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Cartas
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"A proliferação de ratazanas no país
é decorrente da falta de veneno adequado: a punição ágil e exemplar.
Emblemática a capa de VEJA!"
Antônio José dos Anjos Brito
Salvador, BA |
Corrupção
Quando eu era menininha, lá
nas montanhas de Minas Gerais, ouvia dizer: "Ou o Brasil acaba com
a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil". Dia 22 de
maio, dezenas de anos depois, recebendo por baixo da porta a melhor
amiga que temos no momento a revista VEJA e assustada
com a cara do rato corrupto, exclamei, aterrorizada: "Meu Deus,
se o Brasil não acabar com os ratos, os ratos acabarão
com o Brasil!".
Neneca Motta Mello
Serra Negra, SP
VEJA expõe sem medo e
com clara independência o lamentável estado de nosso
país: um doente quase terminal. Tal qual uma infecção
generalizada, a corrupção está a matar o nosso
país, à medida que as partes ainda sãs de nosso
organismo nacional são contaminadas pela rápida decomposição
dos diversos poderes, órgãos e setores do Estado.
Rodrigo Gava
Vice-presidente do Conselho Nacional para o Desenvolvimento e Combate
à Corrupção
Curitiba, PR
Ao ver a foto dos dois grandes
aliados na página 38 da edição 1 906, não
posso deixar de lembrar ao senhor presidente da República
um velho ditado caipira: "Passarinho que dorme com morcego acorda
de cabeça pra baixo".
José Blota Neto
São Paulo, SP
O presidente Lula deveria lembrar-se
de que seu maior parceiro é o povo que o elegeu. Nas próximas
eleições, será ótimo que o povo se esqueça
dessa parceria. Francamente, senhor presidente ("Diga-me com quem
anda...", 25 de maio)!
Irad Gantuss
Belém, PA
A reportagem de VEJA sobre a
corrupção nas administrações públicas
chama atenção para um problema que aflige de maneira
ainda mais dramática os municípios brasileiros: a
falta de controle interno da legalidade dos atos administrativos
municipais. É para enfrentar essa questão que a Associação
Nacional dos Procuradores Municipais vem há bastante tempo
defendendo a necessidade da constitucionalização da
carreira de procurador municipal, a fim de que os municípios
brasileiros passem a ter em sua estrutura advogados públicos
admitidos mediante concurso, com independência e responsabilidade
funcional para analisar a legalidade dos atos da Administração.
Somente dessa forma será possível evitar que administradores
públicos mal-intencionados usem a coisa pública em
favor de interesses pessoais ou de seus aliados.
Carlos Augusto M. Vieira da Costa
Presidente da Associação Nacional dos Procuradores
Municipais (ANPM)
Curitiba, PR
Cumpre enfatizar e, principalmente,
chamar a atenção da sociedade para o fato de que o
Brasil, em termos legislativos, caminha em sentido oposto ao propugnado
pela matéria. Por exemplo, introduziu-se, pela Medida Provisória
2225-45 de 2001, no processo para apuração de atos
de improbidade, uma espécie de defesa prévia à
defesa. Nesse mesmo campo, inseriu-se, de forma canhestra, no Código
de Processo Penal, um preceito (artigo 84, § 2º) que estende
o denominado foro privilegiado também às ações
por improbidade. Medidas como essas, tomadas recentemente, além
de representar um retrocesso, acabam por prejudicar sobremaneira
o processo e julgamento das ações de combate à
corrupção. O legislador, coincidência ou não,
como se vê, está bem acordado para essas questões.
Tulio Caiban Bruno
Promotor de Justiça
Rio de Janeiro, RJ
Tenho filhas e procuro educá-las
dentro das bases da moral e da ética, e me preocupa a postura
dos nossos governantes. O presidente tornou-se um desconhecido,
não é mais a pessoa em quem votamos e depositamos
nossas esperanças. A corrupção em seu governo
está alcançando patamares superiores e não
imaginados por Fernando Collor de Mello e sua trupe.
Ligia Maria Vargas
Aracaju, SE
Sinto uma enorme tristeza ao
ver que o Brasil não mudou depois do impeachment de Collor.
O povo brasileiro continua à mercê dos desmandos de
sucessivos governos, a miséria aumenta, tudo continua igual
(ou pior). Escândalos e escândalos diários que
fazem com que Collor e seu esquema PC fiquem humilhados diante da
grandiosidade dos monstros que atuam agora. É absurdo o presidente
Lula dizer que daria um cheque em branco ao deputado Roberto Jefferson
e que dormiria tranqüilo. É absurdo ver a cúpula
do PT Dirceu, Genoíno e Mercadante, entre outros
manobrar para abafar a criação da CPI dos Correios.
