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Brasil Um
gol no Oriente Negócios com Japão e
Coréia ganham fôlego de 6 bilhões de dólares após
viagem de Lula  Carlos
Rydlewski
Shizuo
Kambayashi/AP
 | | Lula
na Dieta, o Parlamento japonês: cordialidade e diálogo produtivo |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na semana passada uma das mais
objetivas e proveitosas séries de viagens de seu governo. Lula e comitiva
foram à Coréia do Sul e ao Japão. Mesmo que incipientes,
as perspectivas de acordos comerciais com esses dois países atingiram a
cifra de 6 bilhões de dólares. Além disso, o Japan Bank for
International Cooperation (JBIC), a agência do governo japonês dedicada
ao fornecimento de linhas de crédito, anunciou a concessão de um
empréstimo de 500 milhões de dólares ao Brasil. O dinheiro
será aplicado fundamentalmente em projetos de infra-estrutura. A probabilidade
de transações desse quilate fez com que a comitiva que acompanhou
Lula ao Oriente somasse 400 empresários. Foi a segunda maior missão
comercial do atual governo, só superada pela realizada à China,
com 450 empresários, em junho do ano passado. Já a última
passagem do presidente pela África, em abril, agregou só cinco homens
de negócios. Justifica-se o grande interesse
pelas duas nações asiáticas. O Japão tem a segunda
maior economia do planeta, com produto interno bruto (PIB) de 4,7 trilhões
de dólares, oito vezes maior que o brasileiro. Também dá
sinais de despertar após quase duas décadas de estagnação.
Em 2004, foi o oitavo principal destino das exportações nacionais,
que renderam 2,7 bilhões de dólares ao Brasil. Ali, a comitiva de
Lula discutiu questões como biotecnologia e meio ambiente. Os laços
do Brasil com o Japão extrapolam os conhecidos movimentos migratórios
entre os dois países. No fim da década de 70, os investimentos japoneses
tinham como uma das prioridades empreendimentos verde-amarelos. Não fosse
pela ajuda japonesa, o Brasil dificilmente teria ocupado o cerrado, conquista
que viabilizou a revolução agrícola do Centro-Oeste brasileiro.
Lula
Marques/Folha Imagem
 | | O
casal presidencial experimenta máscaras típicas na Coréia |
A Coréia do Sul é igualmente atrativa. Fenômeno na educação,
o país respira competitividade. Em quatro anos, a venda de produtos brasileiros
aos coreanos saltou de 580 milhões de dólares para 1,4 bilhão
de dólares, uma elevação de 140%. Há espaço
para crescer. Conversou-se em Seul sobre tecnologia da informação
e alimentos processados. Diz Henrique Altemani, professor de relações
internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC-SP): "A Coréia enxerga o Brasil como uma plataforma produtiva
e exportadora não só de matérias-primas, mas de produtos
acabados, vendidos por preço mais alto".
Lula reuniu-se com os coreanos da Pohang Steel Corporation (Posco), a quinta maior
siderúrgica do mundo. A empresa reluta em construir uma fábrica
no Maranhão devido à elevada carga de impostos do Brasil. Agora,
diante de novos argumentos brasileiros, fundados na chamada "MP do Bem", a medida
provisória que desonera indústrias voltadas para a exportação,
a Posco ficou de reavaliar a decisão a medida poderia reduzir o
custo de investimento da companhia em pelo menos 150 milhões de dólares. |