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Ele
é o maior
Depois
de 25 anos sem gravar,
Nelson Freire mostra seu brilho
num CD dedicado a Chopin

Sérgio
Martins

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Quando
a tradicionalíssima gravadora Philips elegeu os maiores pianistas
clássicos do século XX, só um brasileiro figurou
na lista. Coube ao mineiro Nelson Freire, de 57 anos, a honra de dividir
o pódio com o russo Vladimir Horowitz, o austríaco Alfred
Brendel e a argentina Martha Argerich, entre tantas lendas do teclado.
Freire transita pelas principais salas de concerto do mundo há
quatro décadas. Mas fazia mais de 25 anos que ele não lançava
um CD de estúdio como solista. Os registros limitavam-se a discos
ao vivo ou a participações junto a orquestras e à
amiga Argerich. A hibernação termina nesta semana, com um
álbum dedicado às obras do polonês Frédéric
Chopin. Gravado num estúdio no interior da Inglaterra, ele traz
peças do polonês interpretadas com a notória categoria
de Freire. "Meu nível de exigência nunca permitiu que
eu registrasse algumas dessas obras antes", explica.
Freire
pertence a uma casta privilegiada do mundo erudito. Nascido na cidade
mineira de Boa Esperança, ele deu seu primeiro recital aos 4 anos.
Quando tinha 7, seu professor de piano o "devolveu" à
família: não havia mais nada que ele pudesse ensinar ao
aluno. Aos 12, Freire venceu o Primeiro Concurso Internacional de Piano
do Rio de Janeiro. Sua performance deixou os jurados tão entusiasmados
que lhe rendeu uma bolsa de estudo em Viena. Muitas qualidades distinguem
Freire de seus colegas de profissão. Uma delas é a sua maneira
de tocar. A título de exemplo, o canadense Glenn Gould, o maior
pianista do século passado, interpretava Bach e Beethoven de maneira
seca e racional. Horowitz era brilhante nas firulas que introduzia no
repertório romântico de Franz Liszt e Chopin. Freire, por
sua vez, tem a doçura exigida para o repertório romântico,
mas seu dedilhado é contido. "Quem me dera interpretar como
um Nelson Freire", suspira o russo Nikolai Lugansky, considerado
um dos jovens talentos do piano. A sobriedade de Freire o ajuda a executar
obras difíceis, como a Sonata de Liszt e a Fantasia Op.
17 de Robert Schumann, com a expressão serena de uma criança
martelando O Bife. "O esforço é bem maior do que aparenta",
brinca Freire.
O
novo lançamento do pianista é o seu primeiro pelo selo Decca,
outra marca de tradição. No repertório totalmente
dedicado a Chopin, destacam-se os desafiadores 12 Estudos Opus 25.
Jovens instrumentistas costumam pinçar essa peça para exibir
sua destreza. Na versão de Freire, não há afobação.
Ele apara os excessos da obra, sem alterar-lhe os andamentos: apenas dá
chance para que se saboreie cada nota. O pianista retorna aos estúdios
ainda neste ano para lançar outro disco pela Decca. E, em agosto,
será exibido no canal por assinatura GNT um documentário
sobre a sua obra, com direção de João Moreira Salles.
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