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Walcyr
Carrasco
À
mesa do restaurante
Algumas
dicas para você desfrutar
uma boa refeição fora de casa
A
maioria das pessoas não sabe aproveitar um restaurante. Existem
lendas a respeito de chefs, cardápios e endereços.
Uma delas, propagada por gerações de cartunistas,
é que o bom cozinheiro é gordo e barrigudo. Cozinheiros
da nova geração freqüentemente são esquálidos.
Seus menus custam os olhos da cara, e eles não podem torrar
verbas comendo por conta. Que chef teria coragem de botar no bucho
uma salada de trufas em vez de vendê-las a peso de ouro, raladas,
a ávidos glutões?
Com minha larga
experiência em encher a pança, arrebanhei alguns conselhos
para quem quer desfrutar uma boa refeição fora de
casa.
Longa fila de espera e carros na porta nem sempre são sinônimo
de boa comida. Pode ser um endereço da moda. As pessoas vão
para ver e ser vistas, sem sequer lançar um olhar para a
massa pegajosa atirada nos pratos. Alguns restaurantes têm
excelente decoração, assinada por arquiteto de grife.
Mas você não pode comer as cadeiras.
Até o crítico gastronômico mais sério
tem um lado subjetivo. Ele é humano, mesmo que não
queira dar mostras disso. Use os comentários dele para descobrir
seus endereços prediletos, sem transformar a crítica
em uma bíblia.
Se tiver muita confiança no maître, aceite suas sugestões.
Se não, fuja! Um maître é capaz de vender um
frango empalhado, se for para acabar o estoque.
Pessoas em mesa grande não devem pedir muitos pratos diferentes
entre si. Causam confusão na cozinha. O ideal é todos
pedirem a mesma coisa. Virá rapidamente e será feita
com alegria.
Nunca pague um prato malfeito. Devolva. Não é feio.
Pior é servirem uma porcaria e ainda torcerem o nariz porque
você não gostou.
Falando em pratos exóticos, cuidado! Muitos chefs são
criativos. Outros chutam. Se alguém oferecer musse de charuto
cubano, desconfie e peça um peixe grelhado!
Fuja da crença de que restaurantes à beira da praia
têm bom peixe. As praias estão poluídas. Provavelmente
você comeria pescada ao molho de mercúrio, se eles
só usassem o produto local.
Não torça o nariz para o que não conhece. Caviar,
por exemplo. Existem itens fundamentais para se ter uma idéia
do bom e do melhor desta vida: caviar, lagosta, champanhe gelado,
trufas, carne-seca com abóbora, feijoada e torresmo bem fritinho.
É bom ir sempre ao mesmo lugar. Será atendido como
um amigo da casa. Há um restaurante japonês aonde vou
para relaxar. Já sabem do que gosto, como gosto. Basta sentar
e esticar as pernas. O maître Rogério me mima, inventando
pratos para eu saborear. Se puder ter um endereço assim,
aproveite! É muito melhor que um local hiperelegante, impessoal,
onde você será mais um mero desconhecido.
Quando avisarem que a cozinha está para fechar, mas você
será atendido, fuja! Enquanto estiver comendo, o chef, os
cozinheiros e os garçons estarão de olho em cada garfada
que você levar à boca. Querem descansar. Se alguém
apagar as luzes, não é para criar uma atmosfera romântica
para você e sua namorada. Provavelmente, os dois já
foram xingados na cozinha. Coma depressa, dispense o cafezinho e
parta!
Finalmente,
o que vale é o gosto pessoal. Não importa se o local
é caro ou barato, brega ou chique. Você saberá
que encontrou o lugar certo quando seu estômago estiver ronronando.
E, depois de uma refeição, sentir que, afinal de contas,
a vida pode ser maravilhosa!
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