Edição 1945 . de março de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"O senhor Tubo de Imagem está muito orgulhoso dos netos Plasma e LCD. Só temos de agradecer os bons serviços do vovô."
Roberto Szabunia
Joinville, SC

TV digital

A reportagem de capa "Plasma ou LCD? Como será sua próxima televisão" (22 de fevereiro) mostra com clareza as vantagens e as desvantagens dos tipos de televisores existentes no mercado, bem como a "guerra" travada nos bastidores – aliada à típica indecisão do governo Lula – para a escolha da tecnologia que será adotada para a TV digital.
José Leal Narciso
Joinville, SC

O sistema americano de TV digital é mais adequado para a transmissão a cabo; o sistema japonês não foi adotado por nenhum outro país, nem mesmo por seus vizinhos asiáticos. O sistema europeu já conta com a adesão de 57 países. Será que, mais uma vez, vamos fazer besteira, como já aconteceu com o sistema de TV em cores, com a reserva de mercado na informática e com a telefonia móvel? Pelo visto, sim.
Paulo J. Carvalho
Florianópolis, SC

Troco a alta qualidade de imagem e som por qualidade mediana na programação de nossa TV.
Luciano Ovidio de Oliveira
Itajubá, MG

Plasma ou LCD? Não sei! Ainda faço parte dos 99% da população brasileira que nem pensou que essa seria uma grande dúvida. No momento, estou mais interessado em saber sobre a gripe aviária.
Germano Soares Baía
São Paulo, SP

Não ficou claro para mim qual sistema comprar, mas ficou claro que não devo comprar nada enquanto o governo não decidir o sistema a ser implantado, americano, europeu ou japonês.
Fausto Iorio Adami
Por e-mail

 

John Casablancas

Compreendi perfeitamente o assunto abordado na entrevista "A fera das belas" (Amarelas, 22 de fevereiro), com o senhor John Casablancas, uma vez que tenho uma filha modelo. Atualmente, ela mora em São Paulo e já fez vários trabalhos interessantes. Entretanto, sei que poderia estar mais bem posicionada profissionalmente. Estou falando da mesma forma como o senhor John Casablancas falou sobre as mães, mas não tem outro jeito. Sou mãe e me preocupo com tudo o que acontece com minha filha.
Elisete Lutz
Por e-mail

Puxa, vocês entrevistaram John Casablancas e só lhe perguntaram da Gisele, não perguntaram sobre o filho do John, o Julian Casablancas, vocalista da superbanda The Strokes.
Liliane Tavares
Rio de Janeiro, RJ

Esse homem deveria ser preso por empregar menores. Catorze ou 16 anos, não importa, trata-se de crianças e deveriam estar na escola. Em outras profissões elas não podem trabalhar, mas como modelos podem. É por isso que alguns desfiles da São Paulo Fashion Week me pareceram uma coisa grotesca. Eram roupas feitas para adultos sendo mostradas por crianças. Pareciam meninas brincando de vestir a roupa da mãe.
Eliana Morais Martins Brancaglion
Belo Horizonte, MG

 

Veja essa

Erro providencial o de VEJA, que erra propositadamente e assume seus erros, enquanto o maior "humorista sem graça" dessa nação, o senhor Lula, vem com frases banais para justificar amigos corruptos. Errar é o que seus eleitores fizeram (Veja essa, 22 de fevereiro).
Renato Queiroz
Bebedouro, SP

Ninguém precisa se penalizar por ter votado em Lula. Errar é humano.
Marcus Alexandre
Brasília, DF

 

Carnaval

Corrigindo meu colega leitor Pablo Rossi (Cartas, 8 de fevereiro), admirador do samba como eu, gostaria de registrar que, segundo o livro As Escolas de Samba do Rio de Janeiro, de Sérgio Cabral, a escola de samba mais antiga é a Deixa Falar. A Estação Primeira de Mangueira foi fundada alguns meses depois. A escola que criou o samba-enredo foi a Unidos da Tijuca, no primeiro desfile de escolas de samba, realizado em 1933, conforme conta a obra: "Foi a primeira escola a cantar um samba de acordo com o enredo apresentado". Ainda nesse desfile, a Mangueira já trazia uma comissão de frente "vestida a rigor que pedia passagem para a escola apresentar o seu enredo", como também narra o livro de Sérgio Cabral. O mesmo livro apresenta uma foto de Benedito Trindade, mestre-sala da Deixa Falar, em 1932. Nunca li nem soube de nada que comprove tais fatos relacionados à tradição mencionada da Portela.
Christiane Sá
Rio de Janeiro, RJ

 

José Carlos Blat

Surpreendeu-me o teor da matéria sobre o promotor José Carlos Blat, que, até agora, gozava, entre o grande público, a fama de ser uma pessoa idônea ("Intocável sob suspeita", 15 de fevereiro). Mas o que mais me surpreendeu mesmo foi a declaração de que pretende se candidatar a deputado federal. Será que, agora, esse cidadão acredita que preencheu os pré-requisitos para fazer parte daquela Casa? Ou será que, devido à sujeirada que tem resvalado daquela Casa por toda a nação, ele a está confundindo com a casa-da-mãe-joana?
Paulo Ruas
São Paulo, SP

 

Carmem Verônica

Fiquei surpreso com a matéria "Retorno triunfal" (15 de fevereiro). Admito: não sou fã de novelas. Contudo, não dá para ser neutro quando vejo que, entre os escalados, figuram nomes como Fernanda Montenegro, Carmem Verônica, Íris Bruzzi, Serafim Gonzalez, Lima Duarte e Ítalo Rossi. Em outro horário temos Ankito, Nicete Bruno, Elizabeth Savala, Hilda Rebello, Neusa Maria Faro, Fulvio Stefanini e Ana Lucia Torre. A pura nata da teledramaturgia brasileira nos oferece momentos de inegável qualidade e nos faz perceber quantos ainda terão de se esforçar muito até ser realmente bons atores. Se não aprenderem com eles, com quem irão aprender?
Carlos G. Correa
Niterói, RJ

 

Lya Luft

A escritora Lya Luft vai direto na ferida no artigo "Irresponsáveis e incompetentes" (Ponto de vista, 22 de fevereiro). Há pais que têm uma quase preguiça de cuidar de filhos, que exigem, como diz Lya, tempo e responsabilidade. Exigem mais: que se abra mão de acordar e dormir tarde, daquele jantar ou da balada com os amigos, do cansaço ou da vontade, e da falta de vontade, muitas vezes. Exigem que se tenha grande dose de paciência, energia e constância.
Cristina Azevedo
Florianópolis, SC

Bons tempos aqueles em que os conflitos de gerações não produziam filhos que matam os pais e vão à praia pouco depois. Concordo com a Lya sobre as modernas "teorias de como fazer", que, até agora, só se mostraram eficazes para tirar dos pais a noção de limite e dos filhos o senso de valorização de liberdades e conquistas.
Rosana Puga de Moraes Martinez
Campo Grande, MS

 

Lula candidato

Está mais do que comprovado que o brasileiro tem memória curta – curtíssima aliás. Mesmo os brasileiros de baixíssima renda deveriam se lembrar de que, ao efetuar pagamentos do Bolsa Família, o governo Lula não faz nada além de sua obrigação –, pois o programa Bolsa Família foi uma de suas promessas de campanha. Deveriam se lembrar também de que há outras obrigações – a ética, a elevada moral, a honestidade, a transparência – que estão longe de ser cumpridas. ("Sem o peso da crise", 22 de fevereiro).
Sonia Fedriz de Carvalho
São Paulo, SP

A cidade de Parnaíba, no Piauí, que possui alta porcentagem de famílias de baixa renda, não foi selecionada pela revista VEJA para a averiguação de como funciona o Bolsa Família. Mas afirmamos que nossa realidade aqui não é muito diferente daquela que a reportagem mostra em relação às cidades visitadas. Concordamos plenamente que o Bolsa Família ainda não estabeleceu metas capazes de criar uma porta de saída para o problema da miséria. Os pais obrigam os filhos a freqüentar a escola para não perder o dinheiro do governo, mas eles ficam na ociosidade. Esse dinheiro alimenta o vício de nada fazer e esperar pelo Estado. É um bem que traz um mal.
Maria Dilma Ponte de Brito
Professora da Universidade Federal do Piauí
Coordenadora do Curso de Administração de Empresas
Parnaíba, PI

