Edição 1907 . 1° de junho de 2005

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Asma. Os fatos

A palavra asma tem origem no grego ásthma, que significa "lutar pelo fôlego". Cerca de 18 milhões de brasileiros enfrentam essa batalha. A asma é causada por uma inflamação nos brônquios que diminui a passagem de ar para os pulmões. Ela provoca tosse, afogamento, chiado e aperto no peito. Em crises mais graves, causa uma terrível sensação de sufocamento. Em muitos casos, o asmático pode ter herdado a doença dos pais, mas há fatores emocionais e ambientais que desencadeiam as crises. Os principais são stress, poluição, poeira, pólen, pêlos de animais e cheiros fortes como o de tinta. A chegada do inverno também é preocupante. Nesse período, aumenta o número de infecções virais, como gripes ou resfriados, que multiplicam as chances de crises. "A mucosa dos brônquios reage e inflama mais facilmente na presença de elementos estranhos", diz Mauro Zamboni, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia. Este guia especial apresenta algumas informações essenciais sobre a asma: das formas de prevenção e tratamento da doença a um teste aprovado recentemente pelo Comitê Global de Iniciativa Contra a Asma que mede se o mal está sob controle.

 

Inimigo oculto

Eis alguns cuidados que o asmático deve tomar
no dia-a-dia e em determinadas situações especiais

NA GRAVIDEZ
• O controle de crises precisa ser ainda mais rígido, para evitar a má oxigenação do bebê. É necessário informar-se sobre os medicamentos contra-indicados nesse período

TERCEIRA IDADE
• Alguns medicamentos, como antiinflamatórios para dores articulares e na coluna, podem desencadear crises. Eles devem ser investigados como causa

CIRURGIAS
• Recomenda-se escolher a época em que as crises de asma são menos freqüentes. O cirurgião e o anestesista devem ser informados da doença, mesmo que ela não se manifeste há algum tempo  

CASA LIMPA
• Evitar tapetes, carpetes e bichos de pelúcia
• Trocar cortinas por persianas
• Usar pano úmido ara limpar a casa
• Forrar travesseiros e colchões com tecidos antialérgicos
• Trocar a roupa de cama pelo menos uma vez por semana e lavá-la com água quente
• Abrir as janelas diariamente para arejar o ambiente
• Limpar a geladeira e esvaziar a bandeja de água abaixo do congelador regularmente
• Não ter animais domésticos – se for impossível afastar-se deles, mantê-los sempre longe do quarto
• Evitar perfumes, produtos de limpeza, inseticidas e locais recém-pintados  


Fontes: Asma – Superando Mitos e Medos (editora Claridade) e
doutor Dirceu Solé, da Universidade Federal de São Paulo

 

Opções de tratamento

Afastar-se dos deflagradores das crises, como animais domésticos e poeira, e praticar esportes (veja quadro abaixo) são duas medidas básicas para o asmático que quer levar uma vida sem restrições. Mas os tratamentos à base de medicamentos são cada vez mais eficientes. Conheça os mais utilizados:

Antileucotrienos
Pesquisas recentes concluíram que tratar a rinite alérgica minimiza os sintomas da asma. Os antileucotrienos tratam as duas doenças ao mesmo tempo. Eles barram a entrada nas células das substâncias responsáveis pela inflamação das vias aéreas. São usados no tratamento preventivo.

Broncodilatadores
Relaxam a musculatura das vias aéreas, liberando a passagem do ar. Podem prevenir ou tratar crises. O modo de uso mais tradicional é a bombinha, que deve ser utilizada sem contato do remédio com a boca, para não irritar a mucosa. Uma alternativa mais recente são os inaladores de pó seco. São desaconselhados para crianças, que não coordenam a respiração da forma adequada para a inalação. Para elas, uma opção pode ser uma bombinha com espaçador.

Anti-IeG
Ainda não disponível no Brasil, é aplicada com sucesso em centros de pesquisa nos Estados Unidos. Uma medicação injetável controla o anticorpo responsável pela reação alérgica que provoca a inflamação e contração dos brônquios. Um inconveniente é que o tratamento é de longo prazo.

Corticóides
Atuando como antiinflamatórios, fazem o organismo responder com menor intensidade às investidas das substâncias alérgicas.

 

Com fôlego para o esporte

A asma não pode ser um impedimento para a prática de esportes. Pelo contrário, há uma unanimidade entre os especialistas de que a criança asmática deve realizar atividades aeróbicas – sempre com acompanhamento médico. Os exercícios melhoram a capacidade respiratória, aumentam a resistência do corpo e trabalham o diafragma e os pulmões. É fato que alguns portadores da doença apresentam chiado no peito durante a atividade ou sofrem crises por causa do esforço físico. Mas é possível administrar broncodilatadores por inalação para aliviar os sintomas da asma, por exemplo. Até 80% dos pacientes, entretanto, obtêm sucesso com tratamento contínuo. Às vezes, o êxito supera todas as expectativas. Dados da Associação Médica Americana mostram que 10% dos atletas olímpicos tiveram dificuldades respiratórias em alguma fase da vida. É o caso do nadador Fernando Scherer, o Xuxa, que começou a nadar para acabar com as crises de asma – por exigir esforço e controle sobre a respiração. Além disso, o próprio vapor d'água ajuda a desobstruir as vias respiratórias.

 

Editado por Eduardo Burckhardt

 
 
 
 
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