Edição 1907 . 1° de junho de 2005

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Corrupção
Baixinho de 1,85 m

Essa não é a maior esquisitice do homem
do PTB na ANP. Solventes talvez sejam


Chrystiane Silva

 

Sergio Castro/AE
GASOLINA FALSA
A Polícia Civil apreende carretas de combustível adulterado com solventes, cuja importação cresceu 78% em dois anos

O exército de prepostos do deputado Roberto Jefferson na administração pública federal também inclui um soldado na Agência Nacional do Petróleo (ANP), o órgão que regula e fiscaliza a indústria de combustíveis e derivados no país. Trata-se do engenheiro baiano Eugênio Roberto Maia. No ano passado, como superintendente de abastecimento da agência, Maia autorizou várias empresas acusadas de sonegação e de adulterar combustíveis a elevar suas importações de solventes. Derivados do petróleo, os solventes são usados na fabricação de tintas, mas têm sido mesmo empregados no submundo para falsificar gasolina. Com pelo menos outras três canetadas, sempre contrárias às recomendações técnicas da ANP e da ministra Dilma Rousseff, também elevou em até quatro vezes as cotas de gasolina que essas mesmas empresas têm direito a comprar da Petrobras. Com suas autorizações, Maia deu um grande impulso às compras de solventes no país. Entre 2000 e 2002, antes de sua gestão, a importação da substância aumentou 23%. Durante 2003 e 2004, quando Maia esteve à frente da superintendência de abastecimento, a compra de solventes do exterior cresceu 78%. Como a indústria de tintas se expandiu apenas 13% no período, questiona-se o destino das sobras de solventes.

Em janeiro do ano passado, ao assumir a ANP, Haroldo Lima ouviu denúncias cabeludas dos mais importantes executivos do setor. Na semana passada, esses mesmos empresários repetiram as denúncias a VEJA. Segundo eles, Maia cobraria uma taxa extra sobre algumas autorizações que concedia. E sempre com a mesma explicação: o dinheiro seria repassado ao PTB, que exigia dele uma mesada mensal modesta, de apenas 40.000 reais. Lima chegou a redigir a exoneração de Maia, mas sofreu um puxão de orelha da Casa Civil. O próprio deputado Roberto Jefferson foi reclamar com Dilma. Ouviu da ministra que o PTB continuaria com presença na ANP, mas que Maia não teria condições morais para continuar no cargo. No fim das contas, o diretor-geral da ANP teve de recuar e, em fevereiro deste ano, realocou Maia na superintendência de refino.

O engenheiro manteve o cargo e o salário, mas perdeu poder. "Sobre esse assunto eu me reservo o direito de não comentar. O que posso garantir é que desde o começo deste ano não existem mais irregularidades na superintendência de abastecimento", explicou Haroldo Lima. Maia é articulado, eloqüente e ambicioso. "Sou competente, tenho feito uma carreira brilhante e aspiro ao cargo de diretor-geral da ANP", disse, sem modéstia. Ele também se mostra íntimo do chefe: "Nós nos tratamos por apelidos. Eu o chamo de 'Conterrâneo', já que somos baianos, e ele me apelidou de 'Baixinho', uma ironia ao meu 1,85 metro de altura". Maia nega as denúncias de propina e da mesada de 40.000 reais ao PTB: "Nunca vi tanto dinheiro na minha frente".

 
 
 
 
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