Sandra Fernandes de Oliveira
Secretária que denunciou a Operação Uruguai
na CPI do Collor-PC em 1992
São Paulo, SP
A recente metodologia de fiscalização
implementada pela CGU (sorteio de municípios) mostra seus
resultados. Ir até um município verificar se os programas
de governo estão sendo executados corretamente, ouvir o clamor
da população beneficiada ou que deveria ser
a beneficiada! e relatar os fatos são as ações
que trarão à tona os roedores do dinheiro público.
A população é parte imprescindível no
controle das despesas públicas denunciando a ratazana malversadora.
Renato Santos Chaves
Teresina, PI
Uma coisa é inegável:
nenhum brasileiro mexe o traseiro tão rápido quanto
Lula, quando o assunto é evitar uma CPI.
Rozeinaldo Massini
Curitiba, PR
O ódio que os adversários
alimentam contra o PT do presidente Lula só se compara ao
ódio que Satanás tem da cruz. Será que a sociedade
não está vendo que isso é pura inveja motivada
pela mudança pela qual o país está passando?
Nunca se prendeu tanto ladrão do dinheiro público
neste país como agora, nunca a balança comercial esteve
tão equilibrada a ponto de nossas reservas serem suficientes
para não se pedir mais dinheiro ao FMI, que tanto atraso
causou ao país por todo esse tempo passado. Precisamos continuar
acreditando no Brasil com o presidente Lula no comando e, em 2006,
Lulalá novamente.
Luiz Pinto Façanha
Aracaju, SE
Impressionou-me a reportagem
"Mesada de 400.000 reais para o PTB" (25 de maio). No tocante à
veracidade dos fatos relatados na matéria, não cabe
a mim, ao menos agora, confirmá-los ou desmenti-los, mas
apenas deixar claro que, quando e se instado por órgão
legalmente investido de atribuições de investigar,
não me furtarei a prestar os esclarecimentos que o interesse
público assim determinar. Não concedi entrevista nem
prestei nenhum tipo de informação a VEJA que pudesse
servir de suporte à matéria publicada, razão
pela qual declaro não ter nenhuma responsabilidade pelo teor
das informações ali relacionadas a minha pessoa. Digo
isso porque, procurado por repórter dessa revista, neguei
o pedido de entrevista, alegando, como justificativa, "ter procedido
de forma correta, segundo minha consciência, e que minha saída
do IRB se dera por motivos estritamente pessoais". Tais esclarecimentos
são de decisiva importância para que os leitores não
sejam induzidos a pensar que o "proceder de forma correta", inserido
na matéria, tenha sido o eventual ato de levar a VEJA as
informações que resultaram na referida publicação.
Assim, reafirmo que o contexto em que mencionei o "proceder de forma
correta" diz respeito ao proceder de toda uma vida de dedicação
incansável à causa pública e aos elevados interesses
deste país.
Lídio Duarte
Ex-presidente do IRB Brasil Resseguros S/A
Rio de Janeiro, RJ
Sobre o quadro "Os (poucos) punidos"
da reportagem "Temporada de caça aos ratos" (25 de maio),
no intuito de bem informar, deveria VEJA atualizar os leitores sobre
o assunto TRT de São Paulo. Como é possível
um contrato de 141 milhões de reais gerar um desvio de 169
milhões? Como explicar que o governo tenha gastado 65 milhões
para concluir os 22% faltantes do prédio e o Ministério
Público insista no absurdo de afirmar que apenas 69 milhões
foram gastos para erigir os 78% existentes quando da paralisação
da obra?
Luiz Estevão de Oliveira Neto
Brasília, DF
Diogo Mainardi
Como cuiabana, sinto-me aliviada em saber
que o senhor Mainardi não tem intenções de
conhecer a minha querida Cuiabá. Tenho certeza de que todos
os cuiabanos agradecem ("Podia ser Marabá. Ou Quixadá",
25 de maio).
Marina Lemos dos Santos
Udine, Itália
Existe uma defasagem em suas afirmações:
o Supermercado Trento já não existe há muitos
anos, e o senhor Liu Arruda foi realmente um grande artista da cidade,
inclusive seu nome batiza o Museu do Rio, mas ele faleceu faz alguns
anos. Seja Cuiabá, seja Quixadá, como tentou corrigir,
não merece tal tratamento.
Frederico Mendes de Oliveira Mil Homens
Cuiabá, MT
Talvez a falta de conhecimento do país
maravilhoso que é o Brasil seja um dos seus problemas. O
Brasil é horrível? Vá embora e deixe espaço
para pessoas inteligentes que amam seu país, seu povo e,
acima de tudo, seus problemas.
