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O poder da inteligência

Pesquisas revelam que as pessoas com QI elevado têm também inteligência emocional com alto potencial e boas chances de realização pessoal e profissional. Sabe-se agora que o nível de inteligência da humanidade tem aumentado muito. E, segundo os especialistas, existe um arsenal de recursos para expandir a capacidade mental das pessoas, sobretudo a inteligência das crianças

Eliana Giannella Simonetti e Denise Ramiro

 
Fotos Claudio Rossi

O casal de neurologistas Joel e Márcia Teixeira e seus filhos, Marina e Felipe: todos na família têm inteligência acima da média. Joel é presidente da Mensa
FF

O engenheiro Carlos Leite e os sobrinhos André e Pedro Moreira Graça: exemplos da evolução da inteligência. Pedro, o mais novo, tem o QI mais alto
Marcos Penteado/Divulgação TV Cultura

Roger, o roqueiro do grupo Ultraje a Rigor, que levou a vida escolar na flauta e até hoje não faz muito esforço para ser feliz: "Sempre consegui tudo o que quis"
FF


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As fotos acima são de sócios de uma organização peculiar: a Mensa Brasil. Ela é o braço brasileiro de um clube internacional (com site na internet no endereço www.mensa.org), nascido na Inglaterra em 1946, que reúne alguns dos donos dos mais altos quocientes de inteligência (QIs) de todo o planeta. Conversar com essa gente é uma experiência que comprova algumas das últimas descobertas feitas pelos cientistas que pesquisam a inteligência e o comportamento humanos. Essas pessoas tendem a ser mais curiosas, seus interesses abrangem um universo maior e a relação delas com o mundo é mais rica. Há os gênios ranzinzas e os sábios ermitãos, mas tudo indica que estes são exceção à regra. Pelo que a ciência vem reafirmando, o quociente de inteligência medido pelos testes mais tradicionais (aqueles que detectam a capacidade de raciocínio lingüístico, matemático e lógico) indica também o potencial da pessoa para se relacionar com os outros e para enfrentar os problemas do dia-a-dia.

Nessa perspectiva, o QI seria um fator importantíssimo para o sucesso na busca da felicidade. "As pesquisas têm demonstrado que as pessoas com menor quociente de inteligência tendem a ter pior performance na escola, carreiras profissionais problemáticas, laços familiares frágeis e, por tudo isso, a apresentar mais freqüentemente quadros depressivos", diz a psicoterapeuta americana Cathi Cohen, que trabalha com programas de treinamento de crianças em Washington e há quinze anos pesquisa a relação entre inteligência e felicidade.

O roqueiro Roger Rocha Moreira, do grupo Ultraje a Rigor, tem 44 anos e QI 172 – altíssimo. O QI médio fica entre 90 e 110. Ele está em uma das fotos que ilustram a abertura desta reportagem. Roger se alfabetizou sozinho aos 3 anos de idade, pulou a 4ª série primária porque já sabia tudo que estava sendo ensinado e chegou ao 2º ano do curso de arquitetura antes de decidir seguir carreira musical. "Sempre consegui tudo que quis", ele diz. Há outros exemplos de pessoas inteligentes, bem-sucedidas e bem conhecidas dos brasileiros no decorrer desta reportagem. Como se verá, quem tem alto quociente de inteligência não precisa necessariamente ter um diploma em física quântica. O QI de Jayne Mansfield, símbolo sexual produzido para fazer frente a Marilyn Monroe, era 163. O ator James Woods estudou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o renomado MIT. No teste para entrar na escola acertou as 800 questões de conhecimentos gerais e 779 das 800 de matemática. Seu QI: 180. E a atriz Sharon Stone, que sempre é lembrada pela cruzada sensacional de pernas que dá no filme Instinto Selvagem, entrou na universidade aos 15 anos de idade e tem QI 154.


Fotos Paulo Vitale

RAPHAEL RAMOS
Aos 4 anos, ele deu um susto
na mãe. Superou-a num jogo de conhecimentos gerais. Seu QI é 139. Seu problema, fingir que não sabe ler nem escrever para ser igual aos colegas de escola


Não tão famoso, o médico e neurocirurgião paulista Joel Augusto Ribeiro Teixeira, 32 anos, é o presidente da Mensa Brasil. Sua mulher, Márcia Hartmann Teixeira, neurologista e musicista nas horas vagas, também é sócia da Mensa. Convivendo com computadores, filmes falados em inglês, videogames e com os amigos dos pais, os dois filhos, Felipe, de 1 ano e meio, e Marina, de 3 anos e meio, desenvolveram habilidades precoces. Felipe canta várias músicas de cor e reconhece notas musicais. Marina começou a falar aos 8 meses e aprendeu a ler sozinha aos 3 anos. E canta músicas em inglês sem nunca ter aprendido a língua – apenas repetindo o som que escuta.

