Edição 1907 . 1° de junho de 2005

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Televisão
Síndrome do Pânico

O ibope e o prestígio da trupe de humoristas
crescem. E Silvio Santos está de olho neles


Ricardo Valladares

 

Fotos divulgação
Silvio (no centro), com o Repórter Vesgo e Ceará: o apresentador deu ao programa seu maior ibope

Uma especulação que se ouvia com insistência ultimamente nos bastidores da televisão brasileira enfim se confirmou. O humorístico Pânico está, sim, na mira do apresentador Silvio Santos. "Eles são a melhor coisa que surgiu na TV nos últimos tempos", disse o dono do SBT a VEJA. O humor anárquico do Pânico faz sucesso na rádio paulistana Jovem Pan há mais de dez anos e, desde 2003, ocupa as tardes de domingo da RedeTV! com índices cada vez mais robustos de ibope. Na semana passada, a turma do Pânico deu uma resposta inusitada ao boato de que o apresentador pretendia "rachar" o grupo, oferecendo emprego apenas a seus dois rostos mais conhecidos, Rodrigo Scarpa e Wellington Muniz – respectivamente, a dupla Repórter Vesgo e Ceará. Durante seis minutos, com o auditório do programa em silêncio, um locutor declamou o poema O Guardador de Rebanhos, do português Fernando Pessoa, num ritmo monocórdio. O objetivo – irônico, é claro – era fazer a audiência cair, para que o assédio aos rapazes parasse. Se depender de Silvio Santos, não funcionou. "Se for para contratar, contrato a turma toda, senão não funciona. Vou conversar com o Tutinha", diz, referindo-se ao proprietário da Jovem Pan, que detém o passe do grupo.

 

A leitura do poema de Fernando Pessoa: cai, audiência, cai

Episódios como o da semana passada, com a leitura de poesia, mostram que o Pânico ainda conserva sua capacidade de surpreender. "O pessoal já espera que a gente nunca repita as piadas", diz Emílio Surita, líder do grupo. No fim de semana anterior, o Pânico atingiu o maior pico de audiência de sua história com outro lance de puro nonsense – e que teve Silvio Santos como alvo. Vesgo e Ceará, em seu papel de clone do apresentador, perseguiram-no de sua casa em São Paulo até a porta de seu cabeleireiro, Jassa, e lá montaram guarda até convencer Silvio a assinar uma "autorização" para o programa imitá-lo. Com isso, o Pânico atingiu a marca de 15 pontos – apenas 2 a menos que o programa de Gugu Liberato, do SBT, e a 4 de distância do Domingão do Faustão, da Rede Globo. Esse índice é pelo menos cinco vezes superior à média da RedeTV!. A emissora já se previne contra as investidas sobre o elenco do Pânico. Seus principais integrantes, que antes ganhavam pouco, hoje têm piso salarial em torno de 25.000 reais. Os humoristas, aliás, não perdoam nem seus patrões. Recentemente, falaram no ar que a apresentadora Luciana Gimenez só ganhou um cenário novo para seu programa porque é mulher de um dos donos da RedeTV!, Marcelo de Carvalho. "Todo mundo sabe que ela conseguiu isso porque conhece o careca de perto", disseram. Carvalho é calvo.

 

Luciana, com o pessoal do Pânico: saia-justa

Alvos preferenciais do Pânico, os famosos ainda não sabem direito se amam ou se odeiam o programa. Alguns temem as perseguições de quadros como o Sandálias da Humildade, em que figuras supostamente arrogantes são convidadas a usar o tal calçado. Luana Piovani e Daniella Cicarelli se irritaram com a brincadeira – mas cederam. A próxima vítima foi anunciada: o apresentador Jô Soares. Se levar essa fórmula bem-sucedida para o SBT, Silvio Santos já imagina como se aproveitar dela. O programa de Gugu seria encurtado em uma hora e meia, para que o Pânico entrasse no ar das 19 horas às 20h30 de domingo. É uma incógnita, contudo, se o programa funcionaria fora de uma emissora pequena. Quando Faustão trocou seu mambembe Perdidos na Noite, na Bandeirantes, pela Globo, acabou engessado. O charme do Pânico está no fato de transpirar improviso e inconseqüência. A diversão é vê-los arrombar as portas do mundo das celebridades – muito embora elas já estejam se abrindo para eles.

 
 
 
 
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