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Edição 1 711 - 1° de agosto de 2001
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EXPOSIÇÃO

Divulgação
Cabeça de Mulher: Picasso de 10 milhões de dólares


De Picasso a Barceló
(Estréia nesta terça-feira na Pinacoteca do Estado, em São Paulo) – Só o valor estimado das 103 obras reunidas nessa mostra – 500 milhões de dólares – já dá uma idéia de sua grandiosidade. Pertencentes, em sua maioria, ao Museu Reina Sofía, de Madri, elas compõem um precioso apanhado da produção artística dos espanhóis no século XX. A exposição tem como carro-chefe o óleo Cabeça de Mulher (1910), da fase cubista de Pablo Picasso, adquirido há pouco pelo museu por 10 milhões de dólares. Entre os 73 artistas, figuram os popularíssimos Salvador Dalí e Joan Miró, estrelas do surrealismo. A mostra é, ainda, uma chance de conhecer a produção contemporânea do país, representada por nomes como o muito aclamado (e valorizado) Miquel Barceló.

 

DISCOS

O Som, Meirelles e os Copa 5 (Dubas Música) – A rara edição em vinil desse disco, lançado em 1964, pode custar até 400 dólares em lojas especializadas da Europa e dos Estados Unidos. A explicação para o preço astronômico está no fato de o álbum registrar o nascimento de um novo estilo musical, criado pelo saxofonista carioca J.T. Meirelles e seu grupo Copa 5, que tinha entre seus integrantes músicos do quilate dos pianistas Luiz Carlos Vinhas e Eumir Deodato. O estilo em questão é o samba-jazz, que acrescenta ao lado mais suave do jazz americano o sotaque das gafieiras cariocas. O Som traz seis temas de boa qualidade. O saxofone elegante de Meirelles (um discípulo do americano Stan Getz) se destaca em Quintessência e Contemplação. O CD tem também três canções pinçadas do segundo disco do Copa 5.

Bob Mould, Bob Mould (Trama) – O cantor e guitarrista americano é um dos artífices do que se poderia chamar de punk melódico. Ex-líder das bandas Hüsker Dü e Sugar (que serviram de inspiração para roqueiros do Nirvana e do Green Day, entre outros), ele compõe canções com a fúria e o peso necessários para estourar os tímpanos dos rebeldes sem causa, mas que possuem refrões pegajosos e temas que vão da solidão à eterna busca da mulher ideal (ou homem, no caso de Mould). Bob Mould marcou a segunda fase solo do cantor, iniciada em 1996. Foi também um de seus cantos de cisne: ele grava cada vez menos por estar perdendo a audição. O disco traz rocks virulentos como I Hate Alternative Rock, que critica as bandas de araque do pop americano, e baladas notáveis como Next Time That You Leave.

 

LIVROS

Refresco, de Rupert Thomson (tradução de Rogério Durst; Record; 378 páginas; 38 reais) – De Alex Garland (A Praia) a Nick Hornby (Alta Fidelidade), a literatura inglesa anda produzindo romances facilmente digeríveis, ancorados no universo pop. Poucos deles, no entanto, são tão envolventes e inusitados quanto Refresco. Imaginativo, para dizer o mínimo, o escritor Rupert Thomson narra um suspense ambientado em Londres. A história tem três vértices: um executivo que não mede esforços para aumentar a venda de um refrigerante; uma garçonete que sofre lavagem cerebral e passa a consumir compulsivamente o tal refrigerante; e o matador contratado para eliminá-la quando a experiência desanda. A proeza de Thomson está em explorar a confusão psicológica dos protagonistas com uma densidade difícil de achar em romances do gênero.

