|
|
VEJA Recomenda
CINEMA
Divulgação
 | | ABC
do Amor: paixonite infantil e homenagem a Woody Allen |
ABC do Amor (Little Manhattan, Estados Unidos,
2005. Estréia nesta sexta-feira no país) Essa deliciosa estréia
na direção de Mark Levin, o roteirista de Wimbledon, está
sendo apresentada como uma comédia infantil, mas é provável
que os espectadores crescidos a apreciem ainda mais. Gabe (o ótimo Josh
Hutcherson) era um menino contente: jogava futebol com o pai, brincava com os
amigos e passeava quanto quisesse por uma pequena área de seu bairro em
Nova York. Aí Gabe conheceu Rosemary, mais experiente e mais velha (ela
já tem 11 anos, ele ainda não chegou lá), e tudo o que o
fazia feliz antes deixou de ter graça. Escrito com capricho pelo próprio
Levin, o filme homenageia as comédias de Woody Allen com a mesma graça
do modelo original mas em versão mirim, e sem neuroses. Veja
cenas. DVD A
Testemunha (Witness, Estados Unidos, 1985. Paramount) À
parte a trilogia Indiana Jones, Harrison Ford nunca interpretou outro personagem
tão arrebatador quanto o detetive de homicídios John Book: isolado
numa comunidade religiosa amish para proteger um menino que testemunhou um crime,
Book terá de arrumar um jeito de sobreviver nesse ambiente. Isso significa
despir sua carapaça de cinismo e tentar não ferir além da
conta as sensibilidades de seus anfitriões. Quanto mais ele se revela,
porém, mais a recatada viúva Rachel (Kelly McGillis) fraqueja, abrindo
a porta para um romance que pode ser desastroso. A trilha de Maurice Jarre ficou
datada, mas o filme não uma prova do talento do diretor australiano
Peter Weir, que tem dois outros bons trabalhos, Gallipoli e O Show de
Truman, chegando ao DVD. LIVROS O
Último Leitor, de David Toscana (tradução de Ana
Lúcia Pelegrino e Magali Pedro; Casa da Palavra, 160 páginas; 29
reais) Lucio, o bibliotecário da pequena Icamole, no México,
é o único habitante do lugarejo a apreciar os livros que conserva,
pois ninguém mais na cidade se interessa por literatura. Ele até
se dá ao luxo de criar uma classificação muito pessoal para
o acervo, dividindo-o em duas categorias: livros bons e ruins. Seu filho, Remigio,
encontra uma menina morta no poço de seu quintal. Temeroso de ser acusado
pela morte, ele pede ajuda ao pai para ocultar o cadáver. Com essa história
insólita, o mexicano David Toscana um dos nomes mais aclamados da
nova geração de escritores latino-americanos reflete sobre
as relações entre a literatura e a morte. Leia
trecho.
O
Faz-Tudo, de Bernard Malamud (tradução de Maria Alice Máximo;
Record; 400 páginas; 45,90 reais) Embora não tão conhecido
quanto Philip Roth ou Saul Bellow, o contista e romancista Bernard Malamud (1914-1986)
é uma das grandes vozes judaicas da literatura americana. Publicado em
1966 e reconhecido com os prêmios Pulitzer e National Book Award, O Faz-Tudo
narra a história de Iákov Bok, um judeu que ganha a vida fazendo
serviços gerais em Kiev, na Ucrânia, em 1911. Ele acaba sendo injustamente
acusado do assassinato de um menino de 12 anos uma acusação
que remetia a fantasiosas histórias de rituais judaicos nos quais se empregava
sangue de crianças cristãs. Inspirado em eventos reais, o romance
é um poderoso retrato do anti-semitismo europeu no início do século
XX. Leia
trecho.
O
Segredo de Brokeback Mountain, de Annie Proulx (tradução
de Adalgisa Campos da Silva; Intrínseca; 72 páginas; 22,90 reais)
A americana Annie Proulx já ganhou o Prêmio Pulitzer com o
romance Chegadas e Partidas, mas o interesse por sua obra nunca foi tão
intenso quanto agora, graças ao sucesso do filme baseado no seu conto O
Segredo de Brokeback Mountain. É a melancólica história
de dois caubóis que vivem uma paixão homossexual quando trabalham
juntos no pastoreio de ovelhas uma relação quase impossível
no meio em que os personagens vivem. A presente edição traz apenas
o texto que deu origem ao filme. O leitor mais paciente talvez prefira esperar
pelo lançamento, previsto para o segundo semestre, da coletânea Close
Range, na qual o conto figurava originalmente.
DISCOS
Curious
George, Jack Johnson (Universal) O cantor nascido no Havaí
é formado em cinema e foi cuidando da trilha sonora de um filme
que ele mergulhou na música. Depois de fazer sucesso com os álbuns
On and On (2003) e In Between Dreams (2005), Johnson volta às
origens com esse CD, o mais alegre e bem-humorado de sua carreira. As canções
de Curious George foram feitas especialmente para o longa de animação
homônimo, que acaba de estrear nos Estados Unidos e fala das aventuras de
um macaco de estimação e seu dono. A primeira faixa do disco, Upside
Down, é marcada pela percussão, e a introdução
de People Watching faz pensar nos Beatles. With My Own Two Hands tem
participação do cantor e guitarrista Ben Harper idolatrado,
como Johnson, pelos fãs dos esportes radicais e de um estilo de vida "relax".
At
This Time, Burt Bacharach (Sony/ BMG) Aos 78 anos, o maestro Burt
Bacharach resolveu estrear em um novo papel: o de letrista. Criador de melodias
e arranjos antológicos como os de Raindrops Keep Falling on My Head,
do filme Butch Cassidy and Sundance Kid, ele solta o verbo nesse novo disco,
falando até de política. Who Are These People esboça
uma crítica ao governo americano, enquanto Where Did It Go deplora
a violência. Mas a música, como sempre, é suave. São
canções que podem servir de fundo a um jantar, porque elas nunca
agridem o ouvido, mas que também merecem ser ouvidas com atenção.
Seu refinamento é maior do que o de qualquer "novidade" da lounge music.
|