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Tales
Alvarenga O show dos animais
"O
ministro Aldo Rebelo chegou a afirmar que há forças querendo
desestabilizar o governo as mesmas que tentaram derrubar Floriano
Peixoto, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros
e João Goulart" Tucanos e petistas
precisam se acalmar. Os dois únicos partidos brasileiros que pareciam merecer
respeito, num mundo de siglas sem caráter, estão decepcionando.
O tucanato informa que o PT está encaminhando o país na direção
de uma crise institucional. O PT responde salivando que estão tentando
criar uma crise artificial para desestabilizar o governo. A crise não é
artificial. O PT e seus aliados se afundam em suspeitas de corrupção.
Mas o tom da disputa se exacerbou de tal forma que está na hora de pedir
mais moderação e maturidade aos dois adversários.
Este não é um bom momento para Lula e seus comandados. É
muito difícil reagir em situações assim, mas o PT escolheu
o pior caminho. Exibe uma histeria que não se poderia suspeitar fosse uma
característica presente entre seus principais líderes. O ministro
Aldo Rebelo, da Coordenação Política, chegou a afirmar que
há forças querendo desestabilizar o governo Lula as mesmas
que tentaram derrubar Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek,
Jânio Quadros e João Goulart. O delírio é um direito
universal, mas não se espera vê-lo em homens que estão no
comando da nação. Desse
clima de desespero salva-se Lula, mas não se coloca em situação
de grande vantagem. Consegue disfarçar o nervosismo à custa de sarcasmo,
o que não fica bem num presidente da República. Anunciada a tentativa
de criar uma CPI para apurar a roubalheira do PTB nos Correios, os petistas se
alvoroçaram, com medo de receber respingos na investigação
sobre seus aliados. Nesse momento, perguntaram ao presidente Lula como ele encara
a CPI e sua resposta é um clássico do cinismo brasiliense. "Olha
só para a minha cara", disse o presidente. "Vê se estou preocupado
com isso." O Palácio do Planalto não está preocupado apenas.
Está desesperado. O caso dos Correios veio logo depois das acusações
contra o ministro Romero Jucá, da Previdência, e das investigações
contra Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. E, depois dos Correios,
seguiu-se outra bomba no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).
"Eles estão sem rumo, rodando como peru bêbado
em dia de Natal", comentou aquele que é tido como um exemplo de elegância,
Fernando Henrique Cardoso. FHC chamou ainda os corruptos deste momento de cupins,
que estão espalhados por toda parte. E encerrou sua exploração
teórica da fauna nativa com esta estocada de gosto rural: "O PT cacareja
sem parar e não estou vendo nenhum ovo". Genoino foi para a tréplica.
"Eles atacam com a tática do gambá. Espalham o mau cheiro e todos
parecem feder." Na última edição
de VEJA, havia na capa um rato como representação dos corruptos
brasileiros. Era um rato genérico, por assim dizer, incorporando em seu
simbolismo todos os corruptos nacionais. O tesoureiro petista Delúbio Soares
entendeu de modo diferente, conforme ele próprio explicou em declaração
a um jornal. "Considero uma tentativa de associar minha imagem a um animal (o
rato) de que não gosto muito, embora ele exista", afirmou Delúbio.
Peru bêbado, galinha, gambá, cupim e rato! Vamos esperar que daqui
para a frente essa gente passe a debater coisas mais elevadas. Talvez falando
de aves. |