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Há
um efeito multiplicador na inteligência. Pessoas inteligentes e
competentes são estimuladas por ambientes mais ricos em informação,
mais livres para a criatividade. Vivendo nesses ambientes, elas provocam
mudanças, oferecem novos estímulos e ensejam o crescimento
daqueles com quem convivem. Assim, a média da inteligência
da população sobe. "O QI das pessoas é afetado pelo
ambiente e pelos genes e o ambiente em que vivem é determinado
pelo seu QI", diz William Dickens, pesquisador da Brookings Institution,
dos Estados Unidos, autor de um artigo sobre o tema na edição
de abril da Psychological Review, revista publicada pela Associação
Americana de Psicologia. Está aí algo a que se deve prestar
muita atenção. "É visível que as crianças
são mais inteligentes hoje que no passado. Elas são capazes
de dominar um universo muito grande de informações e instrumentos
e se adaptam com facilidade a situações novas", diz Ricardo
Costa Mesquita, diretor pedagógico da escola Oswald de Andrade,
em São Paulo. "Nem todos os educadores estão preparados
para lidar com esse novo público e por isso os pais devem ter um
cuidado especial com seus filhos no momento atual."
Hector
Montenegro Terceros tem 9 anos de idade e mora em São Paulo. O
pai é engenheiro eletricista e a mãe, historiadora. Quando
estava na pré-escola, Hector aprendeu a ler e escrever em apenas
duas semanas. A professora, percebendo a precocidade do garoto, aplicou-lhe
uma avaliação de nível de raciocínio e descobriu
que ele era mais rápido que os colegas. Hector estudava numa escola
particular bem conceituada, mas com um método de ensino que tende
a ignorar as diferenças intelectuais entre os alunos. Baseava-se
fortemente na memorização. O menino tirava notas altas,
mas estava sempre infeliz. Não tinha muitos amigos. Não
podia aprofundar os assuntos para não alterar o ritmo da classe.
"Ele estava sempre deprimido", lembra o pai, Carlos Juvenal Terceros Siles.
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100
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Em 1 932, nos Estados Unidos, este era o QI médio
das crianças |
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112
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| Usando
a mesma escala, o QI dos americanos, hoje, é 12
pontos maior |
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Há
dois anos os pais do menino concluíram que, sem ajuda profissional,
o filho se despedaçaria emocionalmente. Levaram-no para fazer uma
avaliação psicológica que incluía um teste
de QI. Descobriram que Hector tinha inteligência acima da média,
135. Mudaram o garoto de escola. Hoje ele estuda no Colégio Objetivo,
que tem um programa de incentivo aos supertalentos. Faz cursos extracurriculares,
entre eles um de tecnologia e outro de literatura. "Antes me sentia muito
abafado. Agora tenho colegas da minha e de outras classes. Estou muito
mais feliz", diz Hector.
O
menino Raphael Ramos, de 4 anos de idade, deu um susto na mãe quando,
num fim de semana no sítio, foi brincar com um jogo de conhecimentos
gerais e, de setenta perguntas, errou apenas dez. No mês passado,
Raphael estava fazendo uma bateria de testes para avaliar sua inteligência.
O QI: 139. O psicólogo descobriu que o menino tem capacidade de
abstração, de compreensão de conceitos, de manutenção
da atenção e memória visual e verbal muito grande.
Seu problema mais grave: como não quer que os coleguinhas do jardim-de-infância
achem que ele é diferente, finge que não sabe ler nem escrever.
"Raphael precisa ter atividades de grupo, estar sempre entre crianças.
Se seu relacionamento social não for bem trabalhado, ele acabará
se isolando", explica Daniel Fuentes, neuropsicólogo do Hospital
das Clínicas de São Paulo. A moral dessa história
é a seguinte: é preciso estar atento aos desafios que cercam
até mesmo os mais inteligentes.
Hoje
é consensual a idéia de que o cérebro é um
órgão com enorme capacidade de adaptação e
expansão. Mais trabalhado, ele desenvolve mais ligações
entre neurônios, as chamadas sinapses. Pessoas cujo cérebro
tem mais sinapses raciocinam mais rápido e resolvem problemas de
modo mais eficaz. Para desenvolver uma teia mais complexa não basta
o trabalho exaustivo sobre livros e computadores. Estão recomendadas
também conversas, passeios, viagens. Cultivar amizades e promover
brincadeiras são práticas importantes. Então, mãos
à obra. O trabalho que se exige para o desenvolvimento da inteligência
não é assim tão enfadonho.
