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Histórias
do DP
Romance de ex-delegado
pinta
a polícia como ela é
Marcelo
Marthe
Claudio Rossi
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| Nogueira,
em frente à delegacia onde trabalhava: tédio no plantão e tiras suspeitos
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O
mineiro Rubem Fonseca já não é um caso isolado de
escritor brasileiro que atuou no passado como policial. Um novo nome acaba
de ser acrescentado à categoria: o acreano Joaquim Nogueira, um
ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo que passou a se
devotar à literatura depois da aposentadoria, quatro anos atrás.
É bom que se diga que Nogueira, de 61 anos, não é
nem de longe um prosador tão afiado quanto o autor de A Confraria
dos Espadas. Mas está estreando no ramo com um romance criminal
bem competente. Informações sobre a Vítima
(Companhia das Letras; 348 páginas; 29,50 reais) não
fica nada a dever ao estilo telegráfico adotado por boa parte dos
escritores nacionais do gênero. A diferença é que
Nogueira descreve os bastidores das delegacias e do submundo do crime
com mais conhecimento de causa. Sua história é ambientada
num distrito em que ele próprio atuou, na Zona Norte paulistana.
Lá trabalha o protagonista Venício, um tira honesto que
decide investigar o assassinato de um colega e se decepciona ao descobrir
que este era um canalha. Na visão do ex-delegado, a polícia
não tem nada de santa. Há cenas de preguiça explícita
no plantão, tortura no xadrez e tiras envolvidos com tráfico
de cocaína e roubo. "O livro soaria falso se não mostrasse
a realidade como ela é", explica Nogueira.
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