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Edição 1 711 - 1° de agosto de 2001
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Ai, que azia!

A queimação é a mesma, mas as
causas variam de
uma simples
ressaca a doenças graves

Fernanda Colavitti

A azia é uma sensação quase tão universal quanto a dor de dente. A queimação constante, porém, tem causas que merecem ser investigadas, pois podem esconder problemas graves. Nem sempre a comida ou a bebida são as responsáveis pelo incômodo provocado pelo abrasamento, aquela queimação que pode tomar conta do tubo digestivo e subir até alcançar a altura da garganta em ondas sucessivas. O vesúvio interno chega a durar horas. Há quem sinta dores agudas e insuportáveis, associadas à ardência. "Muita gente sofre durante anos sem identificar a origem real do problema", explica o gastrenterologista Schlioma Zaterka, da Universidade Estadual de Campinas, um dos consultores do primeiro painel abrangente sobre o comportamento do brasileiro diante desse mal, que acaba de ser traçado por uma pesquisa de opinião pública feita pelo instituto Datafolha por encomenda da filial brasileira do laboratório farmacêutico inglês AstraZeneca. De cada dez pessoas entrevistadas, sete sofreram com algum tipo de ardência ou azia.

Como toda doença crônica benigna, a queimação costuma ter seu diagnóstico adiado pelo próprio paciente. Raramente se procura ajuda profissional para se livrar dela. Entre os enganos comuns está o de atribuí-la ao stress. "A tensão emocional pode ocasionar sintomas digestivos, como dor, má digestão e náuseas, mas sozinha não pode ser responsabilizada pela inflamação da mucosa do estômago", explica o gastrenterologista Laercio Gomes Lourenço, da Universidade Federal de São Paulo. Veja no quadro abaixo os sintomas, as causas e os tratamentos do problema.


Antonio Rodrigues
Os excessos na alimentação nem sempre explicam o incômodo


Sofrer sem saber o motivo é a atitude mais comum entre os atingidos. "Vale a pena investigar o porquê da queimação quando ela é muito freqüente", diz o médico Thomas Szego, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Vale a pena também porque muitas das causas benignas das queimações podem ser diagnosticadas e tratadas com sucesso com o uso de novos remédios. Quatro tipos de distúrbio são capazes de provocar sintomas que se distinguem ligeiramente. Mas tais diferenças são fundamentais para a abordagem médica. Na primeira categoria, estão os casos de dispepsia funcional, ou seja, aqueles decorrentes da dificuldade de digerir o alimento, que incluem a azia. Em geral, é coisa passageira, nada que um antiácido comum não resolva imediatamente e o controle do excesso de comida e bebida não previna no dia-a-dia. Numa segunda categoria, encontram-se os casos de gastrite, uma inflamação na mucosa do estômago, o tecido que reveste o órgão. A gastrite aguda tem um ciclo de vida determinado e pode ser desencadeada pela ingestão de substâncias como bebidas alcoólicas ou pelo uso de remédios, especialmente os antiinflamatórios. Já a gastrite crônica dura um tempo prolongado e pode ser causada pela presença da bactéria Helicobacter pylori no estômago. As úlceras do estômago e do duodeno podem ser ocasionadas pela mesma bactéria e provocar os mesmos incômodos que a gastrite.

A quarta categoria é a mais interessante para a medicina por ser a que provoca ardência mais forte e cujo tratamento, uma vez descoberta a causa, é relativamente simples e sem efeitos colaterais sérios. Nela está o chamado "refluxo gastresofágico". O palavrão é usado pelos médicos para descrever um defeito que ocorre numa espécie de válvula que liga o esôfago ao estômago. O defeito deixa que os ácidos estomacais subam até o esôfago e a laringe. Ali eles literalmente queimam. O estômago não sofre com os ácidos, pois tem proteção natural contra eles. Essa proteção não existe na laringe e no esôfago. "Na maioria dos pacientes com refluxo, as mudanças comportamentais e alimentares, aliadas ao tratamento com remédios para controlar a produção de ácido gástrico ou agir sobre a pressão da válvula entre o esôfago e o estômago, são suficientes", explica o gastrenterologista e endoscopista Flávio Antonio Quilici, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, também consultor na pesquisa da AstraZeneca. O refluxo pode estar associado a outras doenças, que em várias situações exigem cirurgia, como a hérnia de hiato e o esôfago de Barrett, condição séria que aumenta o risco de câncer na área. A abordagem mais recente é a proposta pela droga Nexium, fabricada pelo laboratório que elaborou a pesquisa citada nesta reportagem. Como alguns de seus concorrentes no mercado, o Peprazol (do laboratório Libbs), o Pantozol (Byk), o Prazol (Medley) e o Pariet (Janssen-Cilag), o novo remédio faz parte de uma família de medicamentos destinados a barrar a produção de ácido clorídrico no estômago.

Nesse cenário de sintomas que se cruzam, as queimações no estômago e no esôfago assemelham-se a outras doenças. As dores de cabeça, por exemplo, aparecem ligadas a males diferentes, como enxaqueca, sinusite e problemas de visão. As dores nas costas, além de denunciar erros de postura, podem ser sinal de algo mais sério, como um cálculo nos rins ou hérnia de disco. Se o local visado é a parte inferior da barriga, quem sabe haverá infecção urinária ou apendicite. São situações que, apesar de familiares a grande parte das pessoas, geram mal-entendidos por não terem só uma explicação para suas raízes.


 

 
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  Entrevista com o médico Flávio Quilici sobre os cuidados para evitar a queimação no estômago

 

 
 
   
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