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Ensinando
a pensar
Um
método para estimular a inteligência
das crianças
Há 25 anos Myrna Shure, professora na Universidade de Ciências
da Saúde da Filadélfia, vem aplicando em grupos experimentais,
nos Estados Unidos, um método que desenvolveu para que pais
e professores ensinem as crianças a pensar. Myrna lançou
um livro, Raising a Thinking Child, que é uma espécie
de manual para pais que queiram estimular a inteligência de
seus filhos e está entre os mais vendidos no país.
É um roteiro de jogos de conversa. Pais e professores devem
trabalhar algumas palavras e expressões até que elas
tenham significado para a criança e seu raciocínio
vá se tornando mais complexo. Algumas das palavras-chave
e sugestões de perguntas para diálogos a serem explorados
desde que a criança começa a balbuciar são
as seguintes:
É/NÃO É "Você é
um menino. O que você não é?"
E/OU "Devo comprar laranjas ou maçãs?
Ou devo comprar laranjas e maçãs?"
POR QUE/PORQUE "Por que você acha que é
importante usar cinto de segurança?"
IGUAL/DIFERENTE
"O que estas duas bolas têm de igual e o que têm
de diferente?" "Você consegue fazer coisas diferentes, como
sentar e pular, ao mesmo tempo?"
TRISTE/FELIZ "O que sente uma pessoa que está
chorando? Como você sabe?" "Como você está se
sentindo agora?"
AGORA/DEPOIS "À tarde a mamãe tem de
trabalhar. Você quer assistir à televisão agora
ou prefere brincar com a mamãe e deixar a TV para depois?"
ALGUNS/TODOS "Neste jardim todas as flores são
vermelhas ou há algumas amarelas?"
ANTES/DEPOIS "Eu mexo o leite com a colher antes ou
depois de ter posto o chocolate em pó?" "Você bateu
no menino antes ou depois de ele ter lhe xingado?"
BOA HORA/MA HORA "Como você acha que eu me sinto
quando estou conversando e você me interrompe? Esta é
uma boa hora para você falar comigo?"
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Por
que as crianças ficam mais
inteligentes a cada geração
Uma
pesquisa feita no início do ano pela Faculdade de Psicologia
da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, descobriu que a média
do QI das crianças, em uma dezena de países, subiu
mais de 20 pontos nos últimos cinqüenta anos. As razões,
segundo os pesquisadores, são as seguintes
As famílias são menores, o que permite aos pais dar
mais atenção a cada um dos filhos
Os empregos demandam mais atividade intelectual, o que obriga as
pessoas a se atualizarem permanentemente. Pais intelectualmente
ativos estimulam seus filhos a ser da mesma forma
Nos momentos de lazer, até mesmo para manterem uma conversa
com amigos, as pessoas têm de estar atualizadas e bem informadas.
O ambiente induz a uma atividade intelectual mais intensa
Os equipamentos eletroeletrônicos e de comunicação
domésticos ajudam a formar crianças com habilidades
múltiplas. Mexendo no computador, mudando o canal da televisão
e ouvindo música, a criança exercita a memória
e treina a capacidade de manter a atenção em várias
coisas ao mesmo tempo
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Os
traços comuns da inteligência
na infância
Dez
sinais que indicam atividade cerebral intensa e produtiva, segundo
o psicólogo e pedagogo americano Frederick Tuttle, autor
do best-seller Características e Identificação
de Estudantes Talentosos, ainda sem tradução para
o português
Curiosidade
Persistência
e empenho na satisfação de interesses
Capacidade de autocrítica e de criticar os outros
Bom
humor
Facilidade
de propor idéias diante de um estímulo novo
Liderança
Capacidade
de se indignar diante de injustiças
Facilidade
de adaptação a desafios novos
Imaginação e fantasia sob controle
Facilidade
de relacionar informações aparentemente diversas e
distantes
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