Edição 1945 . de março de 2006

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CINEMA

Divulgação
ABC do Amor: paixonite infantil e homenagem a Woody Allen


ABC do Amor
(Little Manhattan,
Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Essa deliciosa estréia na direção de Mark Levin, o roteirista de Wimbledon, está sendo apresentada como uma comédia infantil, mas é provável que os espectadores crescidos a apreciem ainda mais. Gabe (o ótimo Josh Hutcherson) era um menino contente: jogava futebol com o pai, brincava com os amigos e passeava quanto quisesse por uma pequena área de seu bairro em Nova York. Aí Gabe conheceu Rosemary, mais experiente e mais velha (ela já tem 11 anos, ele ainda não chegou lá), e tudo o que o fazia feliz antes deixou de ter graça. Escrito com capricho pelo próprio Levin, o filme homenageia as comédias de Woody Allen com a mesma graça do modelo original – mas em versão mirim, e sem neuroses. Veja cenas.

 

DVD

A Testemunha (Witness, Estados Unidos, 1985. Paramount) – À parte a trilogia Indiana Jones, Harrison Ford nunca interpretou outro personagem tão arrebatador quanto o detetive de homicídios John Book: isolado numa comunidade religiosa amish para proteger um menino que testemunhou um crime, Book terá de arrumar um jeito de sobreviver nesse ambiente. Isso significa despir sua carapaça de cinismo e tentar não ferir além da conta as sensibilidades de seus anfitriões. Quanto mais ele se revela, porém, mais a recatada viúva Rachel (Kelly McGillis) fraqueja, abrindo a porta para um romance que pode ser desastroso. A trilha de Maurice Jarre ficou datada, mas o filme não – uma prova do talento do diretor australiano Peter Weir, que tem dois outros bons trabalhos, Gallipoli e O Show de Truman, chegando ao DVD.

 

LIVROS

O Último Leitor, de David Toscana (tradução de Ana Lúcia Pelegrino e Magali Pedro; Casa da Palavra, 160 páginas; 29 reais) – Lucio, o bibliotecário da pequena Icamole, no México, é o único habitante do lugarejo a apreciar os livros que conserva, pois ninguém mais na cidade se interessa por literatura. Ele até se dá ao luxo de criar uma classificação muito pessoal para o acervo, dividindo-o em duas categorias: livros bons e ruins. Seu filho, Remigio, encontra uma menina morta no poço de seu quintal. Temeroso de ser acusado pela morte, ele pede ajuda ao pai para ocultar o cadáver. Com essa história insólita, o mexicano David Toscana – um dos nomes mais aclamados da nova geração de escritores latino-americanos – reflete sobre as relações entre a literatura e a morte. Leia trecho.

O Faz-Tudo, de Bernard Malamud (tradução de Maria Alice Máximo; Record; 400 páginas; 45,90 reais) – Embora não tão conhecido quanto Philip Roth ou Saul Bellow, o contista e romancista Bernard Malamud (1914-1986) é uma das grandes vozes judaicas da literatura americana. Publicado em 1966 e reconhecido com os prêmios Pulitzer e National Book Award, O Faz-Tudo narra a história de Iákov Bok, um judeu que ganha a vida fazendo serviços gerais em Kiev, na Ucrânia, em 1911. Ele acaba sendo injustamente acusado do assassinato de um menino de 12 anos – uma acusação que remetia a fantasiosas histórias de rituais judaicos nos quais se empregava sangue de crianças cristãs. Inspirado em eventos reais, o romance é um poderoso retrato do anti-semitismo europeu no início do século XX. Leia trecho.

O Segredo de Brokeback Mountain, de Annie Proulx (tradução de Adalgisa Campos da Silva; Intrínseca; 72 páginas; 22,90 reais) – A americana Annie Proulx já ganhou o Prêmio Pulitzer com o romance Chegadas e Partidas, mas o interesse por sua obra nunca foi tão intenso quanto agora, graças ao sucesso do filme baseado no seu conto O Segredo de Brokeback Mountain. É a melancólica história de dois caubóis que vivem uma paixão homossexual quando trabalham juntos no pastoreio de ovelhas – uma relação quase impossível no meio em que os personagens vivem. A presente edição traz apenas o texto que deu origem ao filme. O leitor mais paciente talvez prefira esperar pelo lançamento, previsto para o segundo semestre, da coletânea Close Range, na qual o conto figurava originalmente.

 

DISCOS

Curious George, Jack Johnson (Universal) – O cantor nascido no Havaí é formado em cinema – e foi cuidando da trilha sonora de um filme que ele mergulhou na música. Depois de fazer sucesso com os álbuns On and On (2003) e In Between Dreams (2005), Johnson volta às origens com esse CD, o mais alegre e bem-humorado de sua carreira. As canções de Curious George foram feitas especialmente para o longa de animação homônimo, que acaba de estrear nos Estados Unidos e fala das aventuras de um macaco de estimação e seu dono. A primeira faixa do disco, Upside Down, é marcada pela percussão, e a introdução de People Watching faz pensar nos Beatles. With My Own Two Hands tem participação do cantor e guitarrista Ben Harper – idolatrado, como Johnson, pelos fãs dos esportes radicais e de um estilo de vida "relax".

At This Time, Burt Bacharach (Sony/ BMG) – Aos 78 anos, o maestro Burt Bacharach resolveu estrear em um novo papel: o de letrista. Criador de melodias e arranjos antológicos como os de Raindrops Keep Falling on My Head, do filme Butch Cassidy and Sundance Kid, ele solta o verbo nesse novo disco, falando até de política. Who Are These People esboça uma crítica ao governo americano, enquanto Where Did It Go deplora a violência. Mas a música, como sempre, é suave. São canções que podem servir de fundo a um jantar, porque elas nunca agridem o ouvido, mas que também merecem ser ouvidas com atenção. Seu refinamento é maior do que o de qualquer "novidade" da lounge music.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Saraiva, Leitura; Recife: Saraiva, Cultura; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Submarino.
 
 
 
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