Edição 1907 . 1° de junho de 2005

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Sociedade
Suando o biquíni

Candidatas a miss Universo, o concurso
que sobrevive a tudo, dão duro para
promover o turismo na Tailândia


Reuters
Armando Flores/AFP
Beldades no batente: o elefante cai de amores pela venezuelana Monica e a brasileira Carina se esforça para "melhorar o mundo"

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Quem é que assiste, hoje em dia, a concursos de miss? A resposta, surpreendente para tantos brasileiros da geração ligada em modelos, é: um bocado de gente. O concurso de Miss Universo, pertencente ao americano Donald Trump e à rede de televisão NBC, é transmitido para 180 países. Segundo os organizadores, a audiência chega a 1 bilhão de pessoas e é especialmente alta em países da América Latina. Em alguns deles, como a Venezuela, completamente fanática por concursos de beleza, bate em inacreditáveis 90%. Para sediá-lo, é preciso desembolsar uma quantia razoável – em geral, são países da periferia, aspirantes à ascensão econômica e à visibilidade global, que se candidatam. Precisando desesperadamente recuperar o movimento turístico derrubado pelo impacto do tsunami de dezembro, a Tailândia investiu 6,7 milhões de dólares no concurso deste ano. Disposta a ver um retorno rápido, colocou no batente as 81 beldades. As meninas estão suando o biquíni e até a coroação da nova miss Universo, nesta terça-feira 31, terão acumulado três semanas de programação intensíssima.

Além de promoverem o entendimento entre os povos, contribuírem para a paz no mundo e atividades correlatas, elas visitaram trinta das 76 províncias tailandesas. Compadeceram-se de portadores de aids, passearam de elefante e fizeram dois desfiles de moda. A visita mais chamativa foi às praias de Phuket e Phi Phi, lugares de fama mundial pela beleza natural, fortemente afetados pelo tsunami. A mais controversa nem visita foi: era uma sessão de poses para fotos. Ao fundo, aparecia um conhecido templo budista, o que provocou intensos protestos – na Tailândia do turismo sexual e da prostituição de meninas vendidas pela família, o budismo tem uma vertente conservadora. "Eu nem vi o templo", comentou a brasileira Carina Beduschi. Outra interferência religiosa no concurso, esta muçulmana, obrigou a candidata da Indonésia, Artika Sari Devi, a trocar o biquíni por um maiô inteiro. Fofocas, mesmo num ambiente fechado com 81 garotas altamente competitivas, só a ciumeira geral das atenções constantes sobre a miss Venezuela, Monica Spear. Candidata natural à coroa pelo histórico de seu país (quatro vencedoras, 33 finalistas) e pela beleza morena, ela enlouquece os fotógrafos por onde vai. Mesmo assim, a mística do concurso persiste. "A função da miss é ajudar a melhorar o mundo e deixar os lugares felizes", afirma, convicta, a catarinense Carina.

 
 
 
 
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