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Edição 1 749 - 1° de maio de 2002
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Histórias do DP

Romance de ex-delegado
pinta a polícia como ela é

Marcelo Marthe

 
Claudio Rossi
Nogueira, em frente à delegacia onde trabalhava: tédio no plantão e tiras suspeitos

O mineiro Rubem Fonseca já não é um caso isolado de escritor brasileiro que atuou no passado como policial. Um novo nome acaba de ser acrescentado à categoria: o acreano Joaquim Nogueira, um ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo que passou a se devotar à literatura depois da aposentadoria, quatro anos atrás. É bom que se diga que Nogueira, de 61 anos, não é nem de longe um prosador tão afiado quanto o autor de A Confraria dos Espadas. Mas está estreando no ramo com um romance criminal bem competente. Informações sobre a Vítima (Companhia das Letras; 348 páginas; 29,50 reais) não fica nada a dever ao estilo telegráfico adotado por boa parte dos escritores nacionais do gênero. A diferença é que Nogueira descreve os bastidores das delegacias e do submundo do crime com mais conhecimento de causa. Sua história é ambientada num distrito em que ele próprio atuou, na Zona Norte paulistana. Lá trabalha o protagonista Venício, um tira honesto que decide investigar o assassinato de um colega e se decepciona ao descobrir que este era um canalha. Na visão do ex-delegado, a polícia não tem nada de santa. Há cenas de preguiça explícita no plantão, tortura no xadrez e tiras envolvidos com tráfico de cocaína e roubo. "O livro soaria falso se não mostrasse a realidade como ela é", explica Nogueira.

   
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