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Diogo
Mainardi Sou um Maurício Marinho
"Brasileiro
compra livro até demais. Quando não compra na livraria, compra
com o pagamento de impostos. Não adianta boicotar Renato Janine Ribeiro.
Não adianta espernear contra Diogo Mainardi. Querendo ou não,
seu dinheiro será desviado para
o nosso bolso" Dizem que o
brasileiro não compra livros. Compra, sim. Compra até demais. Quando
não compra na livraria, compra com o pagamento de impostos. Não
adianta biocotar Renato Janine Ribeiro. Não adianta repudiar Maria Victoria
Benevides. Não adianta espernear contra Diogo Mainardi. Querendo ou não
querendo, seu dinheiro será desviado para o nosso bolso. Somos iguais aos
petebistas dos Correios. Somos os Maurício Marinho das letras.
Lula é iletrado, mas sabe perfeitamente como lidar conosco. Quem mexe com
livros, no Brasil, se considera um benfeitor. Acha que a sociedade tem a obrigação
de recompensá-lo por seu altruísmo, com uma modesta contribuição
em dinheiro. É o que faz o governo. Na Bienal do Rio de Janeiro, o Ministério
da Cultura e o BNDES apresentaram o ProLivro, um programa de financiamento público
que garante crédito barato para editoras, livrarias e, melhor ainda, adiantamentos
para escritores. Não são só os usineiros pernambucanos que
contam com a liberalidade do BNDES. Nós, escritores, também contamos.
O próprio BNDES, algumas semanas
atrás, publicou um documento sobre a economia do livro no Brasil. O Estado
é responsável pela compra de quase metade dos exemplares produzidos
no país. Os técnicos do BNDES recomendam comprar muito mais. Claro
que o único lesado nessa história é o contribuinte. O Estado
é mau comprador. Só para dar um exemplo, outro dia o BNDES comprou
algumas cópias do Dicionário Aurélio, na versão
para computador. Cada uma custou 643 reais. O mesmo produto pode ser encontrado
no mercado por 154,80 reais. A política
do governo federal para o setor livreiro está a cargo de Galeno Amorim,
coordenador do Programa Nacional do Livro e Leitura. Ele prometeu abrir 1.000
novas bibliotecas nos próximos anos e aumentar em 50% o índice de
leitura do brasileiro, graças a uma martelante campanha publicitária.
Amorim foi secretário da Cultura de Ribeirão Preto quando o prefeito
era Antonio Palocci. Recentemente, o Tribunal de Contas do Estado de São
Paulo denunciou Palocci por favorecimento à editora de Amorim, a Palavra
Mágica, condenando-o à devolução de 2,6 milhões
de reais aos cofres públicos.
O Tribunal de Contas do estado deu outro aborrecimento a Palocci, duas semanas
atrás. Reprovou o contrato que ele fez para reformar o centro de Ribeirão
Preto na época em que era o prefeito da cidade. O grande projeto palocciano
previa uma avenida elevada, um lago artificial e uma ponte suspensa, réplica
da Golden Gate, de São Francisco. A obra não foi realizada. Mesmo
assim, custou 4 681 763,90 reais à prefeitura. A empresa contratada irregularmente
para tocar o projeto foi a Coderp. O superintendente da Coderp era Juscelino Dourado,
atual chefe-de-gabinete de Palocci no Ministério da Fazenda. Dourado é
afilhado de casamento de Rogério Buratti, secretário de Governo
de Ribeirão Preto no primeiro mandato de Palocci e achacador da Gtech no
caso Waldomiro Diniz. Eu sou um Maurício
Marinho. Mas não sou o único. |