Edição 1941 . de fevereiro de 2006

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Na chompa ele não mexe de jeito nenhum

Azar Raldes/AFP
Morales: por baixo da túnica de líder indígena... Adivinhou


Depois de dar a volta ao mundo e ser recebido por chefes de Estado em três continentes sempre usando o mesmo e já legendário suéter listrado, esperava-se que o novo presidente da Bolívia, Evo Morales, 46 anos, desse um tempo na já combalida peça de vestuário pelo menos nas festividades de posse. Que nada. Numa cerimônia na cidade histórica de Tiwanaku, nos Andes, Morales apareceu envergando a réplica de uma túnica usada há 1.000 anos por sacerdotes locais e foi sacramentado líder dos índios aiamarás e quéchuas. Por baixo da túnica, usava o quê? A bendita chompa, como se diz na Bolívia, feita com lã de alpaca. As cópias de lã acrílica, vendidas pelo equivalente a 17 reais, proliferam país afora. Em Tiwanaku, Morales profetizou: "Este é um tempo de triunfo. Um tempo de mudança". Menos de suéter.

 

Babado novinho em folha

Priscila Prade
Claudia: voz grave, curvas e quatro fantasias no Carnaval

Com empolgação e voz grave (qualquer semelhança com Ivete Sangalo, jura, é coincidência), Claudia Leitte, 25 anos, vocalista do grupo de axé Babado Novo, promete incendiar o Carnaval baiano. Também contribuirão, com certeza, as curvas que ela exibe na revista Vip, em fotos selecionadas uma a uma por uma espécie de conselho familiar, namorado incluído. "Os ciumentos todos participaram da escolha", diz. Com 1,66 metro e 56 quilos, Claudia declara solenemente que nunca recebeu cantada durante a folia. "E, mesmo que tivesse recebido, com 2,25 graus de miopia, não teria visto nada", brinca ela, que planejou uma fantasia para cada bloco – de Cleópatra, Janis Joplin, Charles Chaplin e Gabriela.

 

Dançar, o.k.; difícil é rechear

 

Divulgação
Yuka: olhinhos puxados, sim, mas muito samba no pé

Sendo o tema "O coração do mundo bate aqui", a Empresa de Turismo de Salvador considerou apropriado convocar (sem concurso, criticam as locais) Yuka Sughiura, 24 anos, japonesa de Nagóia, para ser símbolo oficial da folia soteropolitana. A seu favor, a ginga impecável: Yuka caiu de amores pelo samba quando viu um vídeo no Japão, pegou fitas emprestadas e não parou mais. "Ficava na frente do espelho cinco horas seguidas, todo dia, imitando as coreografias. Gastei o tatame da minha casa de tanto dançar", conta, em português mais ou menos. Radicada há cinco anos em Salvador, casada com um baiano, ela trabalha numa loja, faz bicos de tradutora e, no momento, prepara-se para reinar. Com comovente dedicação: "Você sabe que japonesa quase não tem bumbum, né? Estou sofrendo muito, muito para malhar o meu até o Carnaval".

 

Alma feminina revelada em detalhes

 

Lailson Santos
Clodovil, a caráter: só não pode pôr em dúvida a autenticidade das pernas sem "pêlos, celulite ou estrias"

Sem emprego, recuperando-se de um câncer de próstata, o apresentador Clodovil, 69 anos, passou o fim do ano trabalhando: montou texto, figurino e cenário do musical Eu&Ela, que acaba de estrear em São Paulo e tem sessões especiais às 16 horas – "Tenho um público de idade que não sai de noite", justifica. Com picardia típica, acha que o momento lhe é favorável: "Por causa da doença, não é chique falar mal de mim". No espetáculo, uma espécie de diário em que narra os conflitos com sua "alma feminina", Clodovil passa boa parte do tempo de salto alto, meia arrastão e espartilho e sobe na sandália (de cetim preto com strass) quando criticam o recheio de tal figurino. "Surgiu um boato de que coloquei silicone nas pernas. Imagina! Não tenho pêlos, celulite ou estrias", gaba-se.

 

Marcas de um excesso de reinvenções

Centenas de convidados, trinta modelos prontinhas e um estilista nervosíssimo esperaram uma hora até que Madonna desse o ar da graça no desfile da coleção de alta-costura de Jean Paul Gaultier – o inventor do célebre sutiã-cone, que outra vez a vestirá na nova turnê. A chegada fez as más línguas zunir, e não só pelo atraso: toda de preto, óculos enormes, madame Ritchie, 47 anos, surgiu magérrima; o rosto, repuxado à exaustão; a testa, maior do que nunca (queda de cabelo acelerada, sibilou-se); o dedo anular, sem aliança. Sobre esse detalhe, uma porta-voz garantiu que a falta de aliança é normal ("Às vezes ela usa, às vezes, não") e que o casal vai bem, obrigada.

 

Editado por Lizia Bydlowski.
Colaboraram Bel Moherdaui,
Sandra Brasil e Simone Seara

 
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