Edição 1907 . 1° de junho de 2005

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Brasil
Um gol no Oriente

Negócios com Japão e Coréia ganham fôlego
de 6 bilhões de dólares após viagem de Lula


Carlos Rydlewski

 

Shizuo Kambayashi/AP
Lula na Dieta, o Parlamento japonês: cordialidade e diálogo produtivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na semana passada uma das mais objetivas e proveitosas séries de viagens de seu governo. Lula e comitiva foram à Coréia do Sul e ao Japão. Mesmo que incipientes, as perspectivas de acordos comerciais com esses dois países atingiram a cifra de 6 bilhões de dólares. Além disso, o Japan Bank for International Cooperation (JBIC), a agência do governo japonês dedicada ao fornecimento de linhas de crédito, anunciou a concessão de um empréstimo de 500 milhões de dólares ao Brasil. O dinheiro será aplicado fundamentalmente em projetos de infra-estrutura. A probabilidade de transações desse quilate fez com que a comitiva que acompanhou Lula ao Oriente somasse 400 empresários. Foi a segunda maior missão comercial do atual governo, só superada pela realizada à China, com 450 empresários, em junho do ano passado. Já a última passagem do presidente pela África, em abril, agregou só cinco homens de negócios.

Justifica-se o grande interesse pelas duas nações asiáticas. O Japão tem a segunda maior economia do planeta, com produto interno bruto (PIB) de 4,7 trilhões de dólares, oito vezes maior que o brasileiro. Também dá sinais de despertar após quase duas décadas de estagnação. Em 2004, foi o oitavo principal destino das exportações nacionais, que renderam 2,7 bilhões de dólares ao Brasil. Ali, a comitiva de Lula discutiu questões como biotecnologia e meio ambiente. Os laços do Brasil com o Japão extrapolam os conhecidos movimentos migratórios entre os dois países. No fim da década de 70, os investimentos japoneses tinham como uma das prioridades empreendimentos verde-amarelos. Não fosse pela ajuda japonesa, o Brasil dificilmente teria ocupado o cerrado, conquista que viabilizou a revolução agrícola do Centro-Oeste brasileiro.

 
Lula Marques/Folha Imagem
O casal presidencial experimenta máscaras típicas na Coréia

A Coréia do Sul é igualmente atrativa. Fenômeno na educação, o país respira competitividade. Em quatro anos, a venda de produtos brasileiros aos coreanos saltou de 580 milhões de dólares para 1,4 bilhão de dólares, uma elevação de 140%. Há espaço para crescer. Conversou-se em Seul sobre tecnologia da informação e alimentos processados. Diz Henrique Altemani, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP): "A Coréia enxerga o Brasil como uma plataforma produtiva e exportadora não só de matérias-primas, mas de produtos acabados, vendidos por preço mais alto".

Lula reuniu-se com os coreanos da Pohang Steel Corporation (Posco), a quinta maior siderúrgica do mundo. A empresa reluta em construir uma fábrica no Maranhão devido à elevada carga de impostos do Brasil. Agora, diante de novos argumentos brasileiros, fundados na chamada "MP do Bem", a medida provisória que desonera indústrias voltadas para a exportação, a Posco ficou de reavaliar a decisão – a medida poderia reduzir o custo de investimento da companhia em pelo menos 150 milhões de dólares.

 
 
 
 
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