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Alerta na sacristia

Igreja Católica se inquieta com
A Padroeira,
a nova novela das
6 da Rede Globo

Ricardo Valladares

Divulgação
Pescador encontra imagem da santa: pano de fundo para história de amor


Nos anos 70 e 80, as intervenções da Igreja Católica na programação da Rede Globo eram comuns. "Precisávamos de bênção divina para lançar novelas", diz um antigo diretor da emissora. Nos últimos anos, porém, essa influência diminuiu bastante, e o que se vê é o contrário: o enfrentamento de padres e emissora. No ano passado, uma cena de casamento de Laços de Família não pôde ser gravada nas igrejas cariocas porque a noiva da história estava grávida. Agora, é a recém-lançada novela das 6, A Padroeira, que causa tensão. Escrita por Walcyr Carrasco, ela parte da história dos pescadores que, em 1717, encontraram a imagem da santa que viria a ser chamada de Nossa Senhora Aparecida. Os milagres da padroeira do Brasil servem de pano de fundo para um romance à moda de Romeu e Julieta. Reitor da Basílica de Aparecida, no interior de São Paulo, o padre José Ulysses da Silva divulgou uma nota apreensiva sobre o assunto, afirmando que a Igreja não tem responsabilidade sobre o que vai ao ar. "Somente esperamos que a Rede Globo saiba respeitar os sentimentos e a devoção de nosso povo", diz a nota. O autor acha que a preocupação eclesiástica não procede. "A França já fez inúmeros filmes com teor laico sobre sua padroeira, Joana d'Arc, e não vejo por que não podemos fazer o mesmo com a história da nossa", diz Carrasco, um devoto da Virgem Maria.

A manifestação do padre de Aparecida não encontrou eco na arquidiocese do Rio de Janeiro, onde a novela é gravada. "Nossa posição é clara: achamos que as novelas da Globo são contra os valores da família. Só que não vamos mais polemizar e ajudar a emissora a ganhar audiência com isso", diz o assessor da entidade, Adionel Carlos da Cunha. Além de problemas com as autoridades católicas, a Globo também enfrenta atritos com os evangélicos. Eles estão fazendo campanha contra as novelas das 8 e das 7. Em Porto dos Milagres, o que os incomoda é a presença de personagens ligados ao candomblé. Em Um Anjo Caiu do Céu, a reclamação é contra o nome. Anjo caído, dizem eles, é o demo. É melhor o pessoal do Jardim Botânico se benzer.

   
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