Edição 1907 . 1° de junho de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"A proliferação de ratazanas no país é decorrente da falta de veneno adequado: a punição ágil e exemplar. Emblemática a capa de VEJA!"
Antônio José dos Anjos Brito
Salvador, BA

Corrupção

Quando eu era menininha, lá nas montanhas de Minas Gerais, ouvia dizer: "Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil". Dia 22 de maio, dezenas de anos depois, recebendo por baixo da porta a melhor amiga que temos no momento – a revista VEJA – e assustada com a cara do rato corrupto, exclamei, aterrorizada: "Meu Deus, se o Brasil não acabar com os ratos, os ratos acabarão com o Brasil!".
Neneca Motta Mello
Serra Negra, SP

VEJA expõe sem medo e com clara independência o lamentável estado de nosso país: um doente quase terminal. Tal qual uma infecção generalizada, a corrupção está a matar o nosso país, à medida que as partes ainda sãs de nosso organismo nacional são contaminadas pela rápida decomposição dos diversos poderes, órgãos e setores do Estado.
Rodrigo Gava
Vice-presidente do Conselho Nacional para o Desenvolvimento e Combate à Corrupção
Curitiba, PR

Ao ver a foto dos dois grandes aliados na página 38 da edição 1 906, não posso deixar de lembrar ao senhor presidente da República um velho ditado caipira: "Passarinho que dorme com morcego acorda de cabeça pra baixo".
José Blota Neto
São Paulo, SP

O presidente Lula deveria lembrar-se de que seu maior parceiro é o povo que o elegeu. Nas próximas eleições, será ótimo que o povo se esqueça dessa parceria. Francamente, senhor presidente ("Diga-me com quem anda...", 25 de maio)!
Irad Gantuss
Belém, PA

A reportagem de VEJA sobre a corrupção nas administrações públicas chama atenção para um problema que aflige de maneira ainda mais dramática os municípios brasileiros: a falta de controle interno da legalidade dos atos administrativos municipais. É para enfrentar essa questão que a Associação Nacional dos Procuradores Municipais vem há bastante tempo defendendo a necessidade da constitucionalização da carreira de procurador municipal, a fim de que os municípios brasileiros passem a ter em sua estrutura advogados públicos admitidos mediante concurso, com independência e responsabilidade funcional para analisar a legalidade dos atos da Administração. Somente dessa forma será possível evitar que administradores públicos mal-intencionados usem a coisa pública em favor de interesses pessoais ou de seus aliados.
Carlos Augusto M. Vieira da Costa
Presidente da Associação Nacional dos Procuradores Municipais (ANPM)
Curitiba, PR

Cumpre enfatizar e, principalmente, chamar a atenção da sociedade para o fato de que o Brasil, em termos legislativos, caminha em sentido oposto ao propugnado pela matéria. Por exemplo, introduziu-se, pela Medida Provisória 2225-45 de 2001, no processo para apuração de atos de improbidade, uma espécie de defesa prévia à defesa. Nesse mesmo campo, inseriu-se, de forma canhestra, no Código de Processo Penal, um preceito (artigo 84, § 2º) que estende o denominado foro privilegiado também às ações por improbidade. Medidas como essas, tomadas recentemente, além de representar um retrocesso, acabam por prejudicar sobremaneira o processo e julgamento das ações de combate à corrupção. O legislador, coincidência ou não, como se vê, está bem acordado para essas questões.
Tulio Caiban Bruno
Promotor de Justiça
Rio de Janeiro, RJ

Tenho filhas e procuro educá-las dentro das bases da moral e da ética, e me preocupa a postura dos nossos governantes. O presidente tornou-se um desconhecido, não é mais a pessoa em quem votamos e depositamos nossas esperanças. A corrupção em seu governo está alcançando patamares superiores e não imaginados por Fernando Collor de Mello e sua trupe.
Ligia Maria Vargas
Aracaju, SE

Sinto uma enorme tristeza ao ver que o Brasil não mudou depois do impeachment de Collor. O povo brasileiro continua à mercê dos desmandos de sucessivos governos, a miséria aumenta, tudo continua igual (ou pior). Escândalos e escândalos diários que fazem com que Collor e seu esquema PC fiquem humilhados diante da grandiosidade dos monstros que atuam agora. É absurdo o presidente Lula dizer que daria um cheque em branco ao deputado Roberto Jefferson e que dormiria tranqüilo. É absurdo ver a cúpula do PT – Dirceu, Genoíno e Mercadante, entre outros – manobrar para abafar a criação da CPI dos Correios.
Sandra Fernandes de Oliveira
Secretária que denunciou a Operação Uruguai na CPI do Collor-PC em 1992
São Paulo, SP

