Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 711 - 1° de agosto de 2001
Ponto de vista

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Stephen Kanitz

Para quanto vai
o dólar?

"Não é a Argentina nem a candidatura de Lula
ou a de Ciro Gomes que estão desestabilizando
a taxa de câmbio.
São as empresas que
apostam em previsões equivocadas"


Ilustração Ale Setti


Passamos em julho por mais uma temporada de pânico, com previsões de escalada do dólar e caos na economia. Economistas que em janeiro previam um dólar de 1,90 para o fim do ano agora prevêem uma cotação de 2,40, 2,50 e 2,60, sem mostrar o menor rubor no rosto ao ser entrevistados.

Muita gente pergunta qual é minha estimativa do dólar para o fim do ano, esquecendo que sou administrador e não economista. Minha resposta é que teremos um dólar entre 2,10 e 2,90, uma previsão que me dizem não servir para nada.

Os administradores possuem uma visão de mundo diferente da dos economistas: nós não acreditamos que o mundo atual seja previsível, pois ele está cada vez mais complexo, sofrendo mudanças cada vez mais rápidas e com pessoas cada vez mais livres para tomar decisões cada vez mais imprevisíveis.

Embora nossas previsões possam parecer inúteis, elas exigem posturas e comportamentos diferentes daqueles a que estamos acostumados. Por exemplo, por essa visão de mundo, a especulação é duramente combatida, bem como previsões confiantes, que no fundo induzem empresas e banqueiros à especulação pela falsa ilusão que fornecem de ganho rápido e certeiro.

Escolher um bom economista é o primeiro passo para todo especulador; já escolher um bom administrador não faz a menor diferença, porque nossas previsões são sempre inúteis. Como especular com uma previsão de dólar "entre 2,10 e 2,90"?

Na medida do possível, sempre recomendamos às empresas uma auto-sustentação cambial. Se você exporta, contrate uma dívida externa no valor de suas exportações. Se você é uma multinacional, com dividendos a enviar regularmente para a matriz, exporte produtos no mesmo valor dos dividendos.

Aí, sua empresa não dependerá de previsões nem mesmo da cotação do dólar, porque as taxas de câmbio das exportações e as despesas financeiras se anulam. Numa queda do dólar, o que você perder nas exportações ganhará na remessa dos juros. Numa alta do dólar, o que você perder na remessa de dividendos recuperará nas exportações.

Num mundo cada vez mais imprevisível, é temerário achar que os bancos centrais conseguirão controlar taxas de câmbio dentro de "limites razoáveis", e mais absurdo ainda é estabilizar o câmbio elevando os juros, como se fez agora, a ponto de desestabilizar a própria economia. Tampouco faz sentido confiar nas "blindagens financeiras" do FMI, hoje pequenas demais para defender esse mundo globalizado. Mais seguro é implantar uma blindagem operacional na própria companhia.

As empresas que fizeram isso estão tranqüilas, qualquer que venha a ser a taxa de câmbio, qualquer que venha a ser o futuro presidente da República. Elas não estão desesperadas comprando dólares.

Num mundo moderno já não é mais factível e aceitável que governos supram com dólares fartos e baratos as multinacionais e os banqueiros internacionais. As empresas que providenciem suas próprias rotas de saída gerando as exportações necessárias para as remessas de divisas.

Setores como os de energia e telefonia, que não exportam, jamais deveriam ter sido vendidos a multinacionais, pelo menos não neste estágio ainda frágil da nossa economia. Sugam divisas para dividendos sem gerar as devidas exportações.

Especuladores e investidores, dentro do espírito neoliberal, que tratem de providenciar suas próprias rotas de saída, em vez de apostar em intervenções econômicas pontuais do Estado para corrigir as "distorções" de mercado.

Não é a Argentina nem a candidatura de Lula ou a de Ciro Gomes que estão desestabilizando a taxa de câmbio, como afirmam alguns especialistas. São as empresas que apostam em previsões equivocadas e agora correm em pânico em busca de proteção.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS