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Igreja Católica
No artigo "O crepúsculo
de um papa" (24 de abril), o senhor Mario Sabino se interroga
sobre as condições de João Paulo II seguir governando
a Igreja, no momento em que surge nova crise. Cita a fragilidade da saúde
do papa como principal motivo dessa dúvida. Seria o caso de perguntar
se a dúvida não nasce exatamente não da fragilidade,
mas da extraordinária fortaleza desse homem de quase 82 anos, alquebrado
fisicamente, mas de vigor moral e intelectual ímpar. Nesta época
em que os erros pessoais são escondidos sob o disfarce de "conseqüências
dos tempos", o papa propõe que saibamos pedir perdão voltando
a nos confessar. Quando
o papa era jovem, resplandecia naturalmente seu vigor físico, sua
energia, sua vibração. Agora, no crepúsculo de uma
vida santa, plenamente vivida, como resplandece seu vigor espiritual!
Concordo com a afirmação: "Não fosse o papa um homem
de extraordinária energia física e espiritual, já
teria sucumbido (...)". Rezemos por ele! Tenho
29 anos, fui coroinha e trabalhei toda a minha infância ao lado
de padres. Nunca fui assediado. Ao contrário, fundamento minha
formação como homem e como cidadão nessa convivência
e em todos os ensinamentos que obtive do testemunho de vida e de fé
desses padres. É
lamentável que as principais autoridades da Igreja ainda tentem
acobertar as atrocidades que seus sacerdotes cometem ("Uma
mancha no coração da Igreja", 24 de abril). A
capa da edição 1748 de VEJA é um marco histórico:
pela primeira vez a Igreja Católica, que presidiu durante quase
um milênio o mais sinistro tribunal da história humana, ocupa
o banco dos réus. Parabéns
a VEJA pela seriedade. Nós, católicos que amamos nossa Igreja,
embora não devamos concordar, muito menos acobertar fatos tão
lamentáveis, cujos autores merecem punição, temos
a obrigação de rezar continuamente ao Senhor da messe, para
que envie santos sacerdotes. Devemos também pedir a Deus por todos
os padres e bispos que se envolveram em atos tão deploráveis,
para que eles se arrependam, curem-se de seus males e voltem ao ministério
sagrado, se for da vontade de Deus. Acredito
que a reportagem de capa vem em momento bastante oportuno para trazer
às claras o que há por trás do voto de castidade
e da instituição chamada Igreja Católica Apostólica
Romana, que obriga seu sacerdote a viver abstêmio de sexo, pois
o celibato é imposição doutrinária da Igreja
de Roma, e não ordenança divina. Lemos na Bíblia
que "fiel é esta palavra: se alguém aspira ao episcopado,
excelente obra deseja. É necessário, pois, que o bispo seja
irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio,
honesto, hospitaleiro, apto para ensinar". Os
problemas sexuais dentro da Igreja são antigos. No Sínodo
de Nantes, em 658 da era cristã, os próprios bispos já
mencionavam ter conhecimento da ocorrência de relações
incestuosas entre padres, suas mães e irmãs. É preciso
que o Vaticano encare com coragem a questão do celibato imposto
a seus padres.
Muito interessante a entrevista "Fora do mapa" (Amarelas, 24 de abril).
Os países latino-americanos, principalmente o Brasil, não
podem mais deixar que sua economia seja prejudicada por medidas protecionistas,
salvaguardas e subsídios concedidos pelo governo americano. A formação
da Alca será de suma importância para o comércio exterior,
desde que todos os países saibam negociar de maneira justa e diplomática. Os
conhecimentos sobre relações internacionais do conselheiro
do Banco Mundial para a América Latina, Peter Hakim, são
notáveis. Essencialmente quando afirma que a política americana
necessita ter como sustentáculo a economia, com sólido apoio
ao fortalecimento das instituições democráticas e
livre-comércio. Seus argumentos representam a semente para um futuro
promissor na integração entre países.
