|
|
Guia
e-CPF
Como funciona a assinatura digital

Monica Weinberg
A partir da próxima semana, quando se
inicia o prazo para a entrega da declaração do imposto
de renda, os brasileiros terão a opção de utilizar
uma ferramenta tecnológica já disseminada em países
da Europa e nos Estados Unidos e que só recentemente
começou a ser aplicada no Brasil: trata-se da certificação
digital, ou e-CPF. Ela funciona como uma senha individual para acessar
serviços virtuais. Sua inviolabilidade é garantida
por complexas operações matemáticas que envolvem
até 2 000 dígitos e permitem trilhões de combinações
(veja o quadro "Código
(até agora) infalível"). Por essa razão,
o certificado digital representa um avanço em duas frentes:
ele confere segurança às informações
que trafegam na rede que não correm mais risco de
ser interceptadas e garante a autenticidade dos documentos
virtuais, uma vez que a assinatura digital não deixa dúvidas
sobre quem os enviou.
Estima-se que meio milhão de brasileiros
possuam um e-CPF entre empresas e pessoas físicas.
Segundo treze analistas ouvidos por VEJA, esse número deve
triplicar, nos próximos três anos, por um motivo simples:
o custo da tecnologia tende a cair. Os especialistas também
listaram as seis áreas em que o e-CPF é mais empregado
no Brasil e falaram sobre seus efeitos concretos em cada situação
para a vida das pessoas e de empresas e órgãos
públicos. Eis o resultado:
RECEITA FEDERAL
Uso
do certificado digital: ele dá acesso a uma espécie
de caixa postal, por meio da qual o contribuinte com o e-CPF recebe
mensagens da Receita sobre os trâmites de sua declaração.
Com isso, erros que emperram a devolução de dinheiro
serão logo identificados e poderão ser corrigidos
on-line o que fará agilizar o processo. Outro serviço
disponível é o e-cac, centro virtual de atendimento
aos contribuintes com assinatura eletrônica (no site www.receita.fazenda.com.br).
Ele permite corrigir erros no preenchimento de comprovantes de pagamento,
fazer procurações e solicitar o parcelamento de dívidas
tudo de casa. Até agora, o uso do e-CPF, implantado
pela Receita no ano passado, se limitava a poucos serviços
burocráticos.
PROCEDIMENTOS BUROCRÁTICOS
Uso do certificado digital: dispensa
a visita ao cartório em diversas situações,
como por exemplo para autenticar contratos de compra e venda de
imóveis, validar documentos de concorrência pública
e oficializar autorizações para a viagem de menores
desacompanhados. Com o e-CPF, esse tipo de burocracia pode ser resolvido
em um dos cartórios eletrônicos (a lista completa deles
está no site www.cartorio24horas.com.br).
COMÉRCIO ELETRÔNICO
Uso do certificado digital: do ponto
de vista do comprador, o fato de uma empresa virtual possuir uma
assinatura digital confere credibilidade ao negócio efetuado
na internet. Isso pode fomentar o comércio eletrônico,
cujos números no Brasil são considerados minguados
na comparação internacional. Outro ponto positivo
é que o cliente não precisa mais digitar seus dados
cadastrais a cada nova compra (isso no caso de ele e a empresa em
questão possuírem uma assinatura digital). Nessas
mesmas condições, o certificado também dá
garantia de que as informações relativas ao negócio
efetuado na internet não serão interceptadas.
E-MAIL
Uso
do certificado digital: ele garante que a identidade do remetente
seja verdadeira. Ao clicar sobre o ícone referente à
assinatura digital (um brasão), a pessoa que recebeu a tal
mensagem pode checar informações como o nome e o CPF
de quem a enviou. No caso de empresas, dados como o nome e o CNPJ
também aparecem na tela. Isso confere confiabilidade ao documento
enviado. O sistema oferece ainda um serviço em que é
possível criptografar o texto. Trata-se de ferramenta útil
para a troca de informações confidenciais. Nenhum
técnico especializado em informática nem mesmo
um hacker consegue ler o conteúdo de uma mensagem
desse tipo. Com o certificado digital, tem-se ainda a segurança
de que a mensagem não contém vírus.
JUSTIÇA
Uso do certificado digital: ele torna
possível que os processos tramitem pelas várias instâncias
jurídicas por meio da internet. Como a assinatura digital
dá garantia de autenticidade aos documentos, deixa de ser
necessário copiá-los a cada vez que mudam de setor
na Justiça. No Rio Grande do Sul, onde o sistema foi implantado
em 2004, os resultados positivos são mensuráveis:
a Justiça do estado ganhou agilidade e passou a julgar 30%
mais ações além de economizar 750 000
reais em papel, no ano passado. No Superior Tribunal de Justiça
(STJ), também se credita à certificação
digital um peso importante na redução do tempo para
julgamento de um recurso: de três anos para cinco meses, em
média.
BANCOS
Uso
do certificado digital: sua utilização no Brasil
até hoje foi restrita a pessoas jurídicas. Como todos
os bancos possuem a assinatura digital, ela dá uma garantia
a mais para que as transações entre eles transcorram
com segurança. Outro uso bastante disseminado é no
caso de contratos de câmbio. Os bancos agilizam a liberação
da moeda estrangeira quando o comprador possui o e-CPF, uma vez
que a operação prescinde de uma assinatura no papel.
O sistema ainda não se estendeu a pessoas físicas
apenas por uma razão: o setor discute quem vai pagar a conta
pelo acesso ao benefício os bancos ou os clientes.
A exceção é um projeto-piloto que o Banco do
Brasil lança em março, no qual 1 000 correntistas
ganharão um cartão digital para fazer operações
no computador de casa com mais segurança.
|
Eles têm o certificado
Nélio Rodrigues/1º
Plano
 |
MAURÍCIO LEONARDO, 49 anos, tabelião
Como o e-CPF o beneficiou:
comprou um caminhão para sua fazenda sem sair
de casa. Achou o modelo em um site e, ao entrar em contato
com a loja, descobriu que poderia fazer o negócio
por meio da internet porque dispunha de certificação
digital
Lailson dos Santos
 |
LONGINUS TIMOCHENCO, 34 anos, analista de sistemas
Como o e-CPF o beneficiou:
ele passou a usar a assinatura digital na empresa em
que trabalha como especialista em segurança de
rede. Isso acelerou os contratos firmados com outras
companhias que também possuem a certificação
e representou economia em papel e em gastos com motoboy
Fabiano Accorsi
 |
PATRÍCIA PAIVA, 37 anos, empresária
Como o e-CPF a beneficiou:
ela queria alugar um apartamento, mas havia se separado
e ainda aparecia como casada no CPF. Para alterar os
dados, teria de entrar em contato com a Receita Federal,
que estava em greve. Com a assinatura digital, fez as
alterações pela internet e fechou
o contrato de aluguel
|
|
|