Edição 1907 . 1° de junho de 2005

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Carta ao leitor
Nem golpe nem conspiração

 
Reportagens de VEJA que incomodaram os tucanos no passado: reações parecidas com as dos petistas

Muito se especulou entre políticos governistas sobre as motivações de VEJA ao publicar as recentes reportagens a respeito da corrupção em órgãos oficiais. O ministro José Dirceu disse que "beirava o golpismo" a reprodução por VEJA de uma frase dele sobre os perigos que corriam dois companheiros graduados do partido de ser pegos por uma CPI. A frase de Dirceu foi relatada a VEJA por dois petistas. Um é senador. O outro, deputado. A crise política deflagrada pelas revelações foi interpretada pelo ministro Aldo Rebelo como uma tentativa da "direita de desestabilizar governos democraticamente eleitos". Ainda mais dramático, o senador petista Aloizio Mercadante falou em uma "conspiração das elites contra o governo operário".

Reações desse teor são previsíveis nesses casos. Com certeza, não são inéditas. Fernando Collor, apeado da Presidência em 1992 por um processo de impeachment colocado a andar no princípio por denúncias feitas apenas por VEJA, definia-se como "alvo das elites paulistas". Os tucanos também enxergavam razões subalternas em muitas das reportagens incômodas publicadas pela revista durante os oito anos do governo FHC. Uma delas, em especial, pareceu-lhes fruto de armações políticas feitas para minar o então candidato do PSDB à Presidência e hoje prefeito de São Paulo, José Serra. A reportagem em questão foi capa de VEJA em maio de 2002, quando a campanha eleitoral que levaria Lula ao Planalto estava nas ruas. Ela revelou o envolvimento de Ricardo Sérgio de Oliveira, arrecadador de fundos para os tucanos, em um pedido milionário de propina.

VEJA reafirma aqui que não escolhe suas reportagens investigativas com base em preferências partidárias ou ideológicas – e as publica porque a hipótese oposta, a de engavetá-las, seria eticamente intolerável. A revista não tem a intenção ou a vontade de que suas reportagens causem crises políticas ou desestabilizem governos democráticos. Como sempre fez em seus 37 anos de história, VEJA toma a decisão de publicar denúncias tendo como único objetivo servir a seus leitores e ao interesse público.

 
 
 
 
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