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Justiça Dom Nicolau, lau, lau, lau, lau Juiz trabalhista de São
Paulo é acusado Daniela Pinheiro e Maurício Lima
Briga em família – O caso veio à tona pelo inimigo público número 1 da irregularidade: o parente inconformado. Feito Pedro Collor, um ex-genro do juiz, Marco Aurélio Gil de Oliveira, decidiu contar aos procuradores o que sabia da vida financeira do sogrão. Na semana passada, em entrevista gravada a VEJA, ele deu detalhes curiosos sobre a rotina do juiz. Segundo Oliveira, Nicolau era conhecido pelos apelidos de "General" ou "Lalo" quando estava no tribunal, mas virava "Nicholas", como gostava de ser chamado, nas viagens que fazia a Miami. Nessas ocasiões – e ele fez dezesseis viagens para lá em três anos – ia com a mulher na primeira classe e embarcava os demais familiares na classe executiva. Era ele quem pagava todas as contas. Em Miami, hospedava a família em quatro suítes de hotéis caros. Só com as diárias dos quartos gastava 3.400 reais. Numa dessas viagens, relata o ex-genro, Nicolau comprou um anel avaliado em mais de 250.000 reais. Noutra, presenteou-se com um relógio de 85.000 reais. "Certa vez, fui com ele e a família ao restaurante Joe's de Miami, onde as pessoas esperam até uma hora por uma mesa. Ele pegou 500 dólares, e o maître nos fez sentar em menos de cinco minutos. Ele comentou: 'Tá vendo? Quando vêm comigo, vocês não precisam esperar'.", conta Oliveira.
O desentendimento entre os dois começou após a separação de Oliveira e uma das filhas de Nicolau. O casal morava num imóvel do juiz, e o ex-genro queria receber o equivalente em dinheiro à metade do valor da casa. Nicolau não concordou, e Oliveira ameaçou denunciá-lo. O juiz reagiu desta forma, de acordo com o relato do ex-genro: "Você pode denunciar que não vai acontecer nada. Eu sou um juiz respeitado e tenho amigos poderosos". Oliveira foi adiante e deu no que deu. O juiz irá comparecer à CPI ainda nesta semana, e o empreiteiro Fábio Monteiro de Barros aguarda convocação. Será uma grande oportunidade para esclarecer essa história. Não é possível que fiquem impunes os responsáveis por mais essa obra escandalosa, quaisquer que sejam eles. O metro quadrado da construção do TRT paulista custou até aqui 2.600 reais. No TRT gaúcho, que também fez uma sede nova, o metro saiu por 500 reais. Pode-se argumentar que o prédio gaúcho é simples e o paulista é o chamado edifício inteligente, em que os elevadores, o ar-condicionado e as luzes são controlados por computador, entre outras sofisticações. Mas haja inteligência para justificar tanta despesa. O QI aferido do prédio até agora é da ordem de 193 milhões de reais, a quantia desaparecida.
Procurado por VEJA na sexta-feira, o juiz foi simpático com a reportagem, ficou emocionado com algumas perguntas e chegou a chorar nos momentos de maior tensão (veja quadro). Disse que seu padrão de vida pode ser explicado pelos bens que herdou da família. Durante a entrevista, mostrou um álbum de fotografias para provar que tinha uma vida de alto padrão desde a juventude. Filho de um funcionário público da Secretaria da Fazenda do Estado que chegou a ser deputado estadual em São Paulo, o jovem Nicolau fazia passeios pela Europa. Conta que foi um dos primeiros a ter carro de luxo em São Paulo. Sobre as denúncias, diz estar perplexo. Afirmou: "Eu estou sendo execrado. Virei o Al Capone do Brasil. Mal comparando, é claro".
Sobre o superfaturamento na obra do prédio do TRT: Da concorrência participaram 29 empresas. Ganhou a que se enquadrava melhor nos termos do edital. O Tribunal de Contas aprovou tudo. As acusações atribuídas me parecem uma coisa impossível. Tudo que se diz é leviano. Sobre contas no exterior no valor de 100 milhões de dólares: De jeito nenhum. Eu queria ter esse dinheiro. Você não queria? Os meus bens serão mostrados à Justiça. Ela vai esclarecer tudinho. Até por respeito à Justiça, já que advenho dela, não vou antecipar nada. Sobre o apartamento de cobertura em Miami: Reservo-me o direito de só responder isso à Justiça. É ela que vai dizer quais são os meus bens. Sempre tivemos muitas propriedades: casa, um prédio de apartamentos construído há muito tempo. Sobre a coleção de carros importados: Eu tenho um BMW 1994 e tem um Golf da minha filha. Eu não tenho Porsche, não tenho Mercedes. Meu ex-genro mostrou uma foto minha ao lado de um Lamborghini. Não é meu. Quando viajo, eu tiro 500 000 fotos ao lado de carros porque adoro carros. Essas pessoas vão ter de provar tudo o que disseram. Sobre a incompatibilidade entre sua renda de 6 000 reais e o padrão de vida: Sabe quanto eu pago de imposto de renda por ano? 60 000 reais. Eu tenho vários recebimentos. Eu tenho os holerites. Eu ganho bem e tenho dinheiro de família. Estou tranqüilo. Sobre o anel e o relógio: Essa história de anel de 150 000 dólares e relógio de 50 000 é mentira. Ele (o ex-genro) precisa apresentar documentos para comprovar a denúncia. Sobre a gorjeta de 850 reais: Nunca dei gorjeta desse
tamanho.
Com reportagem de:
Alexandre Secco,
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