Edição 1907 . 1° de junho de 2005

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VEJA Recomenda

CINEMA

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Tentação: jogos de sedução entre quatro amigos inseparáveis


Tentação
(We Don't Live Here Anymore,
Estados Unidos/Canadá, 2004. Estréia nesta sexta-feira) – Jack (Mark Ruffalo) ama Edith (Naomi Watts), mas não tem força para pedir a separação de sua mulher (Laura Dern). O que ele faz, então, é tentar jogá-la nos braços de Hank (Peter Krause), o marido de Edith – um jogo no qual os quatro amigos inseparáveis vão necessariamente sair-se mal. Adaptado de dois contos do escritor Andre Dubus (1936-1999), autor também do texto que deu origem a Entre Quatro Paredes, Tentação é um exemplo de roteiro enxuto e boa escalação de elenco. E é também um crédito para a sua fonte: a vigorosa corrente literária americana representada por nomes como John Cheever, John Updike e o próprio Dubus. Vejas cenas.

 

DVD

As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath, Estados Unidos, 1940. Fox) – Um ex-presidiário e sua família são expulsos de seu Oklahoma natal pela especulação e pela pobreza. Apinhados num calhambeque caindo aos pedaços rumo à Califórnia, descobrem que são considerados pouco mais do que gado pelos patrões, pelo governo e pelos próprios compatriotas. Baseado no clássico homônimo de John Steinbeck, As Vinhas da Ira foi dirigido pelo mestre John Ford quando os Estados Unidos mal-e-mal haviam saído da Depressão. Daí, talvez, seu tom de libelo. A direção de Ford, a fotografia superlativa de Gregg Toland e o desempenho de Henry Fonda, porém, elevam o filme para muito além da idealização real-socialista.

 

LIVROS

 

Os Meninos da Rua Paulo (tradução de Paulo Rónai; Cosac & Naify; 256 páginas; 25 reais) e O Poste de Vapor (tradução de Paulo Schiller; Cosac & Naify; 88 páginas; 29 reais), de Ferenc Molnár – O húngaro Molnár (1878-1952) é autor de um clássico juvenil, Os Meninos da Rua Paulo. A divertida história das batalhas entre duas turmas de garotos por um terreno baldio está de volta às livrarias numa edição caprichada. A tradução consagrada de Paulo Rónai foi enriquecida com notas e um posfácio do poeta Nelson Ascher. Também chega às livrarias uma obra de Molnár inédita no país. O Poste de Vapor narra, com humor, as aventuras amorosas de um capitão de hussardos no início do século XX – um retrato dos anos finais do Império Austro-Húngaro. Leia trechos.

A Cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalom (tradução de Beatriz Horta; Ediouro; 336 páginas; 44,90 reais) – Psicoterapeuta e professor da Universidade Stanford, o americano Irvin Yalom fez sucesso com Quando Nietzsche Chorou, romance sobre o encontro fictício entre o filósofo Friedrich Nietzsche e o médico Josef Breuer, parceiro de Freud nos primórdios da psicanálise. No novo livro, o protagonista é um terapeuta que entra em crise ao descobrir-se com uma doença terminal. Ele reencontra um ex-paciente que tinha compulsão por sexo, e que não foi curado pela terapia. Para sua surpresa, o sujeito diz ter achado a cura na obra pessimista do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Leia trecho.

 

 
Liane Neves
Verissimo: classe média em tirinhas  

Aventuras da Família Brasil, de Luis Fernando Verissimo (Objetiva; 80 páginas; 14,90 reais) – Consagrado como cronista, Luis Fernando Verissimo também é um mestre nas tiras humorísticas. É o criador das Cobras série em quadrinhos que ele aposentou em 1999 – e da Família Brasil, cujas aventuras e desventuras agora ganham edição em livro. O primeiro da série inclui quadrinhos publicados em sua maioria na década de 80. Com traço econômico e humor impagável, Verissimo retrata os dilemas cotidianos da classe média. O herói das histórias é o pai: é ele quem sustenta a família e ainda enfrenta o neto que cobra viagens à Disney – ou o filho que se sai com perguntas constrangedoras como "Para que é esse tal de Viagra?".

 

DISCOS

 
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Oasis: surpresa, o CD é bom!  

Don't Believe the Truth, Oasis (Sony/ BMG) – A banda dos irmãos Noel (guitarra e vocais) e Liam (vocais) Gallagher ressuscitou o rock britânico nos anos 90. Desde o fim daquela década, contudo, Noel e Liam pareciam mais interessados em bravatear e afundar-se no álcool e nas drogas que em compor. Por isso, Don't Believe the Truth será uma surpresa para muita gente. Apesar dos problemas na gravação – houve troca de produtores e o antigo baterista foi substituído por Zak Starkey, filho do ex-beatle Ringo Starr –, é seu disco mais arrebatador em anos. Ao contrário de seus últimos CDs, o Oasis já não soa repetitivo nem flerta com a eletrônica. Em canções como Lyla e Love Like a Bomb, eles reencontram seu rock'n'roll melódico e despojado.

 

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Audioslave: rock potente  

Out of Exile, Audioslave (Universal) – O Audioslave nasceu das cinzas de duas bandas americanas dos anos 90: o Rage Against the Machine, que fazia uma ponte entre o rock e o hip hop, e o Soundgarden, cuja inspiração era o som pesado do Black Sabbath. A junção de forças revelou-se promissora no disco de estréia do grupo, de 2002. Com Out of Exile, seu segundo álbum, o Audioslave atinge a maturidade. Em seus melhores momentos, como o blues rock Number One Zero, chega a lembrar o velho e bom Led Zeppelin dos anos 70. A potência vocal de Chris Cornell continua intacta – e, sabiamente, ele passa longe das letras politizadas do enfadonho Zack de la Rocha, antigo cantor do Rage Against the Machine.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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