Tive o prazer de ver divulgado para o Brasil o que eu gostaria de dizer
ao mundo. No meu Estado existem algumas santas iguais à sua amiga
(irmã Lina), pessoas que vieram a este mundo apenas para dar amor,
carinho, vida ("Minha amiga, a irmã Lina", Ponto de vista, 24 de
abril). Muito
lúcido e oportuno o artigo de Stephen Kanitz. Pode-se dizer, sem
sombra de dúvida, que Kanitz é hoje uma das mentes mais
lúcidas quando se fala de voluntariado e de filantropia.
A governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, "foi a primeira mulher
negra a ser eleita senadora", mas não "a primeira a tomar posse
no cargo", cuja primazia coube à médica negra, baiana de
nascimento e radicada no Acre, Laélia Alcântara, que, sendo
suplente, assumiu sua cadeira em 1981 como representante daquele Estado
no Senado ("A saga de uma vencedora", 17 de abril).
Em referência à nota "Caixinha à vista", publicada
na coluna Radar (24 de abril), informo que a fonte que transmitiu a informação
foi leviana quando procurou envolver o ex-governador Garibaldi Alves Filho
nas investigações que estão sendo realizadas pelo
Ministério Público, sobre a atuação de uma
associação de empresários da construção
civil. Os promotores não citaram o nome de agentes públicos
e, em reiteradas entrevistas, até os excluem de envolvimento nas
supostas irregularidades.
Muito oportuna a reportagem sobre a ascensão do candidato Luís
Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais ("O brilho da estrela",
24 de abril). Os fatos comprovam o amadurecimento não só
de Lula, mas do Partido dos Trabalhadores, que, em vez de adotar o discurso
do radicalismo, procura apresentar-se à sociedade como uma alternativa
ao neoliberalismo do atual governo. O povo está cansado de promessas,
cobra ética e transparência e dá mostras de que finalmente
chegou a hora do PT. Pena
que grande parte da população não tem percebido que
o eterno candidato do PT está apenas maquiando sua imagem, orientado
por marqueteiros profissionais, visando exclusivamente às próximas
eleições. Se alçado ao poder, cairia a farsa e teríamos,
todos, de engolir o mesmo Lula de sempre: rude, com afeição
a atos de violência à propriedade e movido por anacrônicas
ideologias, o que certamente colocaria o país na contramão
da história por algumas décadas. Ainda há tempo de
acordar!
Não obstante a vitória da democracia, com o retorno de Hugo
Chávez ao poder na vizinha Venezuela, espera-se que em nosso país
o eleitorado do próximo pleito saiba identificar e boicotar os
candidatos de estilos como o do coronel, populacheiros que, interesseiramente,
iludem o povo com promessas ("O coronel voltou", 24 de abril).
Sobre a matéria "Preparar, apontar..." (24 de abril), que relata
execuções de criminosos na China, acho exagerada a citação
de que órgãos como os rins sejam retirados dos presos executados
para a venda no mercado negro de transplantes. Esse órgão
somente é viável para transplante quando é retirado
com técnica apurada e em ambiente cirúrgico, imediatamente
após a morte do doador, e logo implantado no receptor. Avaliação
clínica prévia do doador é obrigatoriamente feita
com o intuito de investigar doenças malignas ou infecciosas. Essas
características tornam inverídica, ou no mínimo difícil,
a utilização de rins de presos chineses executados, como
vemos na reportagem. Se
no Brasil o Poder Judiciário mudasse tudo o que está aí,
traficantes, assassinos, ladrões comuns e de colarinho-branco pensariam
pelo menos duas vezes antes de cometer crimes. Que a China não
se deixe envolver por ONGs demagógicas e pressões de países
onde reina a criminalidade (e o nosso é campeão disso).
Eu os invejo, pois vocês mostram o que é certo. Como
os outros governos preferem não se envolver, nós como seres
humanos nunca deveríamos consumir produtos oriundos da China, essa
nação bárbara. A partir desta data, nenhum artigo
"made in China" será consumido por mim nem por minha família.
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