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Corrupção
Baixinho de 1,85 m
Essa não é a maior esquisitice do homem do PTB na ANP. Solventes
talvez sejam  Chrystiane
Silva
Sergio
Castro/AE
 | GASOLINA
FALSA A Polícia Civil apreende carretas de combustível
adulterado com solventes, cuja importação cresceu 78% em dois anos |
O exército de prepostos do deputado Roberto Jefferson na administração
pública federal também inclui um soldado na Agência Nacional
do Petróleo (ANP), o órgão que regula e fiscaliza a indústria
de combustíveis e derivados no país. Trata-se do engenheiro baiano
Eugênio Roberto Maia. No ano passado, como superintendente de abastecimento
da agência, Maia autorizou várias empresas acusadas de sonegação
e de adulterar combustíveis a elevar suas importações de
solventes. Derivados do petróleo, os solventes são usados na fabricação
de tintas, mas têm sido mesmo empregados no submundo para falsificar gasolina.
Com pelo menos outras três canetadas, sempre contrárias às
recomendações técnicas da ANP e da ministra Dilma Rousseff,
também elevou em até quatro vezes as cotas de gasolina que essas
mesmas empresas têm direito a comprar da Petrobras. Com suas autorizações,
Maia deu um grande impulso às compras de solventes no país. Entre
2000 e 2002, antes de sua gestão, a importação da substância
aumentou 23%. Durante 2003 e 2004, quando Maia esteve à frente da superintendência
de abastecimento, a compra de solventes do exterior cresceu 78%. Como a indústria
de tintas se expandiu apenas 13% no período, questiona-se o destino das
sobras de solventes. Em janeiro do ano passado,
ao assumir a ANP, Haroldo Lima ouviu denúncias cabeludas dos mais importantes
executivos do setor. Na semana passada, esses mesmos empresários repetiram
as denúncias a VEJA. Segundo eles, Maia cobraria uma taxa extra sobre algumas
autorizações que concedia. E sempre com a mesma explicação:
o dinheiro seria repassado ao PTB, que exigia dele uma mesada mensal modesta,
de apenas 40.000 reais. Lima chegou a redigir a exoneração de Maia,
mas sofreu um puxão de orelha da Casa Civil. O próprio deputado
Roberto Jefferson foi reclamar com Dilma. Ouviu da ministra que o PTB continuaria
com presença na ANP, mas que Maia não teria condições
morais para continuar no cargo. No fim das contas, o diretor-geral da ANP teve
de recuar e, em fevereiro deste ano, realocou Maia na superintendência de
refino. O engenheiro manteve o cargo e o salário,
mas perdeu poder. "Sobre esse assunto eu me reservo o direito de não comentar.
O que posso garantir é que desde o começo deste ano não existem
mais irregularidades na superintendência de abastecimento", explicou Haroldo
Lima. Maia é articulado, eloqüente e ambicioso. "Sou competente, tenho
feito uma carreira brilhante e aspiro ao cargo de diretor-geral da ANP", disse,
sem modéstia. Ele também se mostra íntimo do chefe: "Nós
nos tratamos por apelidos. Eu o chamo de 'Conterrâneo', já que somos
baianos, e ele me apelidou de 'Baixinho', uma ironia ao meu 1,85 metro de altura".
Maia nega as denúncias de propina e da mesada de 40.000 reais ao PTB: "Nunca
vi tanto dinheiro na minha frente". |