Edição 1945 . de março de 2006

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Sacrilégio pop

South Park irrita católicos.
E também Tom Cruise


Divulgação
South Park: liberdade de expressão

Nas últimas semanas, o desenho animado South Park, célebre pelo humor virulento, suscitou duas polêmicas em torno do princípio da liberdade de expressão. Uma delas envolveu o ator Tom Cruise. Ele se irritou com um episódio em que é caricaturado como gay enrustido. No desenho, Cruise se tranca num armário, enquanto vários personagens tentam trazê-lo para fora. "Isso já durou demais, Tom. Saia agora", pedem eles. Na outra polêmica, os católicos da Nova Zelândia se indignaram com um desenho em que uma estátua da Virgem Maria verte sangue. No episódio, o papa Bento XVI investiga o fenômeno. Numa seqüência grotesca, ele se ajoelha diante da imagem e olha sob sua túnica. Com o rosto ensangüentado, conclui que não há milagre. "Isso acontece com todas as mulheres", diz.

Para defender-se, Tom Cruise ameaçou os produtores de South Park com um pesado processo. Teve sucesso parcial: a exibição do desenho que o satirizava foi cancelada na Inglaterra. Os bispos neozelandeses adotaram outra estratégia. No último dia 19, divulgaram uma carta aberta em que pediam aos fiéis – e aos anunciantes – um boicote ao canal C4, que exibe a série naquele país. Conseguiram muitas adesões – mas não impediram que o desenho fosse ao ar. Ao contrário do que aconteceu no episódio recente das charges do profeta Maomé, em nenhuma das situações houve violência. Entre boicotes e medidas legais, lidou-se com os dois casos à maneira democrática – e ocidental.

 

 
 
 
 
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