Edição 1945 . de março de 2006

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Carta ao leitor
Salto de racionalidade


Antonio Milena
Lula e FHC, no dia da posse do petista: há uma linha de continuidade entre os dois governos. E é preciso aprofundá-la

A julgar pelo panorama delineado nas últimas pesquisas eleitorais, e se não surgirem novidades que mudem completamente o curso das intenções de voto até agora levantadas, a próxima campanha presidencial promete ser uma refrega duríssima tanto para o presidente Lula, candidato não declarado à reeleição, como para o tucano que o enfrentará, seja ele José Serra, seja Geraldo Alckmin. É certo que, numa disputa apertada, as propagandas dos adversários enfatizarão dois aspectos – um circunstancial e outro de fundo. O circunstancial (mas não irrelevante) é o mar de lama no qual naufragaram o PT e quase toda a cúpula do governo. O PSDB deve explorar esse veio à exaustão. Em resposta, a campanha petista tentará relembrar todos os episódios de corrupção que macularam a era FHC. Quanto ao aspecto de fundo, trata-se das conquistas econômicas e sociais alcançadas por um e outro partido no poder.

Deixe-se de lado a inevitável artilharia pesada que ribombará em torno do dado de circunstância – a corrupção. Também não se dê importância demasiada às indefectíveis promessas de prosperidade a baixo custo ou custo zero. Afinal de contas, ninguém faz sucesso nos palanques prometendo fazer choque de gestão, reforma na Previdência ou ajuste fiscal. É preciso concentrar-se na verdade que subjaz aos discursos eleitorais: no que se refere ao aspecto de fundo, há uma linha de continuidade nos programas implementados por PSDB e PT no exercício da Presidência. Essa linha, que significou um salto de racionalidade, consiste na preservação da moeda e na manutenção dos parâmetros responsáveis dentro dos quais os agentes econômicos passaram a movimentar-se. No entanto, há muito por fazer. O Brasil segue no rumo certo, mas numa velocidade baixa se comparada à de outros países emergentes. Para imprimir um ritmo mais acelerado, o próximo presidente precisa eliminar o que ainda atravanca o desenvolvimento do país. Além das reformas no aparelho estatal, a informalidade, as deficiências macroeconômicas, o excesso de burocracia, as deficiências dos serviços públicos, os gargalos na infra-estrutura – tudo isso deverá constar da agenda do próximo presidente. Não importa se do PT ou do PSDB.

 
 
 
 
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