A recente metodologia de fiscalização implementada pela CGU (sorteio de municípios) mostra seus resultados. Ir até um município verificar se os programas de governo estão sendo executados corretamente, ouvir o clamor da população beneficiada – ou que deveria ser a beneficiada! – e relatar os fatos são as ações que trarão à tona os roedores do dinheiro público. A população é parte imprescindível no controle das despesas públicas denunciando a ratazana malversadora.
Renato Santos Chaves
Teresina, PI

Uma coisa é inegável: nenhum brasileiro mexe o traseiro tão rápido quanto Lula, quando o assunto é evitar uma CPI.
Rozeinaldo Massini
Curitiba, PR

O ódio que os adversários alimentam contra o PT do presidente Lula só se compara ao ódio que Satanás tem da cruz. Será que a sociedade não está vendo que isso é pura inveja motivada pela mudança pela qual o país está passando? Nunca se prendeu tanto ladrão do dinheiro público neste país como agora, nunca a balança comercial esteve tão equilibrada a ponto de nossas reservas serem suficientes para não se pedir mais dinheiro ao FMI, que tanto atraso causou ao país por todo esse tempo passado. Precisamos continuar acreditando no Brasil com o presidente Lula no comando e, em 2006, Lulalá novamente.
Luiz Pinto Façanha
Aracaju, SE

Impressionou-me a reportagem "Mesada de 400.000 reais para o PTB" (25 de maio). No tocante à veracidade dos fatos relatados na matéria, não cabe a mim, ao menos agora, confirmá-los ou desmenti-los, mas apenas deixar claro que, quando e se instado por órgão legalmente investido de atribuições de investigar, não me furtarei a prestar os esclarecimentos que o interesse público assim determinar. Não concedi entrevista nem prestei nenhum tipo de informação a VEJA que pudesse servir de suporte à matéria publicada, razão pela qual declaro não ter nenhuma responsabilidade pelo teor das informações ali relacionadas a minha pessoa. Digo isso porque, procurado por repórter dessa revista, neguei o pedido de entrevista, alegando, como justificativa, "ter procedido de forma correta, segundo minha consciência, e que minha saída do IRB se dera por motivos estritamente pessoais". Tais esclarecimentos são de decisiva importância para que os leitores não sejam induzidos a pensar que o "proceder de forma correta", inserido na matéria, tenha sido o eventual ato de levar a VEJA as informações que resultaram na referida publicação. Assim, reafirmo que o contexto em que mencionei o "proceder de forma correta" diz respeito ao proceder de toda uma vida de dedicação incansável à causa pública e aos elevados interesses deste país.
Lídio Duarte
Ex-presidente do IRB Brasil Resseguros S/A
Rio de Janeiro, RJ

Sobre o quadro "Os (poucos) punidos" da reportagem "Temporada de caça aos ratos" (25 de maio), no intuito de bem informar, deveria VEJA atualizar os leitores sobre o assunto TRT de São Paulo. Como é possível um contrato de 141 milhões de reais gerar um desvio de 169 milhões? Como explicar que o governo tenha gastado 65 milhões para concluir os 22% faltantes do prédio e o Ministério Público insista no absurdo de afirmar que apenas 69 milhões foram gastos para erigir os 78% existentes quando da paralisação da obra?
Luiz Estevão de Oliveira Neto
Brasília, DF

 

Diogo Mainardi

Como cuiabana, sinto-me aliviada em saber que o senhor Mainardi não tem intenções de conhecer a minha querida Cuiabá. Tenho certeza de que todos os cuiabanos agradecem ("Podia ser Marabá. Ou Quixadá", 25 de maio).
Marina Lemos dos Santos
Udine, Itália

Existe uma defasagem em suas afirmações: o Supermercado Trento já não existe há muitos anos, e o senhor Liu Arruda foi realmente um grande artista da cidade, inclusive seu nome batiza o Museu do Rio, mas ele faleceu faz alguns anos. Seja Cuiabá, seja Quixadá, como tentou corrigir, não merece tal tratamento.
Frederico Mendes de Oliveira Mil Homens
Cuiabá, MT

Talvez a falta de conhecimento do país maravilhoso que é o Brasil seja um dos seus problemas. O Brasil é horrível? Vá embora e deixe espaço para pessoas inteligentes que amam seu país, seu povo e, acima de tudo, seus problemas.
Talita Fortunato
Nova York, EUA

 

Michel Onfray

Na qualidade de filósofo "que se dá ao respeito", não poderia deixar de manifestar meu apoio às idéias de Michel Onfray (Amarelas, 25 de maio), embora perceba que suas teorias possuem um certo fundamentalismo também expresso em religiões por ele combatidas. A construção do conhecimento pela via da Razão é, de fato, uma forma de nos libertarmos da simples compreensão imaginária imposta pela mitologia religiosa. Porém, na medida em que adquirimos essa liberdade, mergulhamos no mais íntimo e misterioso universo transcendente e imanente de Deus, no qual a experiência científica não passa de um minúsculo refletor, e o dogma, da mais precária forma de tradução desse universo.
Cosme Rogério Ferreira
Palmeira dos Índios, AL

 

Educação

Sou educadora, e há anos estudamos a eficiência da escola aberta à comunidade como forma de mantê-la mais participativa e atenta aos acontecimentos a seu redor. Na reportagem "Simples, barato e eficiente" (25 de maio), VEJA nos dá uma lição do que é uma escola realmente pública.
Warlen Fernandes S. Marques
Campinas, SP

 

André Petry

A coluna de André Petry da semana passada ("Cassação neles!", 25 de maio) deixa de informar que o governo do estado de São Paulo destina cerca de 2% de sua receita corrente líquida para o pagamento de precatórios. Em 2004, foi pago 1,18 bilhão de reais em precatórios. Em 2003, foram pagos 825.122.252,54 reais. Já em 2002 foi pago 1,031 bilhão. Ou seja, nos últimos três anos foi pago um total de 3,039 bilhões de reais em títulos de precatórios, o que comprova a disposição do governo paulista em cumprir as decisões judiciais dentro das restrições orçamentárias.
Roger Ferreira
Secretário de Comunicação do governo do estado de São Paulo
São Paulo, SP

CORREÇÕES: Maria Auxiliadora de Vasconcellos presidia o Sindicato dos Servidores de Arrecadação do INSS (Sinsera), e não o Sindicato dos Auditores do INSS ("Mesada de 400 000 reais para o PTB", 25 de maio). A foto que ilustra o quadro "A instituição mais confiável" (25 de maio) é de policiais militares do estado de São Paulo, e não de integrantes das Forças Armadas. Charles de Gaulle foi presidente da França, e não seu chanceler, como consta do quadro "De Gaulle e o Brasil", na página 36 desta edição.

 

RUI CONTRA A CORRUPÇÃO

Depois de ler a reportagem "O homem-chave do PTB", sobre o escândalo de corrupção nos Correios, e a entrevista das páginas amarelas com o escritor João Ubaldo Ribeiro (18 de maio), seis leitores escreveram para a redação de VEJA lembrando a Oração aos Moços, de Rui Barbosa (1849-1923). O leitor Jorge Arthur Berg, de Porto Alegre, fez questão de enviar um trecho do jornalista baiano: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". Segundo Berg, a frase deveria estar gravada em um painel nas duas casas do Congresso Nacional.

 

DE GAULLE E O BRASIL

O artigo "Síndrome de Robin Hood" (18 de maio) diz que o chanceler francês Charles De Gaulle tinha razão ao dizer que o Brasil não é um país sério. Vários leitores escreveram para corrigir a informação e dar sua versão do fato. "A frase foi dita por Celso Vieira, embaixador do Brasil, na França, por ocasião da Guerra das Lagostas", escreveu Terezinha de Aquino, relembrando um episódio diplomático ocasionado pela presença de pesqueiros franceses no litoral brasileiro. Antenor Cirtoli Materia, de Florianópolis, dá outra versão: "Um assessor de De Gaulle proferiu essa frase, causando grande inquietação no governo brasileiro. Seu nome nunca foi descoberto". A gaúcha Raquel Schardosim, o baiano Eraldo Gomes Moura e o brasiliense Wagner do Nascimento e Silva têm versão mais apurada. "Na verdade, a frase foi dita, em 1962, pelo então embaixador brasileiro em Paris, Carlos Alves de Souza, depois de convencido pelo presidente francês de que nosso país não tinha razão no conflito pesqueiro", diz Raquel. Os três têm razão. Em seu livro de memórias, Um Embaixador em Tempos de Crise, o próprio Carlos Alves de Souza assumiu a autoria da frase.

 

 
 
 
 
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