Livro de uma Sogra, de Aluísio Azevedo (Casa da Palavra; 256 páginas; 23 reais) – No final do século XIX, o maranhense Aluísio Azevedo causou polêmica com O Mulato e O Cortiço, obras naturalistas que descrevem as mazelas sociais e retratam o homem como um animal guiado pelos instintos. Esse seu último romance, de 1895, também causou choque ao sair. Calcado num fictício manuscrito de Dona Olímpia, a sogra do título, ele é um libelo impagável contra o casamento. Olímpia revela como ensinou sua filha a escapar dos erros que levaram sua união ao fracasso – sobretudo do ponto de vista carnal. O livro estava fora de catálogo e a nova edição é caprichadíssima.

 

DVD

Columbia Pictures

A Grande Ilusão: Oscar em 1950


A Grande Ilusão
(All the King's Men, Estados Unidos, 1949. Columbia) – Cansado dos desmandos da corriola política de sua cidadezinha, Willie Stark, um sujeito simples do interior, decide se candidatar à prefeitura. Seu discurso, do gênero "contra tudo o que está aí", faz enorme sucesso entre os eleitores mais humildes. Mas, de vitória em vitória e de cargo em cargo, Willie fica cada vez mais parecido com os homens a quem pretendia demolir. A um só tempo cru e trágico, esse drama ganhou o Oscar de 1950. Sobraram estatuetas também para Mercedes McCambridge, que interpreta uma moça cínica, e para o grande Broderick Crawford, que teve em Willie Stark o papel de sua vida. Sua atuação é irretocável, sem os maneirismos típicos de tantos atores dramáticos dessa época. Logo depois de A Grande Ilusão, a carreira de Crawford entraria em declínio, por causa de sua dependência do álcool e do tipo físico que não o credenciava aos papéis de galã.

 

LITERATURA BRASILEIRA

Tiago Talarico
A Sombra e o Leopardo
e A Vida é Assim

Claudio Daniel e Alberto Pucheu;
Azougue Editorial;
87 páginas e 63 páginas;
22 reais e 18 reais, respectivamente

Há tempos o escritor Sergio Cohn se dedica ao trabalho ingrato de divulgar poesia. Tinha uma revista literária e acaba de fundar uma editora, ambas de nome Azougue. A nova casa chega ao mercado com quatro lançamentos: duas antologias de escritores cuja obra remonta às décadas de 60 e 70 (Celso Luiz Paulini e Afonso Henriques Neto) e duas coletâneas de autores que estrearam nos anos 90 (Alberto Pucheu e Claudio Daniel). Fiquemos com esses últimos. São escritores antagônicos. Claudio Daniel é amigo da fragmentação, das estranhezas semânticas, das violentas sobreposições de imagens. Move-se entre referências, de Sun Tzu a Montaigne, da Austrália ao Tibete. Já Pucheu vai no sentido inverso. A sintaxe passa incólume por suas mãos. Ele recorre a construções coloquiais, não usa preciosismos ou metáforas intricadas. Seus efeitos poéticos decorrem sobretudo do domínio sobre o ritmo dos versos livres. E é possível identificar um tema dominante em seu livro: o que significa viver como poeta. Mas cuidado. Apesar de escrever versos como "não deixe a cultura abafar a realidade", Alberto Pucheu não é um primitivo. Tem tanta consciência quanto o altamente técnico Claudio Daniel de sua posição no espectro literário. Se Daniel é do partido de João Cabral de Melo Neto e dos concretistas, Pucheu se alimentou de Bandeira e Drummond, de Álvaro de Campos (o heterônimo de Fernando Pessoa) e, talvez, dos poetas marginais dos anos 70. O contraponto entre os dois autores, portanto, ajuda a enxergar mais uma vez a existência de duas linhagens bem marcadas e divergentes da poesia brasileira do século XX: uma cerebral e formalista, a outra mais discursiva e sem desdenho pelo conteúdo. Ambas estão vivas. Mas é difícil escapar da sensação de que, quanto mais tardios os rebentos da linhagem formalista, mais eles se atolam num hermetismo estéril, num trabalho de alquimia verbal que nem sempre recompensa o leitor com surpresas.

Carlos Graieb

 
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Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
 
   
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