|
Notáveis
(notas fora do comum)
I
Revelado: o PT é a terceirização
do PCB. II
Fiquem tranqüilos os que estão no poder nenhum humorista atira
pra matar. III
Internet de frente pro mundo, de costas pro em volta.
IV Pra mim artistas têm
que sofrer. Ser anão, como Lautrec, cortar orelha, como Van Gogh, contrabandear
armas, como Rimbaud, morrer na miséria, como Grosz. Cara que, como eu,
ganha dinheiro com o que faz não merece o menor respeito.
V Agora, já iniciada outra
corrida ao Poder Central, volto a defender o meu Voto Contra. Na convicção
de que todos têm mais certeza de quem não querem no Poder do que
quem querem (que aliteração, Millôr!). Proponho
assim: todo eleitor tem direito a dois votos. Um a favor e outro contra
o Voto de Rejeição. Deduzem-se os votos negativos dos
votos positivos e obtém-se o número de votos válidos. Inúmeros
candidatos, mesmo com grandes currais e muito dinheiro, não serão
eleitos. O candidato com mais votos negativos receberá 100 chicotadas.
Ou 20 chibatadas. VI
Etimologia: no Olimpo ninguém pedia desculpas tão bem quanto Apolo.
Isso ficou conhecido como apologia. VII
Como os italianos não têm palavra que diferencie sobrinhos e
netos (tudo é nepote), os papas criaram o nepotismo, distribuindo
cargos e santidades para filhos (!) e parentes. Logo todo o poder laico, civil
e militar, adotou a prática. O Brasil, país muito legal (cheio de
leis), agora tem postura decidida contra isso. Ninguém pode usar o bem
público pra beneficiar pai, mãe, filhos e, claro, a vizinha de minissaia.
Se a lei não é cumprida, são outros quinhentos "isso
faz parte de nossa cultura". Mas, em princípio, isso deve funcionar
também em sentido contrário. Se o cidadão não pode
usar o bem público, o Estado não pode avançar sobre o bem
mais sagrado do indivíduo seu corpo e respectivos miúdos.
Ou seja, a negação do nepotismo não pode tirar do cidadão
o direito de legar tudo que é visceralmente (valha o termo) seu a parentes
até, digamos, a segunda geração de precedentes e conseqüentes
(sem esquecer a vizinha de míni). Depois eu me explico.
VIII Para acabar com o desemprego
o Planalto precisa primeiro acabar com o desentrabalho.
IX Claro, não se pode evitar
o nascimento nem a morte. Mas não dá pra melhorar um pouco o intervalo?
X Brasileiro,
profissão esperança. Isto é, um desesperado.
Os trinta Valérios Fotógrafos
do Império (239 págs., 30x26, Ed. Capivara), de Bia e Pedro
Corrêa do Lago, é um livro emocionante, pra quem, como eu, é
tarado por fotografia. Sobretudo as antigas, já definidas e consagradas
pelo tempo. E, como eu, acredita que a palavra bem usada está
acima de tudo, define, completa e embeleza qualquer foto. Por isso coisa
rara lê os textos dos livros de fotografia. Neste livro imagem e
palavra compõem um conjunto imperdível.
Editado originalmente em francês, traduzido agora para o português
(o texto, as fotos não foram traduzidas), o livro-documento reproduz 320
imagens, compondo a melhor antologia de fotos brasileiras publicadas até
aqui. Vão do ano 1835 até
o ano 1901. Quando Valério Vieira fez esta surpreendente composição,
com 30 fotos dele mesmo. Reproduzindo
a foto ajudamos a CPI do Mensalão, que até hoje não descobriu
a origem do Valerioduto. Aqui está.
Não começou no governo Lula. Começou no governo Campos Salles.
|