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A utopia real
Fabio Motta/AE
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Lula
e Serra se abraçam depois do último debate: vitória da civilidade
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O país
realizou um feito de que todo cidadão brasileiro deve orgulhar-se.
A quarta democracia do planeta, com 115 milhões de eleitores, pôs
em marcha pela primeira vez uma eleição geral em que a totalidade
dos votos foi apurada em urnas eletrônicas. O processo foi saudado
universalmente como exemplar não apenas pela tecnologia empregada
mas também pela civilidade que o caracterizou. Há apenas
um ano soava como quimera a idéia da chegada à Presidência
da República de um postulante de esquerda, de origem popular, sem
que o país mergulhasse numa crise econômica ou talvez até
mesmo institucional. Com a eleição de Luís Inácio
Lula da Silva no domingo passado, mais esse rito de passagem foi cumprido
pela democracia brasileira. O otimismo com o futuro imediato do Brasil
se deve em grande parte à aceitação pelo vencedor
da idéia de que políticas fiscais sadias não são
bandeiras de um ou de outro partido, mas conquistas de toda a sociedade.
O clima positivo e civilizado do processo eleitoral teve forte reafirmação
simbólica no debate realizado pela Rede Globo entre Luís
Inácio Lula da Silva e José Serra, na sexta-feira passada.
A postura serena dos concorrentes, facilitada pelo formato do programa,
e as cenas em que se cumprimentaram afavelmente serão provavelmente
registradas pelos eleitores como a representação de um movimento
maior: o inegável amadurecimento da democracia brasileira. Veja
as reportagens sobre as eleições 2002.
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A
reportagem de capa de VEJA da semana passada ("O
que querem os radicais do PT") motivou um
número recorde de cartas dos leitores. Foram 964 comentários.
VEJA gostaria de registrar com orgulho que a reportagem não
mereceu um único reparo factual dos leitores que escreveram
contra ou a favor de sua publicação.
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