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Edição 1 706 - 27 de junho de 2001
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Férias com plano
de saúde

Seguro-viagem garante médico
e dentista no exterior
e pode
evitar que um imprevisto
estrague seu turismo

Fábio de Oliveira

Quando se fala em viagem de férias ao exterior, raramente passa pela cabeça do candidato a turista a possibilidade de uma dor de dente infernal, um braço quebrado ou uma febre inexplicável, capazes de estragar o programa planejado com tanta antecedência. Por mais que se bata na madeira, problemas desse tipo podem acontecer, é claro. Para enfrentar a situação, há um remédio razoavelmente barato, cujo custo é menor que uma entrada para um musical em Nova York ou um jantar mediano num restaurante de Paris. É o seguro-viagem, um tipo de serviço corriqueiro nas agências de turismo, que garante assistência médica e odontológica de urgência em outros países. Esse serviço ainda é pouco usado pelos brasileiros. De cada dez viajantes que deixam o país, segundo estimativas da Embratur, nada menos que sete saem sem os cartões oferecidos pelas companhias, por desconhecimento da utilidade, imprevidência ou excesso de otimismo. "O brasileiro é do tipo que acha que nada vai acontecer com ele próprio", explica Ricardo Costa, diretor comercial da Assist-Card do Brasil, empresa com longa tradição no setor desse tipo de assistência. Além do transtorno para a viagem, a conta de serviços médicos lá fora costuma ser salgada: em Nova York, por exemplo, uma consulta simples sem exames vale de 250 a 500 reais.

De maneira geral, quem usou algum dos planos disponíveis no mercado agradece até hoje. A engenheira carioca Sandra van Tilborg, 48 anos, passou por maus momentos durante as férias em Barcelona, na Espanha, no início deste ano. Ela foi surpreendida por uma dor na bexiga. "Fiquei desesperada", lembra. Junto com o pacote turístico, ela havia comprado o direito ao seguro, por 75 reais. Depois de alguns telefonemas, foi para um hospital, onde os médicos fizeram uma ultra-sonografia e diagnosticaram cistite hemorrágica. Medicada a tempo, conseguiu aproveitar o resto da temporada. Há três anos, a professora universitária Beatriz Saboia, 53 anos, de São Luís, teve uma inflamação no ouvido quando estava em Paris, uma otite prosaica mas suficiente para atrapalhar seu passeio pelos museus e bulevares. Não gastou um franco sequer para receber atendimento médico. A administradora de empresas Ana Maria Mattos Mascarenhas, de Belo Horizonte, estava numa estação de esqui em Vale Nevado, no Chile, e saiu carregada em uma maca depois de uma queda que quase rompeu o ligamento do joelho e a deixou imobilizada. Graças ao seguro, também não desembolsou nada com a emergência.

O funcionamento do seguro-viagem é muito simples. O cliente paga um valor por um período de dias de estada (confira alguns dos planos) e recebe um cartão similar ao da rede bancária, com um número de identificação. Em caso de necessidade, basta telefonar na cidade onde estiver para uma central de atendimento, que pode ser no próprio país de destino ou no Brasil, dependendo do plano. Será então indicado um hospital, uma clínica ou um médico credenciado. As despesas são cobertas até o limite do contrato, que varia de 5.000 a 50.000 dólares. Além disso, o plano pode incluir reembolso de compra de remédio e ajuda para regresso antecipado, bem como auxílio jurídico no exterior (indicação de advogados e adiantamento de dinheiro para a fiança) e seguro também em caso de extravio de bagagem. Há planos mais caros, que prevêem coberturas elevadas para acidentes pessoais, na faixa de 100.000 dólares. Uma dezena de empresas no Brasil atua no segmento, algumas delas associadas a seguradoras estrangeiras de prestígio. Também os cartões de crédito, como o American Express e o Credicard, em muitos casos oferecem serviços semelhantes, desde que a passagem seja comprada com eles. De acordo com o presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho, de maneira geral o sistema de seguro-viagem funciona bem no país, com um índice muito baixo de queixas nas repartições do Procon nos Estados. "Americanos e europeus não viajam sem seguro. Ainda vamos chegar lá", ele prevê.

Com reportagem de Alexandra Martins

 
 


 

   
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