Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 706 - 27 de junho de 2001
Internacional China

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
  França: A corrupção patrocinada pela estatal de petróleo
Bulgária: Rei volta ao poder pelo voto
Estados Unidos: Mãe afoga cinco filhos
China: Governo instala censura na internet
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Ditadura ataca
no ciberespaço

Governo chinês instala programas de
censura em milhares de computadores
ligados à internet

 
Chien-Min Chung/AP

Cibercafé em Pequim: cerco do governo para conter os dissidentes

O Partido Comunista, que governa a China desde 1949, sabe que não há futuro sem a internet. Mas ainda não tem idéia de como lidar com uma característica perigosíssima da rede: a liberdade de informação. Nas últimas semanas, a polícia chinesa fechou 2.000 cibercafés e desligou a conexão de outros 6.000. A blitz é um aviso do governo para que os 60.000 estabelecimentos desse tipo existentes no país andem na linha. Por lá, o cibercafé é o local preferido de 6 milhões de internautas por um motivo simples: com apenas 60 centavos de dólar qualquer um pode acessar, incógnito, a rede mundial de computadores durante uma hora. Como a possibilidade de identificação é reduzida, muitos opositores ao regime, já apelidados de "ciberdissidentes", aproveitam esses cafés para criticar o governo.

O regime tenta reagir à altura. Depois de rastrear e prender oito pessoas acusadas de espalhar material subversivo pela internet, a polícia política chinesa instalou em milhares de computadores um software criado especialmente para monitorar as informações consideradas ofensivas ao regime. Também dificultou a vida dos proprietários dos cibercafés e passou a realizar pelo menos duas inspeções anuais em cada estabelecimento à procura de sinais de acesso a sites de que o governo não gosta. Na China, os internautas têm à disposição mais de 260.000 páginas em chinês. Entretanto, são raros os provedores que permitem acesso a páginas internacionais. A repressão no ciberespaço faz parte do mesmo fenômeno de caça às bruxas que nas últimas semanas vem ganhando a China. Além de manter calados os detratores, o governo está numa cruzada contra a corrupção, que apenas neste ano já mandou quase 17.000 funcionários públicos para a cadeia. O número de execuções chegou a 800, só no mês passado. A punição brutal e exemplar é o método encontrado pelo governo para botar ordem na casa e não ser importunado na complicada tarefa de levar a China rumo à economia de mercado. O Partido Comunista não quer que isso ponha a perder seu monopólio do poder, como ocorreu na União Soviética.

Por isso, a mão de ferro da polícia continua pesando sobre os dissidentes eletrônicos. Muitos deles encontraram na internet uma maneira menos arriscada de driblar a censura, fato que se tornou comum também em outros regimes ditatoriais. Em muitos países o acesso à rede continua restrito a um único provedor, controlado pelo Estado, o que facilita a bisbilhotagem oficial. Na Arábia Saudita, a internet só foi legalizada há três anos, tempo suficiente para que os censores proibissem mais de 200.000 sites considerados ofensivos à moral islâmica. Na China, o governo ainda está hesitante. É que somente no ano passado o comércio através da internet atingiu 8,7 bilhões de dólares no país, quantia nada desprezível e que tende a crescer à medida que o acesso for facilitado. Não há, por enquanto, um modo seguro de controlar o promissor comércio virtual e, ao mesmo tempo, monitorar as informações disponíveis na rede. No que se refere à liberdade de expressão, os chineses avançam a conta-gotas. Nos tempos de Mao Tsé-tung, quando as delações estavam em moda, era perigoso falar mal do governo dentro da própria casa. Hoje, vale espinafrar o regime em família. Mas o partido não tolera quem manifeste publicamente sua insatisfação, nem mesmo por e-mail.

 
Veja também
Dê sua opinião no fórum de VEJA on-line

 

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS