Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
Hipertexto - exclusivo on-line

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Especial
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
A Semana
Hipertexto
Especial VEJA Recomenda

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Gustavo Poloni [e-mail: hipertexto@abril.com.br]

A rede bem no meio da guerra

Quem ainda olha com desconfiança para a internet tem bons motivos para mudar de opinião depois dos atentados terroristas nos Estados Unidos. A rede mundial de computadores provou que é parte da vida das pessoas. Logo no dia dos ataques, os principais sites de notícia praticamente pararam diante do gigantesco volume de internautas buscando informações. Alguns tiveram de improvisar uma primeira página mais leve, só com notícias dos atentados. Deu resultado.

A audiência de alguns deles subiu mais de 600%. O tráfego continuou intenso. Sites com listas e fotos de desaparecidos no World Trade Center são um exemplo. A CNN.com lançou o site Missing, uma lista eletrônica com nome e imagem de pessoas que podem estar sob as ruínas do prédio destruído.

Em outra frente, a rede angaria doações para ajudar as vítimas e a operação de buscas nos escombros. Até o final da semana passada, pelo menos 36 milhões de dólares haviam sido arrecadados pela rede e destinados à ajuda das vítimas dos ataques. A internet também serviu como fonte de pistas para os agentes do FBI em busca dos responsáveis pelos atentados. Alguém teria antecipado os fatos numa lista de discussão no dia dos ataques. Suspeita-se que seja um terrorista. Até os hackers estão agindo na guerra ao terrorismo. Um grupo deles está sabotando sites ligados ao grupo fundamentalista Talibã, que controla o Afeganistão.



Os campeões de audiência

A audiência de alguns endereços na internet cresceu muito durante os atentados terroristas. Os sites de notícias foram os mais acessados. Números da Jupiter Media Metrix mostram que os visitantes da Time.com cresceram mais de 500%. Sites do governo americano também foram bastante visitados. O volume de acessos ao site da Casa Branca cresceu seis vezes - de 27 000 visitantes diários para 162 000. Não foram apenas os acessos que aumentaram. A America Online anunciou que nunca na história da internet foram trocadas tantas mensagens instantâneas através do AIM, seu programa de troca de mensagens. Ao todo, foram 1,2 bilhão de mensagens.

Para navegar
Escolha o melhor programa de troca de mensagens instantâneas
AIM
ICQ
Yahoo! Messenger
ComVC
MSN Messenger
Jupiter Media Metrix
Casa Branca

 

Para navegar
Jupiter Media Metrix
Casa Branca

 




Salve
Ações em alta

As fabricantes de equipamentos de videoconferência viram o preço de suas ações disparar desde os atentados terroristas aos Estados Unidos. De acordo com especialistas, executivos de todo o mundo pensarão duas vezes antes de entrar num avião para uma reunião corriqueira. Vão preferir ficar sentados na frente de uma câmara.

Para navegar
Reportagem do site Cnet (em inglês) sobre a valorização da ações

 

Delete
Só boas notícias

Uma jogada de marketing equivocada do iG resultou no maior papelão de um portal brasileiro desde o aparecimento da internet por aqui. O provedor anunciou que no dia 11 de setembro só divulgaria notícias positivas. O endereço só se esqueceu de combinar com os terroristas que atacaram os Estados Unidos. Diante da tragédia, o site teve de cancelar o seu "dia especial".

Para navegar
Comunicado oficial do iG



Brincadeira sem graça

O mundo dos games é repleto de sangue, tiros e violência. A garotada adora isso. Mas nenhuma fabricante de jogos quer relacionar seus próximos lançamentos aos ataques terroristas. Uma das primeiras a tomar precauções foi a Microsoft. O lançamento do Flight Simulator 2002 (foto), game em que a pessoa pode pilotar um avião por diferentes cidades do mundo, inclusive Nova York antes dos atentados, foi adiado em alguns dias. A Digital Leisure cancelou por tempo indeterminado a chegada do Crime Patrol, cuja fase final é uma guerra entre policiais e terroristas. O jogo on-line de espionagem e sabotagem Majestic, da Eletronic Arts, foi retirado do ar por alguns dias. A empresa também teve de refazer cenários do Red Alert 2, que tinha cenas do World Trade Center em chamas.

Para navegar
Flight Simulator 2
Majestic (em inglês)



As várias faces da guerra

A retaliação de americanos aos atentados terroristas que atingiram o World Trade Center e o Pentágono já começou. Pelo menos na internet. Um grupo de hackers americanos batizado de Dispatchers se mobilizou após os atentados para atacar e tirar do ar alguns sites ligados ao Afeganistão e ao Talibã, milícia fundamentalista que comanda com rédeas curtas o país. Pelo menos duzentos endereços foram derrubados pela força de ataque, que conta com aproximadamente sessenta soldados virtuais. Entre os sites atingidos, estão o do Ministério Iraniano, do palácio presidencial do Afeganistão e do Talibã. Na maioria dos casos, os invasores colocaram fotos de Osama bin Laden, principal suspeito dos atentados, no lugar do conteúdo do site. Outro objetivo do Dispatchers é destruir servidores e derrubar o acesso à rede no Afeganistão. Especialistas temem que a retaliação eletrônica do grupo desencadeie uma verdadeira guerra virtual.

Para navegar
Leia reportagem de VEJA sobre hackers

 

Clique aqui
Ajuda num clique

Os americanos se mobilizaram de diferentes maneiras para ajudar as vítimas dos ataques terroristas. Gente dos quatro cantos do país se ofereceu como voluntário. Outros fizeram fila para doar sangue nos hospitais. Muitos ajudaram pela internet. O endereço da Cruz Vermelha (foto) teve links espalhados por vários sites para arrecadar doações. O ritmo chegou a ser de 224 000 dólares doados por hora. O site dos bombeiros de Nova York arrecadou mais de 3 milhões de dólares. Os grandes portais americanos também fizeram sua parte. Além de oferecer espaço para banners das instituições humanitárias, Yahoo!, AOL, Amazon, Microsoft, eBay e a Cisco criaram o Liberty Unites, de socorro aos necessitados. Os endereços levantaram algo em torno de 100 milhões de dólares pela internet. Mas cuidado: espertalhões estão se aproveitado do momento para montar um falso site de doações e ganhar uma grana desonestamente. Esteja atento.

Para navegar
Cruz Vermelha
Bombeiros de Nova York
Exército da Salvação
Liberty Unites
United Way of America
Helping.org
Reportagem da Globonews.com sobre as doações on-line
Reportagem da CNN.com (em inglês) sobre as doações



Telefone, satélite e muita coragem

Os repórteres Nic Robertson (foto acima) e Alfredo de Lara, da rede de televisão CNN, estavam no Afeganistão cobrindo um julgamento quando aconteceram os atentados terroristas aos Estados Unidos. A reação deles, ao contrário da maioria das pessoas, não foi fugir do país assim que ele foi eleito o principal berço do terrorismo no mundo. Usando o kit TH-1 (foto ao lado), da empresa inglesa 7E Communications, composto por um videofone que se liga a um satélite, uma câmara de vídeo e algumas baterias de carro, eles passaram a fazer boletins direto do Afeganistão. Contam as movimentações na capital, Cabul, e trazem notícias fresquinhas do país. A imagem não é perfeita. O motivo é a conexão de 128 Kbps que liga o equipamento ao satélite, que retransmitirá a notícia até a matriz da rede de televisão. A brincadeira, no entanto, durou pouco. A pedido do governo afegão, os jornalistas foram obrigados a deixar o país. Agora, estão transmitindo ao vivo do vizinho Paquistão. Quem quiser brincar de repórter por aí vai pagar caro. O TH-1 é vendido por 8 000 dólares.

Para navegar
Leia diário dos jornalistas (em inglês)
7E Communications



Ninguém pode com ela

A internet pode ter mostrado muita força nos atentados, mas os americanos ainda preferem a TV. Uma pesquisa do projeto Pew Internet & American Life mostrou que mais de 80% dos americanos ligaram a televisão para entender o que se passava em Nova York e em Washington. A internet, com 3%, ficou atrás até mesmo do rádio, que contou com a audiência de 11% dos americanos. A explicação é simples. Durante anos, o povo se acostumou a correr para a frente da TV em busca de informação. Os números revelam ainda que 51% dos americanos usaram o telefone para falar com parentes, enquanto 15% usaram os e-mail. "É a necessidade de ouvir a voz da pessoa", explica Lee Raine, responsável pela pesquisa. Moral da história: a rede avançou muito, mas ainda precisa avançar muito mais.

Para navegar
Leia a pesquisa da Pew Internet & American Life (em inglês)



Equipes de resgate, cachorros e robôs

A busca por sobreviventes sob a pilha de escombros do World Trade Center envolveu bombeiros e policiais, milhares de voluntários, cachorros treinados para localizar pessoas e até mesmo uma equipe especial composta por 24 robôs. Equipados com câmaras de vídeo, sensores de calor, fachos de luz, esteiras no lugar de rodas e do tamanho de uma caixa de sapatos, eles são usados para explorar locais de difícil acesso. Longe dos escombros, alguém "dirige" o equipamento com um controle remoto.

Para navegar
Reportagem da Wired.com (em inglês) sobre os robôs

 

Notas

Investigação

Os participantes de uma lista de discussão do site ficaram surpresos com as afirmações de um dos seus integrantes. Em tom ameaçador, ele dizia, em 4 de setembro, que em sete dias o mundo seria palco de algo nunca visto antes. Foi alvo de chacota. O dia 11 chegou e a ameaça se confirmou. Foi na fatídica manhã que aconteceram os atentados terroristas. Brincadeira sem graça aliada a uma triste coincidência? O FBI acha que não. As mensagens enviadas pelo adivinho estão sendo rastreadas pela polícia americana. Pode ser mais uma pista que levará aos terroristas que chocaram o mundo.


Para navegar
Leia as mensagens do suposto terrorista
FBI (em inglês)

 

Dá para piorar?

A crise que assola o mercado de tecnologia desde o começo do ano passado pode se aprofundar ainda mais em conseqüência dos ataques terroristas e do clima de guerra. Um levantamento prévio feito por empresas do setor estima que serão necessários 15 bilhões de dólares para reconstruir a infra-estrutura da região de Nova York atingida pelos aviões. Mas o desaquecimento da economia americana pode retardar os investimentos. Outra preocupação das empresas de tecnologia é superar a perda dos executivos de alto escalão que morreram durante os ataques. Substituí-los será tarefa árdua.

Para navegar
Lista dos executivos mortos nos atentados



Verdades ou mentiras?

A internet é uma fonte excelente de pesquisa. Mas também pode ser uma ótima ferramenta para confundir a cabeça das pessoas.

Uma corrente dizia que as imagens de palestinos comemorando os ataques terroristas veiculadas pela rede de televisão americana CNN eram falsas. A empresa teve de vir a público para desmentir a falsificação.
E-mail profético com uma citação de Nostradamus dizia que o mundo entraria na terceira grande guerra no dia em que os "dois gêmeos caíssem em meio ao caos" - uma referência às torres do World Trade Center. Pesquisas indicam que o profeta não fez tais previsões.
A imagem de uma das torres do World Trade Center desabando traz um detalhe interessante. Ao meio da fumaça, existem traços de um rosto humano (veja detalhe na foto). O texto diz que "o castigo veio dos céus" e que a "Justiça divina tarda, mas não falha". Retoque de programas de tratamento de imagem ou sinal divino?

 

Terrorismo nunca mais

Ao mesmo tempo que busca os responsáveis pelos atentados que mataram milhares de pessoas nos Estados Unidos, o governo americano começa a se mexer para tentar melhorar a segurança interna do país. Depois que apareceu a notícia de que um suposto terrorista teria usado uma lista de discussão do Google para avisar sobre os atentados, o Senado americano aprovou a expansão do uso do programa Carnívoro. Com a ajuda de palavras-chave, ele é usado no monitoramento de todos os e-mails trocados no mundo. Outra medida que vem sendo estudada é a utilização, nos aeroportos do país, de equipamentos de identificação de impressão digital e de retina. Eles dificultam a troca de identidade das pessoas.

Para navegar
Reportagem do The New York Times (em inglês) sobre tecnologias para evitar atentados


 

Para navegar
Reportagem da VEJA on-line sobre a reconstrução do World Trade Center


 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS