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Carta ao leitor Nem
golpe nem conspiração  |  |  |  | | Reportagens
de VEJA que incomodaram os tucanos no passado: reações parecidas
com as dos petistas |
Muito
se especulou entre políticos governistas sobre as motivações
de VEJA ao publicar as recentes reportagens a respeito da corrupção
em órgãos oficiais. O ministro José Dirceu disse que "beirava
o golpismo" a reprodução por VEJA de uma frase dele sobre os perigos
que corriam dois companheiros graduados do partido de ser pegos por uma CPI. A
frase de Dirceu foi relatada a VEJA por dois petistas. Um é senador. O
outro, deputado. A crise política deflagrada pelas revelações
foi interpretada pelo ministro Aldo Rebelo como uma tentativa da "direita de desestabilizar
governos democraticamente eleitos". Ainda mais dramático, o senador petista
Aloizio Mercadante falou em uma "conspiração das elites contra o
governo operário". Reações
desse teor são previsíveis nesses casos. Com certeza, não
são inéditas. Fernando Collor, apeado da Presidência em 1992
por um processo de impeachment colocado a andar no princípio por denúncias
feitas apenas por VEJA, definia-se como "alvo das elites paulistas". Os tucanos
também enxergavam razões subalternas em muitas das reportagens incômodas
publicadas pela revista durante os oito anos do governo FHC. Uma delas, em especial,
pareceu-lhes fruto de armações políticas feitas para minar
o então candidato do PSDB à Presidência e hoje prefeito de
São Paulo, José Serra. A reportagem em questão foi capa de
VEJA em maio de 2002, quando a campanha eleitoral que levaria Lula ao Planalto
estava nas ruas. Ela revelou o envolvimento de Ricardo Sérgio de Oliveira,
arrecadador de fundos para os tucanos, em um pedido milionário de propina.
VEJA reafirma aqui que não
escolhe suas reportagens investigativas com base em preferências partidárias
ou ideológicas e as publica porque a hipótese oposta, a de
engavetá-las, seria eticamente intolerável. A revista não
tem a intenção ou a vontade de que suas reportagens causem crises
políticas ou desestabilizem governos democráticos. Como sempre fez
em seus 37 anos de história, VEJA toma a decisão de publicar denúncias
tendo como único objetivo servir a seus leitores e ao interesse público.
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