|
|
Televisão
Santos do pau oco
Não durou muito o bom-mocismo
do pessoal
do Big Brother. Os espectadores agradecem

Ricardo Valladares
Divulgação/TV Globo
 |
| Os participantes rezando, quando as coisas
ainda iam bem na casa: até o ex-seminarista saiu do sério
|
Desde sua estréia, há
três semanas, a sexta edição do Big Brother
Brasil registra cenas de carolice explícita. Logo no
primeiro dia, os participantes fizeram um pacto de lealdade eterna.
Para celebrar a união, estabeleceu-se o ritual de rezar de
mãos dadas antes das refeições. Tudo muito
bonito mas não é exatamente o que funciona
num reality show. O excesso de bom-mocismo ameaçou deixar
o Big Brother engessado. Apesar da média no ibope
de 44 pontos, sua repercussão está longe da alcançada
pela edição do ano passado, vencida por Jean, um gay
assumido. Mas, para alívio da produção do programa
(e dos espectadores, diga-se), esse marasmo começou a ser
quebrado na semana passada. O professor de matemática Rafael
Valente emergiu como um personagem politicamente incorreto capaz
de movimentar a "trama": ele já se mostrou contrário
à reza antes das refeições e mandou para o
paredão seu amigão na casa, o consultor técnico
Daniel Costa, eliminado na última semana. "Rafael é
perigoso", diz a estudante e promotora de eventos Juliana Canabarro,
defenestrada na primeira semana (em tempo: ela já acertou
que posará nua na revista Playboy). Uma disputa amorosa
também apimentou o ambiente. O modelo Daniel Saullo, que
engatou um namorico com a colega de profissão Mariana, pôs
a casa abaixo ao sapecar uns beijos na dançarina Roberta
Brasil. Foi a deixa para que se formassem panelinhas contra e a
favor da morena traída. No episódio, a psicóloga
paraense Thaís demonstrou por que é uma forte candidata
à vaga de megera: ela fez tudo para jogar as namoradas do
rapaz uma contra a outra.
A atração da Rede Globo
sempre foi marcada pela divisão entre mocinhos e vilões,
e o interesse do público é proporcional à quantidade
de intrigas e puxadas de tapete (sem falar na tensão sexual,
obviamente). Por isso, a escalação do elenco é
a chave de seu sucesso. Basta um "censo" das seis edições
(veja
o quadro) para confirmar que o Brasil do Big Brother
é um lugar peculiar. Das 82 pessoas que passaram pela atração,
catorze são modelos. Depois vêm os professores, com
dez representantes (mas mesmo aí os corpos sarados têm
a preferência). Quase 50% das mulheres escolhidas eram siliconadas,
e os rapazes marombados aparecem na mesma proporção.
A Globo também elegeu São Paulo e Rio de Janeiro como
os celeiros de participantes 60% deles vieram desses estados,
que respondem por uma porção bem menor da população
do país (30%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística). Com todos os cálculos envolvidos na
seleção, nada substitui as trombadas que surgem aleatoriamente.
Uma das razões da falta desse tempero nas primeiras semanas
do atual Big Brother é que, depois de tantas edições,
os participantes entraram em cena escaldados. "Todos tentam repetir
o comportamento de quem se deu bem anteriormente. Mas eles não
são santos", diz o diretor da atração, Boninho.
O maior santo do pau oco, aliás,
foi tirado do sério na semana passada. O tradutor mineiro
Gustavo, ex-seminarista que volta e meia lança mão
de frases edificantes (e até da Bíblia) para
aconselhar os colegas, enlouqueceu ao dançar um funk coladinho
com Thaís. "Benza-a Deus, que corpo essa mulher tem. Está
acontecendo uma coisa incrível comigo", disse ele
e, em seguida, cobriu pudicamente suas "partes" e se refugiou numa
rede.
|