes da
poesia brasileira do século XX: uma cerebral e formalista,
a outra mais discursiva e sem desdenho pelo conteúdo. Ambas
estão vivas. Mas é difícil escapar da sensação
de que, quanto mais tardios os rebentos da linhagem formalista,
mais eles se atolam num hermetismo estéril, num trabalho
de alquimia verbal que nem sempre recompensa o leitor com surpresas.
Carlos
Graieb
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