Carta ao Leitor
A lei vale para todos
Sebastião
Moreira/AE
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A primeira prisão, em 2005
(foto).
O Brasil ganharia se contra os corruptos do mundo oficial
fosse usado o mesmo rigor que levou à condenação da dona
da Daslu |
A empresária paulista Eliana Tranchesi, dona da Daslu,
sacerdotisa da moda para os ricos e poderosos de todas as
regiões do Brasil, não pode ser demonizada como
o símbolo da desigualdade e da injustiça social
no país. Eliana foi condenada por uma série
de crimes relacionados com a importação fraudulenta
de produtos de luxo, que resultaram na sonegação
de mais de 600 milhões de reais. Ela foi presa na semana
passada e recolhida a uma penitenciária em São
Paulo. Seu irmão e o principal importador da Daslu
também foram presos, acusados dos mesmos crimes. Eliana
e seus sócios, porém, devem ser punidos apenas
por seus desvios de conduta. É preciso desestimular
as tentativas de enxergar na punição da dona
da Daslu uma condenação também a todos
aqueles que, apenas por desfrutar uma boa situação
material, parecem aos olhos do populismo rasteiro cidadãos
privilegiados e inimputáveis. A caça aos ricos
é uma tentação suicida que, como demonstra
a história, só produz mais miséria moral,
política, econômica e social.
Deve-se refrear
também o impulso de ver no comércio de artigos
caros e requintados apenas mais uma demonstração
viciosa das classes abastadas. As pessoas que fabricam e vendem
essas mercadorias, desde que respeitem as leis, são
cidadãos tão úteis à comunidade
quanto quaisquer outros. Como toda indústria, a do
luxo cria empregos, produz riqueza e qualifica a mão
de obra e permite que as pessoas exerçam sua
liberdade individual também na maneira como dispõem
de seu dinheiro. Se a condenação de Eliana Tranchesi
a 94 anos e seis meses de prisão tem algum significado
maior fique ela efetivamente presa ou não ,
é o de marcar, talvez, o fim da era em que os ricos
e com boas conexões em Brasília podiam tocar
seus negócios livres dos impostos, fora do alcance
das leis e ao arrepio de todas as regras comerciais, em prejuízo
flagrante para os concorrentes e, consequentemente,
para o bom funcionamento da economia de mercado. O Brasil
daria também um passo gigantesco na luta contra os
que roubam dinheiro público se aos corruptos do mundo
oficial fosse dispensada a mesma e diligente orquestração
de esforços de polícia e Justiça que
levou à condenação e prisão da
dona da Daslu.