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Ditadura ataca
no ciberespaço
Governo
chinês instala programas de
censura em milhares de computadores
ligados à internet
Chien-Min Chung/AP

Cibercafé
em Pequim: cerco do governo para conter os dissidentes |
O Partido
Comunista, que governa a China desde 1949, sabe que não há
futuro sem a internet. Mas ainda não tem idéia de como lidar
com uma característica perigosíssima da rede: a liberdade
de informação. Nas últimas semanas, a polícia
chinesa fechou 2.000 cibercafés e desligou
a conexão de outros 6.000. A blitz é
um aviso do governo para que os 60.000 estabelecimentos
desse tipo existentes no país andem na linha. Por lá, o
cibercafé é o local preferido de 6 milhões de internautas
por um motivo simples: com apenas 60 centavos de dólar qualquer
um pode acessar, incógnito, a rede mundial de computadores durante
uma hora. Como a possibilidade de identificação é
reduzida, muitos opositores ao regime, já apelidados de "ciberdissidentes",
aproveitam esses cafés para criticar o governo.
O regime
tenta reagir à altura. Depois de rastrear e prender oito pessoas
acusadas de espalhar material subversivo pela internet, a polícia
política chinesa instalou em milhares de computadores um software
criado especialmente para monitorar as informações consideradas
ofensivas ao regime. Também dificultou a vida dos proprietários
dos cibercafés e passou a realizar pelo menos duas inspeções
anuais em cada estabelecimento à procura de sinais de acesso a
sites de que o governo não gosta. Na China, os internautas têm
à disposição mais de 260.000
páginas em chinês. Entretanto, são raros os provedores
que permitem acesso a páginas internacionais. A repressão
no ciberespaço faz parte do mesmo fenômeno de caça
às bruxas que nas últimas semanas vem ganhando a China.
Além de manter calados os detratores, o governo está numa
cruzada contra a corrupção, que apenas neste ano já
mandou quase 17.000 funcionários públicos
para a cadeia. O número de execuções chegou a 800,
só no mês passado. A punição brutal e exemplar
é o método encontrado pelo governo para botar ordem na casa
e não ser importunado na complicada tarefa de levar a China rumo
à economia de mercado. O Partido Comunista não quer que
isso ponha a perder seu monopólio do poder, como ocorreu na União
Soviética.
Por isso,
a mão de ferro da polícia continua pesando sobre os dissidentes
eletrônicos. Muitos deles encontraram na internet uma maneira menos
arriscada de driblar a censura, fato que se tornou comum também
em outros regimes ditatoriais. Em muitos países o acesso à
rede continua restrito a um único provedor, controlado pelo Estado,
o que facilita a bisbilhotagem oficial. Na Arábia Saudita, a internet
só foi legalizada há três anos, tempo suficiente para
que os censores proibissem mais de 200.000
sites considerados ofensivos à moral islâmica. Na China,
o governo ainda está hesitante. É que somente no ano passado
o comércio através da internet atingiu 8,7 bilhões
de dólares no país, quantia nada desprezível e que
tende a crescer à medida que o acesso for facilitado. Não
há, por enquanto, um modo seguro de controlar o promissor comércio
virtual e, ao mesmo tempo, monitorar as informações disponíveis
na rede. No que se refere à liberdade de expressão, os chineses
avançam a conta-gotas. Nos tempos de Mao Tsé-tung, quando
as delações estavam em moda, era perigoso falar mal do governo
dentro da própria casa. Hoje, vale espinafrar o regime em família.
Mas o partido não tolera quem manifeste publicamente sua insatisfação,
nem mesmo por e-mail.

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