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Brasil
Palocci irreconhecível
O Congresso chamou o ministro,
mas quem se apresentou foi o prefeito.
Antonio Palocci fez sua pior aparição
pública na semana passada

Julia Duailibi
Sérgio Lima/Folha Imagem
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O ministro Antonio Palocci:
sucesso na condução da economia versus os fantasmas
do passado
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O ministro Antonio Palocci se
preparou durante três meses para depor na CPI dos Bingos.
Alvo de múltiplas acusações que começam
por corrupção em sua gestão como prefeito de
Ribeirão Preto, passam pela arrecadação clandestina
de dinheiro durante a campanha de Lula e terminam com fortes indícios
de tráfico de influência com a participação
de antigos e de atuais assessores da Fazenda , Palocci mostrou
que ainda está preso ao passado. Em quase seis horas de depoimento,
o ministro não foi capaz de esclarecer nenhuma das acusações
feitas contra ele. Pior que isso: foi chamado de mentiroso, desafiado,
confrontado e, com um comportamento quase monástico, muito
próximo da passividade, se recusou a criticar seus detratores
quando questionado se os processaria. Depois de várias sessões
de ensaio com assessores especialmente contratados para treiná-lo,
Palocci estava preparado para responder à maioria das perguntas
dos parlamentares. Negou a existência das irregularidades
mais do que evidentes em sua gestão em Ribeirão Preto,
classificou como fantasiosa a operação para trazer
dólares cubanos para a campanha de Lula e tentou manter uma
inacreditável distância dos antigos amigos e assessores
envolvidos nos escândalos.
Dessa vez a mágica não
funcionou, apesar de encontrar na CPI um ambiente sem hostilidade,
com uma parte da oposição se derretendo em elogios
à política econômica do governo. Constrangido,
Palocci teve de ouvir um sermão do senador Jefferson Peres,
do PDT: "Quando se ocupa um cargo importante é preciso repetir
o ditado da mulher de César e não apenas ser honesto,
mas parecer honesto". Foi chamado de mentiroso pela senadora Heloísa
Helena, que chegou a insinuar ter uma testemunha capaz de desmascará-lo:
"Estou convencida de que o senhor está mentindo o tempo todo".
Foi advertido pelo senador Demostenes Torres, do PFL, de que não
passava de blefe a afirmação de que processaria seus
detratores somente depois de encerradas as investigações,
já que, segundo o senador, que também é promotor
público, os crimes prescreveriam. Palocci foi ainda instado
pelo tucano Antero Paes de Barros a disponibilizar voluntariamente
seu sigilo telefônico para a CPI confirmar se realmente ele
se afastou de antigos assessores de Ribeirão Preto. Inseguro,
o ministro disse apenas que iria analisar a proposta. Diante do
bombardeio, Palocci ainda tentou se defender afirmando que ninguém
ele incluído está acima de qualquer
suspeita. Esteve irreconhecível.
A convicção do
ministro ao tratar de assuntos econômicos deu lugar à
fragilidade quando o tema envolve os fantasmas de seu passado. Palocci
negou que mantivesse relações com Vladimir Poleto,
que na prefeitura de Ribeirão ocupou o cargo de chefe do
controle interno e admitiu ter transportado de avião 1,4
milhão de dólares oriundos de Cuba para a campanha
do presidente Lula. Para demonstrar distância dos personagens
envolvidos no caso dos dólares cubanos, Palocci também
negou ter usado, já como ministro, um jatinho emprestado
pelo empresário Roberto Colnaghi que, em 2002, cedeu
o avião para transportar o dinheiro cubano. O ministro disse
que foi o PT que alugou o jatinho e que ele nem sequer sabia a quem
pertencia. O senador Jefferson Peres lembrou que, em depoimento,
Colnaghi não só confirmou que emprestou o avião,
mas também que viajou ao lado do ministro. Palocci ainda
negou ter se encontrado em Madri, em 2003, com Roberto Carlos Kurzweil,
empresário que alugou para o PT o carro blindado usado para
retirar os dólares do aeroporto. Kurzweil desmente o ministro.
Ele confirmou a VEJA o encontro, ocorrido, segundo seu relato, no
saguão do hotel Ritz. O prefeito Palocci e o Palocci coordenador
da campanha de Lula apequenaram o ministro.
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