 

Fim do nepotismo no Judiciário

O Supremo Tribunal Federal decidiu pelo fim do nepotismo no Judiciário ("Acabou a moleza", 22 de fevereiro). Porém, a OAB do Rio adverte que ainda não existe uma lei que impeça o "transnepotismo", a contratação de familiares de juízes para cargos no Executivo e no Legislativo em troca de emprego para parentes de membros do governo e de parlamentares no Judiciário. Mas os próximos alvos são os escalões do Executivo e do Legislativo (federal, estaduais e municipais), nos quais a farra ainda continua. A proposta de emenda constitucional (PEC) que acaba com o nepotismo nos três poderes precisa ser votada já. E também fechar o cerco, impedir qualquer manobra, inclusive a permuta de contratações que possa ocorrer entre os municípios.
João Evilázio Gomes
Barbacena, MG

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais esclarece que foram dispensados 389 servidores (até 22 de fevereiro). Desde 20 de dezembro de 2005, o Tribunal de Minas já havia publicado a portaria solicitando que todas as pessoas enquadradas na Resolução do CNJ enviassem expediente ao presidente do TJMG, desembargador Hugo Bengtsson Júnior, comunicando o fato. Todos os casos foram analisados pela equipe de recursos humanos e pela presidência do tribunal. As dispensas de servidores pelo TJMG somente ocorreram depois que a Resolução do CNJ foi declarada constitucional pelo STF. Conforme a decisão do próprio Supremo, os servidores dispensados não fazem jus a nenhum direito desde 14 de fevereiro de 2006, bem como todas as liminares de 1ª instância foram suspensas. Portanto, o Tribunal de Minas está cumprindo a resolução dentro do devido processo legal.
Ricardo Arnaldo Malheiros Fiuza
Secretário da presidência e supervisor de comunicação
Belo Horizonte, MG

 

iPod

O Macintosh, lançado no fim de 1983, não foi o primeiro computador a usar a interface gráfica. Foi o Lisa, assim batizado em homenagem a uma filha de Steve Jobs ("O universo iPod", 15 de fevereiro). Na verdade, a interface gráfica foi criada pela Xerox (assim como o mouse) e o projeto, desdenhado, acreditem, e passado para uma das duas empresas que estavam interessadas, Apple e Microsoft. Como a Apple tinha mais visibilidade na época, levou. Esse fato é narrado de forma muito interessante no filme Os Piratas de Silicon Valley, produção da TNT, que mostra Bill Gates babando ao ver o protótipo do Macintosh.
Gustavo dos Santos Breves
Por e-mail

 

Ambiente

Semanas antes da 8ª Conferência das Partes, a ser realizada em Curitiba, chama atenção a reportagem "O inventário do mar" (22 de fevereiro). O Censo da Vida Marinha é meritório como uma ação internacional, embora, como claramente exposto, o maior conhecimento seja concebido fora do Brasil. O receio é que o governo do país com a maior biodiversidade do planeta se exima de sua responsabilidade de promover o conhecimento de sua diversidade biológica. Responsabilidade assumida pelo fato de o Brasil ser signatário do Global Taxonomy Initiative e da Convenção sobre Diversidade Biológica.
Antonio C. Marques
Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo São Paulo, SP

 

