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Mais de 1
000 000
de dólares
Uma enxurrada
de novos apartamentos
de alto luxo em São Paulo, para quem
não tem problema de caixa

Juliana Saboia
Fotos Pedro Rubens
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Fotos Pedro Rubens
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| Salões
de mais de 100 metros quadrados, pisos de mármore importado
e, nos dúplex, piscina e escadaria suntuosas: detalhes de acabamento,
localização e sistema de segurança levam os preços
às alturas |
Quando se
trata de apartamentos de alto padrão há um bom critério
para separar um imóvel, digamos, apenas luxuoso daquele absolutamente
magnífico: o preço acima de 1 milhão de dólares.
Algo em torno de 2,4 milhões de reais, pela cotação
da moeda americana na semana passada. Cinco anos atrás não
se levantavam mais de dois ou três edifícios com unidades
desse valor ao mesmo tempo em São Paulo. No momento, a realidade
é outra. Estão em construção 574 apartamentos
com preço acima de 1 milhão de dólares, distribuídos
por 21 prédios. Desses, 124 serão entregues ainda neste
ano e os demais até 2004. Num mercado sujeito a altos e baixos
como o de imóveis, são exatamente os que menos dão
trabalho aos corretores 80% desses imóveis foram vendidos
ainda na planta.
Um apartamento
típico de um prédio de altíssimo padrão tem
entre 450 e 1.000 metros quadrados de área
útil, cinco suítes com closet, três ambientes sociais,
sala de almoço, jantar e estar, sala para home theater, piso aquecido
na cozinha e nos banheiros, pelo menos meia dúzia de vagas na garagem
e dependências de empregada que são um apartamento dentro
do apartamento, com dois quartos, banheiro e sala. Piso de mármore
importado, maçanetas e torneiras folheadas a ouro, pé-direito
estratosférico, espelho com desembaçador nos banheiros,
água filtrada nas torneiras, janelas com dispositivo elétrico
para tornar opacas as vidraças e controle remoto para cortinas
e persianas. Em alguns deles, a suíte principal tem 80 metros quadrados,
com dois banheiros e closet de 30 metros quadrados. Também é
imprescindível adega climatizada, despensa para louças e
prataria. No subsolo, há depósitos, saleta para motoristas
e, naturalmente, para os seguranças. Os apartamentos de cobertura,
disputados a tapa, custam o dobro dos demais. Dificilmente se encontra
um por menos de 2 milhões de dólares.

Tríplex
de 4 milhões de dólares: spa e cinco suítes em
1 000 metros quadrados |
Um dos atrativos
desses imóveis é a possibilidade de o comprador mudar a
planta durante a construção. Obrigatórios mesmo são
o sistema de ar condicionado central e o isolamento acústico de
cada unidade. Quem adquire apartamentos do gênero são executivos
do mercado financeiro, grandes empresários, estrelas do show biz
e alguns jogadores de futebol. A maioria fez fortuna rapidamente e busca
formas sólidas de investimento. "Em geral são jovens entre
30 e 45 anos", diz Tomás Salles, diretor da área de novos
negócios da Lopes Consultoria de Imóveis, que tem alguns
prédios de alto luxo para vender. Esses raramente são anunciados
em jornais, como os imóveis comuns. As vendas normalmente são
feitas por um sistema de propaganda boca a boca, com os corretores oferecendo
os imóveis a um grupo selecionado de endinheirados. A Lopes tem
um cadastro com o nome de 4.430 clientes potenciais
com renda acima de 25.000 dólares por
mês. Muitos prédios são construídos sob encomenda
dos proprietários, que se organizam em cooperativa e contratam
construtoras para tocar a obra. Alguns apartamentos são adquiridos
apenas como investimento (é comum que o valor do imóvel
pronto fique 30% mais caro do que custou ao ser comprado na planta). Foi
o que fez o jornalista e empresário João Dória Júnior,
que colocou à venda um tríplex de 1.000
metros quadrados, recém-construído nos Jardins, área
nobre da cidade. Quer pelo menos 4.milhões
de dólares pela cobertura com cinco suítes e um verdadeiro
spa no terceiro andar.
Boa parte
do preço astronômico decorre dos terrenos caríssimos
dos bairros nobres. "Imóveis que custam mais de 1 milhão
de dólares ficam em regiões onde não existe mais
área disponível para construção", alega Adolpho
Lindenberg, dono da construtora de prédios de luxo que leva seu
nome. "Nesses casos, o preço do terreno pesa brutalmente no valor."
E como pesa. O metro quadrado de um apartamento na Vila Nova Conceição,
bairro mais caro de São Paulo, não sai por menos de 2.700
dólares. A incorporadora Inpar pagou 4 800 reais por metro quadrado
num dos últimos terrenos de 3.700 metros
quadrados nos Jardins, onde cogita erguer um prédio de altíssimo
padrão. O preço do terreno explica por que o fenômeno
da multiplicação de apartamentos milionários é
restrito a São Paulo.
Os detalhes
ajudam a jogar o custo nas alturas. Apartamentos com apenas 350 metros
quadrados perto do Parque do Ibirapuera foram vendidos por 1 milhão
de dólares cada um por causa, basicamente, do requinte dos acabamentos.
"Em um dos banheiros, gastamos 30.000 reais
apenas em mármore importado", diz Ricardo Paes, dono da construtora
Result. Todos os prédios oferecem sistema de segurança com
guaritas blindadas, elevadores acionados por senha eletrônica, detectores
de presença e alarmes que podem ser acionados pelos moradores em
vários cômodos do apartamento. A ameaça de recessão
na esteira do apagão não assusta quem trabalha no segmento
de alto luxo. "Investimento em imóveis é tradicionalmente
considerado seguro mesmo nas mais duras crises", explica Luis Álvaro
de Oliveira Ribeiro, presidente da Adviser Consultoria. Um apartamento
de luxo pode ser um bom negócio para quem quer fazer dinheiro com
aluguéis. O inquilino típico é uma empresa estrangeira
que precisa alojar executivos em imóveis espaçosos e com
bom sistema de segurança. O aluguel mensal de um imóvel
de 1 milhão de dólares não sai por menos de 22.000
reais. "As crises econômicas encolhem o mercado de carne, trigo
e café, mas dificilmente afetam o mercado de trufas brancas do
Piemonte e o caviar do Mar Negro", diz Ribeiro.
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