
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Férias com
plano
de saúde
Seguro-viagem
garante médico
e dentista no exterior e
pode
evitar que um imprevisto
estrague seu turismo

Fábio
de Oliveira
Quando se
fala em viagem de férias ao exterior, raramente passa pela cabeça
do candidato a turista a possibilidade de uma dor de dente infernal, um
braço quebrado ou uma febre inexplicável, capazes de estragar
o programa planejado com tanta antecedência. Por mais que se bata
na madeira, problemas desse tipo podem acontecer, é claro. Para
enfrentar a situação, há um remédio razoavelmente
barato, cujo custo é menor que uma entrada para um musical em Nova
York ou um jantar mediano num restaurante de Paris. É o seguro-viagem,
um tipo de serviço corriqueiro nas agências de turismo, que
garante assistência médica e odontológica de urgência
em outros países. Esse serviço ainda é pouco usado
pelos brasileiros. De cada dez viajantes que deixam o país, segundo
estimativas da Embratur, nada menos que sete saem sem os cartões
oferecidos pelas companhias, por desconhecimento da utilidade, imprevidência
ou excesso de otimismo. "O brasileiro é do tipo que acha que nada
vai acontecer com ele próprio", explica Ricardo Costa, diretor
comercial da Assist-Card do Brasil, empresa com longa tradição
no setor desse tipo de assistência. Além do transtorno para
a viagem, a conta de serviços médicos lá fora costuma
ser salgada: em Nova York, por exemplo, uma consulta simples sem exames
vale de 250 a 500 reais.
De maneira
geral, quem usou algum dos planos disponíveis no mercado agradece
até hoje. A engenheira carioca Sandra van Tilborg, 48 anos, passou
por maus momentos durante as férias em Barcelona, na Espanha, no
início deste ano. Ela foi surpreendida por uma dor na bexiga. "Fiquei
desesperada", lembra. Junto com o pacote turístico, ela havia comprado
o direito ao seguro, por 75 reais. Depois de alguns telefonemas, foi para
um hospital, onde os médicos fizeram uma ultra-sonografia e diagnosticaram
cistite hemorrágica. Medicada a tempo, conseguiu aproveitar o resto
da temporada. Há três anos, a professora universitária
Beatriz Saboia, 53 anos, de São Luís, teve uma inflamação
no ouvido quando estava em Paris, uma otite prosaica mas suficiente para
atrapalhar seu passeio pelos museus e bulevares. Não gastou um
franco sequer para receber atendimento médico. A administradora
de empresas Ana Maria Mattos Mascarenhas, de Belo Horizonte, estava numa
estação de esqui em Vale Nevado, no Chile, e saiu carregada
em uma maca depois de uma queda que quase rompeu o ligamento do joelho
e a deixou imobilizada. Graças ao seguro, também não
desembolsou nada com a emergência.
O funcionamento
do seguro-viagem é muito simples. O cliente paga um valor por um
período de dias de estada (confira
alguns dos planos) e recebe um cartão similar ao
da rede bancária, com um número de identificação.
Em caso de necessidade, basta telefonar na cidade onde estiver para uma
central de atendimento, que pode ser no próprio país de
destino ou no Brasil, dependendo do plano. Será então indicado
um hospital, uma clínica ou um médico credenciado. As despesas
são cobertas até o limite do contrato, que varia de 5.000
a 50.000 dólares. Além disso,
o plano pode incluir reembolso de compra de remédio e ajuda para
regresso antecipado, bem como auxílio jurídico no exterior
(indicação de advogados e adiantamento de dinheiro para
a fiança) e seguro também em caso de extravio de bagagem.
Há planos mais caros, que prevêem coberturas elevadas para
acidentes pessoais, na faixa de 100.000 dólares.
Uma dezena de empresas no Brasil atua no segmento, algumas delas associadas
a seguradoras estrangeiras de prestígio. Também os cartões
de crédito, como o American Express e o Credicard, em muitos casos
oferecem serviços semelhantes, desde que a passagem seja comprada
com eles. De acordo com o presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho,
de maneira geral o sistema de seguro-viagem funciona bem no país,
com um índice muito baixo de queixas nas repartições
do Procon nos Estados. "Americanos e europeus não viajam sem seguro.
Ainda vamos chegar lá", ele prevê.
Com
reportagem de
Alexandra Martins
|
|
 |