A família de Joel é um exemplo de outra conclusão a que os pesquisadores da mente humana estão chegando: de que o QI médio da população mundial tem se elevado. E não pouca coisa. Na Inglaterra, o salto foi de 27 pontos desde 1942. Nos Estados Unidos, foram 12 pontos desde 1932. Na Holanda, em dez anos se registrou um salto de 20 pontos, e, na Argentina, 22 pontos a mais desde 1964. Em 25 países onde as medições acontecem de forma regular, verificou-se um progresso notável no nível intelectual da população, e os pesquisadores acreditam que a descoberta pode ser generalizada para o planeta. "As transformações são dramáticas", diz Oliver Sacks, neurologista inglês, professor no Albert Einstein College of Medicine, de Nova York. "Devem estar ocorrendo mudanças e reorganizações fisiológicas e anatômicas na microtextura do cérebro que ainda não podemos entender plenamente." A inferência que se pode fazer é a seguinte: com uma cabeça melhor, o quociente de felicidade da humanidade, por assim dizer, também deve estar mais alto.



HECTOR TERCEROS
Com inteligência superior à das crianças de sua idade e sem o apoio da escola, ele vivia deprimido. A solução foi encontrar um colégio que atendesse a suas expectativas. "Me sentia abafado. Agora estou feliz"

No Brasil a prática da medição do QI não é muito difundida. Normalmente os testes são aplicados em crianças que apresentam comportamento destoante na escola, no clube ou em casa. São crianças que têm deficiências de aprendizagem ou de relacionamento social. Portanto o Brasil não contribui com informações para os trabalhos feitos por neurologistas e psicólogos. A instituição que aplica provas regulares e formais no país – e isso há apenas um ano – é a Mensa Brasil.

Outro exemplo da evolução generacional da inteligência é o da família de Carlos Leite, engenheiro. Leite tem QI 164. É um expoente na faculdade, adora matemática, toca guitarra, lê tudo que lhe cai nas mãos. Um de seus sobrinhos, no entanto, conseguiu superar o índice já alto do tio no teste de QI. Pedro Moreira Graça, de 15 anos, tem QI 168 e seu irmão, André, de 16 anos, chega aos 152. Quando criança, André observava a irmã mais velha aprendendo a ler. Aos 4 anos, numa pizzaria, leu o cardápio e escolheu o sabor de sua preferência. A máxima de André: "Ser inteligente não é saber muita coisa. É saber o que é necessário". Pedro quer estudar filosofia e psicologia. André prefere composição musical. Os irmãos são diferentes em várias coisas. Em comum, possuem uma inteligência excepcional, maior que a do tio-cabeça.

As explicações mais razoáveis para a elevação do nível médio de inteligência da população têm a ver com alguns dos progressos do mundo moderno. São as seguintes:

As pessoas estão mais expostas a informações, estímulos visuais e desafios.

As famílias são menores, o que permite aos pais dar mais atenção aos filhos, responder a suas perguntas com maior paciência.

O trabalho, de forma geral, exige maior esforço mental e faz com que as pessoas aprimorem seus conhecimentos lendo ou viajando.

Até as atividades de lazer demandam maior conhecimento hoje que no passado.

Computadores, videogames e holografias formam cérebros acostumados a lidar com várias dimensões e aumentam o poder de concentração.

O novo modelo de escola permite que as crianças mostrem e desenvolvam seus interesses. Aulas monótonas estão cada vez mais em baixa. Os alunos estão mais interessados em entender processos que em decorar dados.

A globalização amplia o universo individual e familiar, põe o indivíduo em contato com culturas, línguas e costumes diferentes.

 
Dedoc

ESCOLA ANTIGA:
lousa, giz, aula discursiva, professor autoritário, lápis e borracha davam sono nos estudantes e não estimulavam ninguém a pensar e a aprender. Ir à aula era o pior momento do dia

Raul Junior

ESCOLA MODERNA: desenvolvimento de projetos, estudos do meio, aulas participativas e muitos recursos audiovisuais estimulam a criatividade e o raciocínio. Com a internet, as enciclopédias foram para a prateleira

 

 

 

   
 
   
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