Internet

Costuma-se dar cada vez mais importância à presença de uma patologia psiquiátrica como elemento responsável pela gênese do comportamento suicida: alguns levantamentos epidemiológicos indicam que 50% dos suicidas são portadores de distúrbios depressivos, 20% são alcoólatras, 10%, esquizofrênicos. Apenas 20% dos suicidas são indivíduos sem história aparente de patologia psiquiátrica prévia. Esses dados não minimizam a importância de fatores psicológicos e socioculturais como os mencionados no artigo. A única abordagem terapêutica eficaz para o suicídio é sua prevenção. Considera-se nos dias de hoje que a estratégia mais importante dessa prevenção reside no reconhecimento e no tratamento precoces dos distúrbios psiquiátricos subjacentes, isto é, da depressão, do alcoolismo e da esquizofrenia ("Pacto de morte pela internet", 22 de fevereiro).
Jorge Paprocki
Psiquiatria
Belo Horizonte, MG

 

Trabalho em casa

Há treze anos trabalhando em meu escritório em casa como prestadora de serviços para várias empresas, concordo com as vantagens como concentração e produtividade. A reportagem "Como trabalhar em casa e ser produtivo" (Guia, 22 de fevereiro) apresenta exemplos de profissionais que não cumprem toda a jornada em casa, o que seria o ideal. Para aqueles que trabalham todos os dias existem também desvantagens, como: 1) falta de convívio social, o que pode levar à depressão; 2) dificuldade de trabalhar quando algum familiar adoece ou quando há visitas não programadas, mesmo que você seja muito organizado e disciplinado; 3) as pessoas, e principalmente os familiares, acham que você está sempre disponível; 4) exceder na carga horária de trabalho, por não ter de ir embora, pode causar stress ainda maior.
Ivete Teixeira Rennó Costa
Consultora de informática e escritora
São José dos Campos, SP

 

Escolas campeãs

Achei muito interessante a matéria "As escolas campeãs" (22 de fevereiro). Notadamente por revelar que temos um modelo de sucesso a ser aplicado nas escolas públicas, fundamentado na boa formação dos educadores e em estrutura. Não precisamos inventar a roda. A grande fórmula é copiar.
Cláudio Gomes
Teresina, PI

 

CORREÇÕES: A televisão que chegou a custar 30.000 reais em 2003 é encontrada atualmente por 9.000, numa redução de 70%, e não de mais de 200%, como informou a reportagem "Plasma ou LCD? Como será sua próxima televisão" (22 de fevereiro). * A matéria "As escolas campeãs" (22 de fevereiro) induz o leitor a um erro. A Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio é a primeira colocada no ranking das escolas públicas e terceira na lista geral. O vice-campeão do ranking nacional é o Colégio Santo Agostinho, do Rio de Janeiro.

 

MACHADO MALTRATADO

Daniel Piza, o autor da biografia Machado de Assis – Um Gênio Brasileiro, escreveu para comentar a matéria "Machado não merecia" (22 de fevereiro): "Os sete erros de revisão apontados entre as 400 páginas de meu livro já foram corrigidos na segunda edição, que está chegando às livrarias. Observo também que eles não tornam o livro 'imprestável', como diz o autor da matéria. Tanto é que mereceu belo comentário de Roberto Pompeu de Toledo nessa mesma revista". Um autor como Piza só tem a ganhar se ao talento unir o rigor na apuração de dados. Seu renome como crítico cultural foi estabelecido num texto de 1994, no qual dizia que Jesus Cristo morreu enforcado – o mesmo texto desinformava ainda que a frase "No princípio era o Verbo", do Evangelho de São João, pertencia ao Antigo Testamento. Ao tratar de John Falstaff, personagem fictício de peças de William Shakespeare, Piza demonstra o mesmo descaso com a causa mortis e relatou seu enforcamento. No drama shakespeariano Henrique V, o bardo finalmente mata Falstaff. Mas ele morre na cama. Tais erros, que não são apenas de revisão, denotam falta de intimidade com as obras que o autor se propõe a comentar – e desprezo para com os documentos e os fatos históricos. Enquanto Piza não unir seu talento ao rigor, suas obras continuarão a exigir reparos. A segunda edição de seu livro, já livre dos sete erros apontados, virá tisnada por outro. Ele está na página 116. O autor diz que o Rio de Janeiro de 1865 era a "capital federal". Em 1865 o Brasil era um império, e não uma federação.

 

 
 
 
 
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