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Os
poderosos pré-adolescentes
Fevereiro de 2003
Os pré-adolescentes de hoje, ou tweens, estão cada
vez mais sabidos, consumistas e desenvoltos nas
novas tecnologias. A reportagem de VEJA sobre a
garotada de 8 a 12 anos, publicada na edição de
26 de fevereiro de 2003, motivou leitores a enviar
mensagens ao fórum da revista. Confira a seguir
algumas das opiniões sobre a vida dos tweens e o
que será deles no futuro. |
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"Acredito
que os tweens de hoje serão bons profissionais.
O mercado de trabalho está cada vez mais inserido
na cibernética e o treinamento precoce ajudará muito
no futuro. Eu poderia até dizer que fui um tween
típico. Atualmente procuro a cada dia saber um pouco
mais sobre o fantástico mundo da tecnologia."
Pedro Phellipe Gonçalves Mendonça (14 anos),
Aracaju - SE |
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"Esse
novo estilo de juventude tem pontos positivos como
a espontaneidade e independência. Mas é inadmissível
que eles se rendam às futilidades, ao consumismo
e à depravação sexual que a mídia impõe. O jovem
brasileiro não pode se dar ao luxo de ignorar que
cerca de um terço da população vive abaixo da linha
da pobreza. Mudar essa situação é uma tarefa com
a qual esses tweens deveriam se ocupar."
Érica Georgino (17 anos), Campinas - SP |
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"Li
na reportagem que uma dessas tweens ganha 200 reais
de mesada. Isso é muito mais dinheiro do que eu,
com meus 19 anos, recebo de salário. Na minha fase
pré-adolescente, com um pai desempregado dentro
de casa, eu não podia escolher minhas próprias roupas.
Me vestia com roupas dadas por parentes."
Julio Ibelli (19 anos), Santos - SP |
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"Não
vejo com maus olhos essa atitude precoce dos tweens,
uma reprodução miniaturizada do american way of
life. Pode ser muito útil na construção de independência
psicológica e dogmática dos filhos em relação aos
pais. Mas essa nova geração que se forma só poderá
dar bons frutos para nossa sociedade se sua autonomia
for além da superficialidade de reconhecer a qualidade
superior desta ou daquela grife."
James Cesar M. A. Souto, Recife - PE |
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"O
futuro é construído no dia-a-dia. Hoje, com os avanços
tecnológicos, a invenção de ontem já não atende
às necessidades do amanhã dos nossos teens. Nós,
seres humanos de trinta para cima, é que temos que
nos virar para reduzir o hiato entre as gerações.
Da mesma forma, os teens de hoje terão a mesma ou
maior dificuldade que nós para acompanhar os teens
de 2030."
Antonio Marcos Belo, Araxá - MG |
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"Não
podemos querer que nossos filhos sejam iguais a
nós. Isso é retroceder. O adolescente, hoje em dia,
tem que acompanhar as mudanças tecnológicas, mas
com responsabilidade, regras e limites preestabelecidos
para que não haja excesso."
Luiz Carlos Epifanio da Silva, Rio de Janeiro
- RJ |
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"Os
pré-adolescentes e os adolescentes passam por uma
nova fase que não determina e caracteriza uma nova
geração. Eles participam de um momento de maior
poder aquisitivo que proporciona uma vida mais confortável.
Todos os benefícios ditos na matéria da VEJA sempre
foram alcançados pelas classes mais favorecidas
em tempos atrás. A diferença é que hoje chegaram
à classe média, mais aparente e populosa."
Márcia Santos, São Paulo - SP |
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"Tenho
dois filhos pré-adolescentes, suponho que a vivência
deles com todo o aparato tecnológico existente é
positiva e fundamental na definição de seu futuro
profissional. Entretanto, vejo com certo receio
o lado consumista dessa realidade. Entendo que a
noção de limites entre os mais favorecidos e menos
favorecidos deve ser objeto de orientação por todos
os canais da sociedade."
José Anchieta, Brasília - DF |
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"Creio
que os adolescentes atuais estão cada vez mais 'Peter
Pans': adoradores da satisfação e poder, eternas
crianças que se recusam a crescer e, cada vez mais
e durante mais tempo, fortemente apoiados nos ombros
dos pais. Não resta dúvida de que o abandono quase
total do aprendizado para a vida de adulto levará
essa geração a problemas cada vez mais difíceis
de solucionar."
Solano Campini, Guarulhos - SP |
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"Eles
estarão mais avançados, amadurecidos e experientes.
Porém, na visão dos filhos deles, serão retrógrados,
caretas e chatos, como os adultos de hoje."
Juliana Ribeiro Tavares, Barra do Garças - MT |
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