Edição 1907 . 1° de junho de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Música
Decadente, eu?

A cantora Mariah Carey enfrentou o fracasso
e deu a volta por cima. Sem perder as manias


Sérgio Martins

Fotos divulgação

Há quem diga que o pop devora seus ídolos com a mesma velocidade com que os inventa. Mas nem sempre é assim: depois que a trajetória de um artista atinge certa altitude, nada parece tirá-lo de órbita. O ressurgimento da cantora americana Mariah Carey é prova disso. Nos anos 90, a intérprete de babas como Fantasy vendeu 25 milhões de discos e emplacou dezesseis músicas em primeiro lugar nas paradas tão logo foram lançadas – feito só superado por Elvis Presley e pelos Beatles. Há quatro anos, no entanto, Mariah parecia no fim da linha. Glitter, o primeiro disco de um contrato de 80 milhões de dólares com a gravadora Virgin, resultou num fracasso retumbante. Mariah foi demitida – como consolo, a pobre embolsou uma indenização de 28 milhões de dólares. Seu CD seguinte, lançado por outra companhia, também foi um fiasco. Mas eis que ela está de volta. Lançado em abril, The Emancipation of Mimi, seu novo álbum, já vendeu 2 milhões de cópias nos Estados Unidos. Na semana passada, a música We Belong Together chegou ao topo da parada americana. "Aprendi duas coisas: que ninguém é imune ao fracasso e que a quantidade de pessoas que torcem para que você se dê mal é assustadora", disse a cantora a VEJA.

O inferno astral de Mariah coincidiu com o fim de seu casamento com Tommy Mottola, todo-poderoso da Sony e mentor de seu sucesso. A cantora enfrentou outras desilusões amorosas e entrou em depressão. Foi internada duas vezes – numa delas, depois de supostamente tentar o suicídio. Mariah viu suas vendas desabar porque os adolescentes trocaram suas baladas glicosadas por artistas como Beyoncé e Britney Spears. No novo disco, há letras mais sensuais, na cola dessas concorrentes. Mesmo depois das provações, Mariah não perdeu a pose de prima-dona. Assim como outras figuras da música (veja quadro), ela é daquelas que levam os assessores à loucura com suas exigências. Teria gasto 1.500 dólares em passagens de primeira classe para transportar seu cão de estimação de Nova York para Los Angeles – pois se sentia sozinha. "É um absurdo. Meu cachorrinho nunca viajaria num vôo comercial. Somente em jato fretado", diz. Ela encontrou um hobby para espantar a tristeza nos tempos de ostracismo: o jogo de computador The Sims, em que o usuário gerencia a vida de uma família virtual criada por ele. Diz Mariah: "Inventei uma cantora chamada Mimi Stonegroove. A carreira dela vai muuuuito bem".

 

Shows de estrelismo

MARIAH CAREY – ela exigiu que a entrada de um luxuoso hotel em Londres fosse decorada com tapete vermelho e velas brancas para sua chegada. Detalhe: eram 2h30 da manhã

JENNIFER LOPEZ – pediu que 75 empregados ficassem à disposição só para ela gravar uma ponta num seriado. Seus quartos em hotéis devem ser inteiramente decorados de branco

 

MARIA BETHÂNIA – a cantora baiana determina que os músicos não se dirijam diretamente a ela nos ensaios. Pede ao maestro de seus shows que envie "instruções" a eles

 
 
 
 
topovoltar