Notícias
ruins para
a Vasp
Documento
da Infraero mostra como
a
empresa negocia suas dívidas
Tina Coelho
 |
| Canhedo:
cheques sem fundos do Banco Rural e ajuda de peso na Aeronáutica |
Wagner
Canhedo recebeu uma péssima notícia na semana passada.
A Vasp pode ser expulsa do Programa de Recuperação
Fiscal lançado pelo governo, o Refis. O programa permite
que as empresas parcelem a dívida com o INSS com prazos longos
e, uma vez em dia com as obrigações, readquiram certos
direitos, como o de participar de licitações. No caso
da Vasp, que deve 622 milhões de reais à Previdência,
o Refis daria a ela sessenta anos para quitar o débito. Na
última quarta-feira, o INSS entrou com o pedido de desligamento,
alegando que a empresa não paga o que deve, nem mesmo com
parcelamento generoso. O pedido vai a julgamento nos próximos
dias.
Os
aborrecimentos de Canhedo continuam depois do Carnaval. Na semana
passada, o deputado Bernardino Oliveira Filho (PPB-PR) encaminhou
um documento ao Ministério Público falando da Vasp
e pedindo providências. O papel é resultado de uma
miniinvestigação feita pelo deputado sobre as dívidas
das empresas aéreas com a Infraero, estatal que controla
os aeroportos. Por meio de um requerimento de informações,
Oliveira Filho pediu à Infraero que listasse a dívida
de cada companhia. Na resposta, assinada pelo presidente da estatal,
Fernando Perrone, descobre-se que a Varig, a Transbrasil e a Vasp
devem juntas 600 milhões de reais referentes a taxas de operação
aeroportuária não recolhidas. E quem é o maior
devedor? A Vasp, com 70% do total.
O
que chama a atenção na resposta de Perrone são
os detalhes sobre a forma como a Vasp acertou suas contas. A empresa
comprometeu-se a pagar as dívidas em seis ocasiões,
mas descumpriu os acordos. Só se entendeu com a estatal na
sétima vez. Numa das vezes, a Vasp entregou à Infraero
três cheques do Banco Rural, dois deles sem fundos. Deu em
seguida três novos cheques, todos devolvidos. A Infraero entrou
com uma ação contra Canhedo e encaminhou ao Banco
Central um pedido de punição ao Banco Rural. Segundo
a resposta de Perrone, o acordo final acabou saindo graças
a uma ajuda de peso. Ele foi acertado "com a interveniência
e anuência do excelentíssimo comandante da Aeronáutica",
Carlos de Almeida Baptista. Na semana passada, VEJA procurou Perrone
para saber que ajuda o comandante teria dado à Vasp, mas
ele não respondeu à pergunta. A revista procurou também
Baptista, que, por meio de sua assessoria, não comentou sua
participação no caso.
|