Talita Fortunato
Nova York, EUA
Michel Onfray
Na qualidade de filósofo "que se dá
ao respeito", não poderia deixar de manifestar meu apoio
às idéias de Michel Onfray (Amarelas, 25 de maio),
embora perceba que suas teorias possuem um certo fundamentalismo
também expresso em religiões por ele combatidas. A
construção do conhecimento pela via da Razão
é, de fato, uma forma de nos libertarmos da simples compreensão
imaginária imposta pela mitologia religiosa. Porém,
na medida em que adquirimos essa liberdade, mergulhamos no mais
íntimo e misterioso universo transcendente e imanente de
Deus, no qual a experiência científica não passa
de um minúsculo refletor, e o dogma, da mais precária
forma de tradução desse universo.
Cosme Rogério Ferreira
Palmeira dos Índios, AL
Educação
Sou educadora, e há anos estudamos
a eficiência da escola aberta à comunidade como forma
de mantê-la mais participativa e atenta aos acontecimentos
a seu redor. Na reportagem "Simples, barato e eficiente" (25 de
maio), VEJA nos dá uma lição do que é
uma escola realmente pública.
Warlen Fernandes S. Marques
Campinas, SP
André Petry
A coluna de André Petry da semana passada
("Cassação neles!", 25 de maio) deixa de informar
que o governo do estado de São Paulo destina cerca de 2%
de sua receita corrente líquida para o pagamento de precatórios.
Em 2004, foi pago 1,18 bilhão de reais em precatórios.
Em 2003, foram pagos 825.122.252,54 reais. Já em 2002 foi
pago 1,031 bilhão. Ou seja, nos últimos três
anos foi pago um total de 3,039 bilhões de reais em títulos
de precatórios, o que comprova a disposição
do governo paulista em cumprir as decisões judiciais dentro
das restrições orçamentárias.
Roger Ferreira
Secretário de Comunicação do governo do estado
de São Paulo
São Paulo, SP
CORREÇÕES: Maria Auxiliadora
de Vasconcellos presidia o Sindicato dos Servidores de Arrecadação
do INSS (Sinsera), e não o Sindicato dos Auditores do INSS
("Mesada de 400 000 reais para o PTB", 25 de maio).
A foto que ilustra o quadro "A instituição mais confiável"
(25 de maio) é de policiais militares do estado de São
Paulo, e não de integrantes das Forças Armadas.
Charles de Gaulle foi presidente da França, e não
seu chanceler, como consta do quadro "De Gaulle e o Brasil", na
página 36 desta edição.
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RUI CONTRA A CORRUPÇÃO
Depois
de ler a reportagem "O homem-chave do PTB", sobre o
escândalo de corrupção nos Correios,
e a entrevista das páginas amarelas com o escritor
João Ubaldo Ribeiro (18 de maio), seis leitores
escreveram para a redação de VEJA lembrando
a Oração aos Moços, de Rui
Barbosa (1849-1923). O leitor Jorge Arthur Berg, de
Porto Alegre, fez questão de enviar um trecho
do jornalista baiano: "De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer
a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se
da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser
honesto". Segundo Berg, a frase deveria estar gravada
em um painel nas duas casas do Congresso Nacional.
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DE GAULLE E O BRASIL
O
artigo "Síndrome de Robin Hood" (18 de maio)
diz que o chanceler francês Charles De Gaulle
tinha razão ao dizer que o Brasil não
é um país sério. Vários
leitores escreveram para corrigir a informação
e dar sua versão do fato. "A frase foi dita por
Celso Vieira, embaixador do Brasil, na França,
por ocasião da Guerra das Lagostas", escreveu
Terezinha de Aquino, relembrando um episódio
diplomático ocasionado pela presença de
pesqueiros franceses no litoral brasileiro. Antenor
Cirtoli Materia, de Florianópolis, dá
outra versão: "Um assessor de De Gaulle proferiu
essa frase, causando grande inquietação
no governo brasileiro. Seu nome nunca foi descoberto".
A gaúcha Raquel Schardosim, o baiano Eraldo Gomes
Moura e o brasiliense Wagner do Nascimento e Silva têm
versão mais apurada. "Na verdade, a frase foi
dita, em 1962, pelo então embaixador brasileiro
em Paris, Carlos Alves de Souza, depois de convencido
pelo presidente francês de que nosso país
não tinha razão no conflito pesqueiro",
diz Raquel. Os três têm razão. Em
seu livro de memórias, Um Embaixador em Tempos
de Crise, o próprio Carlos Alves de Souza
assumiu a autoria da frase.
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