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Carta ao leitor
Salto de racionalidade
Antonio Milena
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| Lula e FHC, no dia da posse do petista: há
uma linha de continuidade entre os dois governos. E é
preciso aprofundá-la |
A julgar pelo panorama delineado
nas últimas pesquisas eleitorais, e se não surgirem
novidades que mudem completamente o curso das intenções
de voto até agora levantadas, a próxima campanha presidencial
promete ser uma refrega duríssima tanto para o presidente
Lula, candidato não declarado à reeleição,
como para o tucano que o enfrentará, seja ele José
Serra, seja Geraldo Alckmin. É certo que, numa disputa apertada,
as propagandas dos adversários enfatizarão dois aspectos
um circunstancial e outro de fundo. O circunstancial (mas
não irrelevante) é o mar de lama no qual naufragaram
o PT e quase toda a cúpula do governo. O PSDB deve explorar
esse veio à exaustão. Em resposta, a campanha petista
tentará relembrar todos os episódios de corrupção
que macularam a era FHC. Quanto ao aspecto de fundo, trata-se das
conquistas econômicas e sociais alcançadas por um e
outro partido no poder.
Deixe-se de lado a inevitável
artilharia pesada que ribombará em torno do dado de circunstância
a corrupção. Também não se dê
importância demasiada às indefectíveis promessas
de prosperidade a baixo custo ou custo zero. Afinal de contas, ninguém
faz sucesso nos palanques prometendo fazer choque de gestão,
reforma na Previdência ou ajuste fiscal. É preciso
concentrar-se na verdade que subjaz aos discursos eleitorais: no
que se refere ao aspecto de fundo, há uma linha de continuidade
nos programas implementados por PSDB e PT no exercício da
Presidência. Essa linha, que significou um salto de racionalidade,
consiste na preservação da moeda e na manutenção
dos parâmetros responsáveis dentro dos quais os agentes
econômicos passaram a movimentar-se. No entanto, há
muito por fazer. O Brasil segue no rumo certo, mas numa velocidade
baixa se comparada à de outros países emergentes.
Para imprimir um ritmo mais acelerado, o próximo presidente
precisa eliminar o que ainda atravanca o desenvolvimento do país.
Além das reformas no aparelho estatal, a informalidade, as
deficiências macroeconômicas, o excesso de burocracia,
as deficiências dos serviços públicos, os gargalos
na infra-estrutura tudo isso deverá constar da agenda
do próximo presidente. Não importa se do PT ou do
PSDB.
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