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Sociedade Meu
casamento é um show Festas temáticas,
fantasias, espetáculos musicais: não basta casar, tem de arrasar  Sandra
Brasil
Luis
Henrique Mendes
 | Cissa
Sannomya
 | | A
publicitária Gabriela solta a voz: de convencional a cover de Jennifer Lopez |
Vestido, buquê, bufê,
igreja, festa, som e ainda um mar de lembrancinhas. Quanta coisa, não?
Que nada. O exaustivo empreendimento que é organizar uma festa de casamento
vem ganhando acréscimos constantes. Fazer uma festança não
é suficiente para muitos noivos. Eles querem um espetáculo, um show,
um evento inesquecível. Da mesma maneira que crianças escolhem a
Pequena Sereia ou o Ursinho Puff como alvo da decoração de seus
aniversários, jovens casais estão partindo para casamentos temáticos,
como uma festa das Arábias ou uma farra carnavalesca na Bahia. Casamento
com batucada, como o da advogada Cristiana Mello, filha do ministro Marco Aurélio
Mello, do Supremo Tribunal Federal, é quase lugar-comum. O diferencial,
no caso de Cristiana, foi a bênção especial enviada de Roma
pelo papa Bento XVI. Outros capricham na originalidade dos trajes ou recorrem
a veículos cada vez mais exóticos para uma entrada (ou saída)
apoteótica. "As pessoas perderam um pouco o preconceito e estão
liberando a criança que têm dentro delas", diz o banqueteiro
Toninho Mariutti, que já serviu em casamentos com tema Índia, Marrocos
e Bali. Poucas terão se desvencilhado
tão resolutamente das amarras quanto a publicitária Gabriela Silveira
Mello Cordes, de 26 anos. A primeira parte de seu casamento com o empresário
Burkhar Cordes, 30 anos, no fim do ano passado, seguiu à risca o figurino:
num altar erguido no jardim de sua casa, diante de 1.200 convidados, ela usou
vestido branco, guirlanda de rosas e véu na cabeça. A surpresa veio
em seguida. A noiva apareceu no palco, de calça justa e barriga de fora,
dançando e cantando com a ajuda de playback , numa espécie
de imitação da estrela Jennifer Lopez. Nada foi improvisado. Três
meses antes da cerimônia, Gabriela contratou um coreógrafo e dois
bailarinos para fazer bonito na dança. O show incluiu ainda um cover de
Wanessa Camargo. "Amo dançar e sempre sonhei em ser atriz. Para o
show do meu casamento contratei a mim mesma", diz Gabriela. Lincoln
Iff
 | Reginaldo
Martins
 | Fernando
Faria
 | Três
roteiros: Vlademir, como Neo, de Matrix; Cristiana Mello com batucada,
em Brasília; e a saída apoteótica de Mário e Ana Paula,
dentro de um carro-forte |
Surpresa não
é privilégio de noiva. O publicitário Vlademir de Moraes
Minharro, de 28 anos, caprichou no figurino. Enquanto sua noiva usava um vestido
convencional, ele apareceu com uma túnica preta até o pé,
réplica da roupa de Neo, o protagonista da série Matrix, interpretado
por Keanu Reeves. "Quando assisti ao filme, decidi que usaria a mesma roupa",
conta Vlademir, que levou fotos do filme para encomendar a túnica. Faltou
uma certa cultura cinematográfica aos convidados. "Quando eu cheguei
à igreja, as pessoas que não me conheciam achavam que eu era o padre",
relembra o noivo. A loja Black Tie, uma das maiores de São Paulo especializadas
em aluguel de roupas de festa, registrou um aumento de 15% nas encomendas de roupas
temáticas nos últimos seis meses. "Com a onda do homem metrossexual,
quatro entre dez noivos escolhem pelo menos um detalhe diferente na hora de definir
o figurino do casamento. Teve cliente que encomendou uma gravata toda bordada
com cristais Swarovski", diz Cristofer Mickenhagen, gerente de marketing
da loja. Noivo novidadeiro causa arrepios de
pavor aos organizadores de casamentos, para os quais nunca, jamais se deve alterar
o figurino masculino convencional. Mário Giannini Baptista de Oliveira
seguiu o conselho ao se casar com Ana Paula, em dezembro passado, mas não
resistiu ao decidir por uma festa em grande estilo: pediu emprestado um carro-forte
da empresa de transporte de valores de seu pai. "Eles chamaram muita atenção
quando chegaram ao hotel para a noite de núpcias a bordo do carro-forte
todo enfeitado com latas", registra Valéria Giannini, a mãe
do noivo. Para a moderníssima decoração
da festa de sua filha Ilca, em Brasília, o empresário e senador
cassado Luiz Estevão trouxe de Paris o brasileiro Zéka Marquez,
o mesmo que costuma decorar o Copacabana Palace nos bailes carnavalescos. Cerca
de 150.000 flores brancas de papel crepom foram usadas para decorar a Catedral
de Brasília, o cartão-postal desenhado por Oscar Niemeyer. Até
os anjos famosos, que pendem do teto da igreja, receberam guirlandas de flores
de papel crepom, colocadas com a ajuda de andaimes. Recorrer a decoradores consagrados
no ramo convencional também é outra novidade. O conhecido Sig Bergamin
fez a decoração inspirada em Bali tema que não sai
da moda para o casamento de Patricia Piva de Albuquerque e André
Neuding Filho, em abril, na Praia de Laranjeiras, também conhecida como
o condomínio dos milionários. Um temporal adiou a festa por quatro
horas, mas o pavilhão de 1.000 metros quadrados resistiu. "No final,
deu tudo certo", diz a produtora de eventos Vera Simão. Vera
é a organizadora da feira Casar 2005, que foi realizada em São Paulo
na semana passada, reunindo todos os muitos interessados no negócio do
casamento. Na primeira feira, em 2002, havia trinta expositores. Neste ano, o
número saltou para noventa, reflexo do crescimento de um mercado que começou
a aumentar nos anos 90, com a volta da moda das grandes festas de casamento, e
não dá sinais de retração. Entre os novos nichos,
Vera menciona uma empresa de locação de carrinhos de golfe para
aliviar as pernas de convidados exaustos e outra que se especializou na decoração
dos banheiros das festas. Reunindo suas experiências, Vera Simão
prepara um livro com dicas sobre o planejamento de casamentos, que será
lançado no segundo semestre. Alguns de seus conselhos: •
A noiva deve amaciar os sapatos antes, para não correr o risco de ficar
imobilizada por pés conflagrados. Barriga de fora e decotes excessivos
são considerados de mau gosto. • Branco
para o noivo, nem pensar. De dia, ele pode usar roupa clara, mas o branco total
continua a ser privilégio da noiva. •
O bufê não deve servir salada de folhas porque não é
confortável comer alface de pé. E nada de grandes nacos de carne,
pois é raro o casamento que tenha lugar para todo mundo sentar. •
Encher o altar de padrinhos é excessivo. Admitem-se no máximo três
casais de cada lado. • Damas de honra com menos
de 5 anos podem criar problemas de disciplina durante a cerimônia. •
E a orientação mais difícil de todas: a noiva pode atrasar
no máximo meia hora. Que tal deixar o atraso para a hora do show propriamente
dito, por exemplo? |